Quarta-feira, 22 de Maio de 2013
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  • “Estamos em uma crise de criação”, diz Serginho Groisman

    Paola Oliveira
    Estagiária de Jornalismo

    A publicidade brasileira está passando por uma crise de criatividade. A opinião é do jornalista e apresentador da Rede Globo Serginho Groisman. Em entrevista ao site Meio & Mensagem, Groisman disse que, apesar de ser uma das melhores do mundo, a publicidade no Brasil enfrenta um momento esquisito. “Vejo comerciais muito parecidos, como os de supermercados. Não sei se é por causa do investimento, já que o preço para veicular em televisão é muito caro. Por outro lado, há coisas muito bem feitas. Mas eu gostaria de ver um pouco mais de criação”, declarou o apresentador do programa Altas Horas.

    Coordenador do curso de Publicidade e Propaganda da Unisinos, Sérgio Trein diz que a questão da criatividade na propaganda atual é muito discutida pelos profissionais do meio. Para ele, o problema é a falta de aproveitamento das possibilidades: “Diante de tantas formas de se passar uma mensagem, tantos meios, tantos canais – com a web –, eu acho que realmente existe uma pobreza muito grande no uso dos recursos disponíveis”.

    Um dos problemas na atualidade seria o uso excessivo de coisas efêmeras nas propagandas. “A publicidade reflete a sociedade. Num mundo em que ‘eu quero tchu, eu quero tcha’ e outras letras que não têm nenhuma riqueza fazem sucesso, isso também vai para a propaganda. Podemos ver que comerciais de carro usam isso. Mas, o que isso tem a ver com carro?”, pondera Trein. O resultado, explica o professor, é que, daqui a algum tempo, o publicitário tem que fazer a continuidade da campanha para sustentar a marca, e, como ela foi feita e cima de algo efêmero, vai ter que ser refeita. Trein compara as dificuldades da publicidade de hoje com as da publicidade dos anos 90. “Naquela época, se discutiu muito a questão da pertinência. A ideia tem que ser pertinente ao produto – o que é meio óbvio. Depois, começou a se discutir a questão da consequência. Quando tu fazes uma ação, estás esperando um resultado. Qual é a consequência que tu esperas?”, questiona.

    Outra questão levantada pelo professor é a de falta de texto na propaganda atual: “Não querendo ser saudosista, mas, nos anos 80, não tínhamos os recursos tecnológicos que existem hoje, então os textos eram maravilhosos, textos grandes, e os jingles gravavam muito pela letra”. Ele conta que fora do Brasil são produzidas mensagens publicitárias muito interessantes, embora isso não queira dizer, necessariamente, que a publicidade brasileira não seja criativa. “Ela é, sim, muito criativa, mas não tira proveito de todas as possibilidades que surgiram nos últimos tempos. Acho que se esperava mais.”

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    2 de Julho de 2012 às 5:25 pm

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