Maria Maurente
Estagiária de Jornalismo
E não adianta fugir, já diria o Lulu Santos. As mudanças assustam, apavoram, mas sempre têm o seu lado positivo. Não sei se no caso do diploma, que deixou de ser obrigatório para exercício do Jornalismo na última quarta-feira, 17. Se as empresas que batalharam pela desregulamentação são as mesmas que continuarão exigindo o diploma na hora de contratar, não sei. É muito provável, mas isso só o tempo dirá.
Claro que para os futuros jornalistas sempre resta a opção de sair do curso e bater nas portas do mercado alegando que têm um ótimo texto e todo o tino para a coisa. Quem sabe funcione. Pode-se até mesmo tentar uma outra habilitação. Quem sabe. Quem resolver ficar na universidade e fazer seu diploma valer a pena terá pelo menos um diferencial na hora da busca pela vaga. Isso é fato.
O que também é fato é que todas as mudanças, por mais que sejam positivas, geram dúvidas e incertezas. Assim como não sei se o diploma que estou batalhando para conseguir terá no mercado o mesmo valor que tem pra mim, não sei como será minha vida daqui pra frente.
Explico, já pedindo licença para dividir com os leitores as angústias que tomam conta da cabeça de uma pessoa que, pela primeira vez na vida, se vê sem o colo da mãe por perto. Novos desafios esperam minha jornalista preferida (e diplomada), que por sinal também é minha mãe, na cidade que ela escolheu para viver: Brasília. E Brasília é looonge.
A mudança na vida dela significa também uma brusca mudança na minha própria vida. Da comodidade do lar, doce lar, parto também para novos desafios. Deixo meu querido irmão em Gravataí (que, ainda bem, não é tão looonge assim) e vou morar mais perto do trabalho e da universidade. Viver a minha vida, caminhar com as minhas próprias pernas. O que, obviamente, também significa lavar as próprias roupas e pagar as próprias contas. E não me refiro só à conta do bar.
Dividir essa nova empreitada com meu namorado, Mateus, sem dúvida me deixa mais feliz e tranquila, embora aumente o desafio. Mas o medo é normal, totalmente justificável. E saudável. Principalmente porque é ele que nos move, que nos faz ter algum tipo de reação em situações de perigo. Em tempos de mudanças e inseguranças, fico até feliz por ter dúvidas, por ter medo. Significa que os pés estão no chão.
Que venha o mercado de trabalho, que venha o tão esperado diploma, que venha a vida nova. O futuro só é interessante porque é incerto. A vida só tem graça porque o nosso controle sobre ela não existe. O mundo continua girando sem pedir nossa autorização. Tudo muda, o tempo todo. Resta saber aproveitar as oportunidades para crescer e ir sempre em frente.
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19 de Junho de 2009 às 5:15 pm
Em relação ao diploma, espero que esta bofetada que nós, aspirantes, levamos do STF sirva para promover novas discussões referentes ao enfoque do ensino que recebemos, o fortalecimento dos sindicatos e, até mesmo, a valorização do canudo que pleiteamos.
Quanto à mudança de vida, acredito que quando temos alguém para ajudar na caminhada (sim, pq estamos com os pés no chão), tudo fica mais fácil. Vamos juntos e assim não fica tão pesado para nenhum dos dois.
Grande texto.
Começo admitindo ser altamente suspeita para um comentário livre de tantas emoções…
Não deixando, porém, de ser profissional, posso dizer que teu texto é muito bacana porque é claro e bem escrito.
E, digo mais: não desiste do teu diploma, fica atenta ao curso, escuta teus professores e lê tudo que puderes.
Caras como o Gilmar Mendes passam, a responsabilidade de informar com seriedade fica.
Eu boto muita fé na minha estagiária preferida!!
Vai Maria!!!
Beijo
iara