Quinta-feira, 09 de Fevereiro de 2012
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  • “E é por Essas e Outras que Minha Saudade me Faz Lembrar de Tudo Outra Vez”

    Um barzinho, um velho e um violão, isso é Bossa-Nova. Aquele som que rolava, naquele bar não era, definitivamente, Bossa-Nova. Sabe-se lá que som era aquele. Uma coisa mecanizada, com teclados ao fundo e alguns outros barulhos digitais. Se alguém olhar a placa vai ler: Karaokê. Mas karaokê também não era.

    “Música é música, meu chapa”, assim dizia o famoso Clodoaldo, conhecido como Funil. “Menos Bossa-Nova!”, completava. No bar, funcionava assim: a pessoa chegava, folheava um livreto com canções e escolhia a que gostaria de cantar. Pronto. Dentro de instantes, o número da canção escolhida aparecia numa tela. Aí era só mandar brasa.
    As pessoas não iam até o bar em grupos, estranhamente. Todos os presentes, que eram os mesmos todos os dias, estavam sozinhos. Lógico, que alguns tinham companheiros e companheiras. Mas isso também estava longe de ser um grupo.

    Hoje, no canto esquerdo do palco, há um poeta e um contador conversando fiado. Um quase advogado fuma charuto e bebe gim. Outro, que se diz ator, bebe sua terceira cerveja em paz. Há, ainda, um terceiro, cara de índio, que gesticula muito, mas fala baixo, acompanhado de duas putas, que fumam um cigarro de filtro branco e borrado de batom. No pequeno palco, agora, cantam Liege e o Cardoso.

    Antes deles, cantou um cego, o Dalto, que sempre escolhe alguma do Zé Ramalho. Dalto foi de Chão de Giz, hoje, e foi aplaudido por todos, antes mesmo do fim. “Nem vou lhe beijar, gastando assim o meu batom“, nesse momento as pessoas se excitaram, comoveram-se. Lembraram que algo ficou no caminho e aplaudiram efusivamente.
    Impossível Acreditar que Perdi Você, foi a escolhida por uma loira mulher alta e forte. Jussara, sempre cantava coisas de amor. Essas canções que falam de relacionamentos, eram a cara da Jussara. “Venha me dizer, sorrindo, que você brincou. E que ainda é meu, só meu, o seu amor“. Jussara parecia que cantava de verdade. A música parecia que era sua. Só sua. Provavelmente, fosse mesmo.

    Poxa, como foi bacana te encontrar de novo“. Moacir, um velhote magro e estático, cantou Poxa, de Gilson Souza. Ninguém deu muita atenção. Era um samba antigo, parado, choroso. Nesse momento, o dono do bar, foi ao banheiro ver como andavam as coisas. “Mulher o teu lugar é no meu coração“, assim se encaminhava o fim do sambinha. Assim, Moacir deu vez para a dupla Liege e Cardozo.

    Os dois não se conheciam muito bem. Eram amigos de trabalho, apenas. Resolveram ir até aquele bar, porque não tinham nada para fazer à noite. Cardozo, tímido, achou interessante a idéia de cantar para Liege. Perguntou se ela gostava de Roberto Carlos. Liege disse que sim. Então, ele escolheu a canção Outra Vez. Disse que cantaria em sua homenagem. Ela enrubesceu, mas quis dividir o palco com Cardozo. Não queria ficar só à mesa, com os copos e a tábua de aperitivos.

    Os microfones estavam frente a frente. O som começou a sair das caixas. Cardozo limpou os lábios com a língua. Liege segurou o pedestal um pouco tremula. A canção começou. “Você foi…”. Muitos já aplaudiram, por reconhecer a música. Outros seguiram sua rotina de bar. Dalto, o cego, parecia atento.”Das lembranças que eu trago na vida, voce é a saudade que eu gosto de ter“. Cantou, o galante Cardozo. Liege retrucou. “Só assim, sinto você bem perto de mim, outra vez”. Foi uma cena muito singela. Aqueles dois ali, naquele pequeno palco, em sintonia. Admirando-se, ao som duro daquele karaokê. Poderiam, se quisessem, começar uma bela história de amor. Não é mesmo?

    Um Bom Passeio Escolar

    Quando criança, Paulo, visitou os Correios com sua escola. Aquele passeio ficou em sua cabeça e ele, quando homem, quis ser carteiro. Hoje, é um ótimo carteiro. Tem até uma casa e um carro na garagem.
    Uma boa idéia para nossas escolas e estudantes seria promover passeios no Presídio Central, para os meninos, e no Madre Peletier, para as meninas. Sem maquiagens, lógico. Conhecer a realidade duríssima das cadeias seria um ótimo aprendizado. Será que, depois de homens, alguém esqueceria a tenebrosa imagem de uma cadeia? Talvez, até mesmo os presos tenham algumas lições do que não se deve fazer para chegar lá…
    Criança não esquece. Criança aprende fácil. Então, um passeio pelas cadeias, já!

    Cachaça + Brasil = Mulher Pelada

    Cachaça é a cara do Brasil. A Cabana, produzida nos EUA, divulga no em seu site, um vídeo vinculando seu produto ao Brasil, lógico. Mas imagine como os americanos nos vêem… Agora vá ao site do bendito goró e veja: www.cabanacachaca.com.

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    9 de Outubro de 2008 às 8:57 pm

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