Sérgio Trein
Publicitário, Professor, Colorado e participante da caminhada do centenário
Não era dia de jogo. Mas lá estávamos nós nas mesmas ruas e avenidas que sempre nos levaram ao Beira-Rio. As mesmas que, na maioria das vezes, nas saídas dos jogos, se transformam em nossos salões de festas. E que, em poucas mas doloridas vezes, nos ofereceram um chão nem sempre muito confortável para nossos olhos de tristeza nas derrotas. Não havia jogo. Mas paramos os carros. Paramos os ônibus. Paramos até as pessoas. E nos desculpem aqueles que tinham compromissos e se atrasaram. Mas nós realmente éramos muitos. Havia homens, porque afinal de contas futebol é coisa de homem. Mas havia, em igual número, mulheres. Havia velhos. Havia crianças. Havia negros. Havia brancos. Havia ricos. E havia pobres. Havia gordos, magros, altos e baixos. Havia todo tipo de gente para todos os estereótipos possíveis e imagináveis. Éramos tantos. E tão diferentes.
O que nos unia, além do vermelho e do branco que carregávamos em nossas roupas, eram pequenos detalhes. E nem tão pequenos assim, pois era nítido a quem pudesse ver que tínhamos todos os olhos vermelhos, porque a ocasião pedia olhos vermelhos, dos quais de tempos em tempos corriam lágrimas insistentes. Tínhamos os ouvidos prontos para recordar um grito de gol que saía dos alto-falantes do carro de som ou para acompanharmos as músicas, cânticos e gritos de guerra. Tínhamos as gargantas prontas para gritar. Tínhamos os pés fortes, para agüentar tantos passos, que ali foram metros, mas que em nossa mente foram anos. Tínhamos as pernas fortes, como as de nossos bravos e lutadores atletas. Tínhamos um sol forte, que brilhava em um céu todo azul, como o verso do nosso Hino. Em cada passo da caminhada, o equivalente a um gol, a um dia da história, a um ano, a um título. Embora seja difícil até dizer se a caminhada representava mesmo um centenário ou se era o desejo de muito mais.
Quando vi o Inter ganhar o título mundial, no Japão, em 2006, pensei: “que mais posso esperar do meu Inter”? Afinal, já vi esse Clube ser campeão de tudo. Não tem título que eu não tenha visto, Gaúcho, Brasileiro, América e do Mundo. Entretanto, que me desculpem todos os ídolos que vestiram e que vestem a camisa colorada. Mas depois da caminhada do centenário sou obrigado a reconhecer e a rever meu pensamento: da torcida colorada pode-se esperar tudo.
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6 de Abril de 2009 às 5:21 pm
Não é porque ele é meu orientador, não é porque sou colorada, mas esse texto é muito bom!
“da torcida colorada pode-se esperar tudo.”
Cobri a marcha e, apesar de torcer para o Esportivo, fiquei emocionado com a demonstração voluntária dos colorados. Parabéns pelo texto e pela mobilização.
Ótimo texto. Por essas e outras que eu tenho orgulho de ser colorada.
Apesar de torcer para o Esportivo, o Zanuzzo, junto com a equipe da Gaúcha, fez uma ótima cobertura. Apesar de muito barulho na caminhada, de vez em quando dava pra ouvir um pouquinho nos meus fones de ouvido !
ali quando diz “que mais posso esperar do meu Inter”?
podemos esperar o bi mundial =]