Raquel Piegas
Estagiária de Jornalismo
Durante nove dias, o correspondente da RBS Daniel Scola, professor licenciado da Unisinos, sentiu a terra tremer embaixo de seus pés em território chileno. Ele acompanhou de perto a angústia de uma nação que procurava por seus mortos. Como todo jornalista, uma das maiores preocupações de Scola era não ter acesso à internet para enviar suas matérias.
Foram cerca de 15 boletins diários para a Rádio Gaúcha e uma matéria por dia para o jornal Zero Hora e sua edição online. Enquanto se dirigia à RBS para editar matéria sobre a prisão do traficante Paulão, nesta quinta-feira, Scola conversou por telefone com o Portal3 sobre a experiência no Chile.
Portal3: É possível separar o jornalista do ser humano em um cenário de tragédias?
Daniel Scola: Quando cheguei ao Chile, fiquei na casa de uma família, porque não havia quase vagas em hotéis. Optei por fazer a cobertura pela perspectiva deles, até porque passei pelas mesmas privações: sem água, sem luz, sem comunicação, sem comida. Aliás, ficar sem comida foi a coisa menos sentida por mim. Senti falta mesmo foi de ter como transmitir a minha matéria. Tive que ditar todas por telefone. Escrevia o texto e ditava para uma pessoa copiar aqui no Brasil. Mas o importante mesmo durante toda a cobertura foi não soar como um falso herói, porque o drama deles é o pior.
P3: Em algum momento tiveste medo?
Scola: Senti medo quando eles sentiram. Porque aí eu vi que a coisa estava feia. Eles enfrentaram tremores muito maiores, não tinha como eu não sentir medo. Lembro que o dia em que senti mais medo foi quando houve um alerta de tsunami. Estava no porto de uma pequena cidade e via pessoas correndo em pânico. Mas nada do que não se sinta em Porto Alegre, fazendo matérias no Presídio Central, por exemplo. São temores distintos.
P3: Qual o papel de um jornalista quando o mundo está voltado para uma tragédia?
Scola: O principal conselho é não repetir o que os outros repórteres já disseram e não soar como óbvio. O jornalista precisa transportar o leitor e o ouvindo para o local sem cair num lugar comum.
P3: Tua volta ao Brasil foi uma opção pessoal ou uma decisão do Grupo RBS?
Scola: Voltei por uma opção da empresa. Eu estava lá há mais de uma semana e praticamente sem dormir. Fui sozinho, sem fotógrafos, sem cinegrafista. Estava bem desgastante. O (Humberto) Trezzi (repórter) e o (Jefferson) Botega (fotógrafo) estão fazendo um excelente trabalho lá.
As imagens e as matérias dos correspondentes do Grupo RBS podem ser conferidas no blog Expedição Chile.
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11 de Março de 2010 às 6:16 pm
Muito bom. Parabéns a Raquel pela entrevista e ao Daniel pela contribuição aos futuros jornalistas (Hoje estagiários), também por nos oportunizar a noticia através de um canal de fácil acesso.