Depois da decisão do STF, conheça o outro lado da história de quem escolheu ser jornalista diplomado.
A martelada decidiu tudo
Lorena Risse
Estagiária de Jornalismo
Depois da martelada do fatídico 17 de junho, proferida pelo ministro Gilmar Mendes, mais 80 mil profissionais diplomados tiveram o símbolo de um ciclo de vida reduzido a um mero documento. A não obrigatoriedade do diploma trouxe insegurança e muitas dúvidas para aqueles que escolheram o curso de Jornalismo para ser o eixo de uma carreira que estaria por vir.
O começo do segundo semestre de 2009 para os cursos de Jornalismo de todo o Brasil foi decisivo. Pelo país, diversas universidades sofreram abalos com a decisão do STF. A primeira a fechar as portas da habilitação em Jornalismo foi a Universidade Uberaba, no estado de Minas Gerais. A instituição alegou que o número de pessoas que procuraram pelo curso foi ínfimo: apenas 14 candidatos se matricularam.
Em contrapartida, outras universidades estão tentando reverter a situação. Entre elas, a Unisinos, que traçou a estratégia de aprimorar sua estrutura e metodologia de ensino para atrair e manter os alunos que já estão na casa. A presença assídua da Unisinos em reuniões do sindicato da classe e em eventos em prol do diploma são algumas das ações que o Curso de Jornalismo está fazendo na luta pela permanência do diploma.
Em meio a essa situação, uma dúvida ainda pairava sobre a Unisinos: o número de candidatos para entrar no curso diminuiria após a queda do “canudo”? O Portal3 realizou uma pesquisa juntamente com a Secretaria de Comunicação Social da universidade e descobriu que o índice de calouros se manteve firme com relação ao mesmo período do ano anterior (2008/2), quando o diploma estava “são e salvo”. De acordo com os dados, 45 alunos encararam o novo cenário e insistiram no sonho de seguir a carreira de jornalista.
O sonho apenas começou

Caloura determinada a obter o diploma
Dentre eles está a caloura Pietra Reis. Aos 18 anos, deixou para trás o Curso de Psicologia e mergulhou no mundo da comunicação. Hoje, faz três disciplinas e já tem opinião formada sobre a não obrigatoriedade do diploma. “Acredito que esta decisão foi apenas um jogo político e comercial. Quem deixar de fazer o curso por causa dessa decisão realmente não sabe o que quer. E eu sei”. Apostando na resposta positiva que a academia lhe trará, Pietra demonstra satisfação e boas expectativas para os próximos oito semestres. “Já olhava com bons olhos o curso. Agora que estou aqui vejo que vou encontrar ferramentas indispensáveis para exercer a profissão”, vislumbra a futura jornalista diplomada.
Os professores responsáveis pelas disciplinas do primeiro semestre do curso discutiram sobre como iriam abordar o assunto e chegaram ao consenso de que o diploma seria pauta para o primeiro dia de aula. Segundo Bruno Lima Rocha, Doutor em Ciências Políticas e professor de disciplinas iniciais da habilitação em Jornalismo, a orientação é para que os professores sanem todas as possíveis dúvidas. “O incentivo para que os estudantes continuem se informando e aumentando a sua base de cultura geral foi o que eu abordei na aula. Expliquei a situação para os que estavam chegando e dei força para a permanência deles na universidade”, lembra Rocha. Depois de enfrentar uma turma de calouros na quinta-feira, 18, dia seguinte à queda do diploma, o professor presenciou a desistência de dois alunos. “Duas pessoas se abalaram com a decisão sobre o diploma e desistiram da carreira”, acrescenta.

Tiago da Rosa busca o aprimoramento da profissão
Do lado contrário à desistência pela profissão, mas do mesmo lado da confirmação de que a vocação por si só não basta, está o fotógrafo Tiago da Rosa. Após sete anos trabalhando na área e com uma reputação construída, Tiago decidiu ingressar na faculdade e buscar pelo aprimoramento da sua arte. “Mesmo escutando muitas declarações negativas de colegas eu decidi entrar na Unisinos e me descobrir como jornalista. O que eu quero é viajar com a minha arte, que é a fotografia, e poder estar pronto para escrever”, destaca. Ele é um dos que apostam na teoria de que o profissional da comunicação do Século XXI tem que ser multifuncional, saber trabalhar com todas as áreas que lhe são oferecidas. “Já trabalho com a fotografia e a escrita é algo que eu quero descobrir, pela importância que tem no meio em que eu estou. Agora é preciso fazer mais do que a profissão exige, é preciso ser versátil”, frisa Rosa.
A carreira de fotógrafo de Tiago teve início com a influência do irmão, que já exercia a profissão. Começou como um contrato temporário (freelancer) no Jornal NH, de Novo Hamburgo. Depois de muitas pautas, veio o reconhecimento pelo trabalho bem feito. Em um almoço com o chefe, que parecia ser a última refeição na empresa, Rosa teve a surpresa da efetivação no jornal. Tiago lembra, com risos, da primeira pauta que lhe foi dada. “Cobri um incêndio. E a única coisa que saía nas fotos era fumaça. Olhava o trabalho dos outros fotógrafos e, sinceramente, fiquei com vergonha das minhas. Mas, com o tempo, me encontrei na profissão e agora estou me descobrindo no jornalismo.”
Aos 26 anos, Tiago investe no curso. Trabalha oito horas por dia e encontrou tempo para fazer três disciplinas. Com convicção, fala abertamente sobre a queda do “canudo”. “O diploma é o diferencial para se manter na profissão. Quero tê-lo para competir com quem o tem e não com quem não está preparado”, avalia Tiago.
A opção pelo diploma é algo que mexe com as estruturas de uma sociedade. Para ser jornalista, não basta ter talento e saber escrever, é preciso ir além, é preciso se preparar e encarar os desafios éticos que a profissão exige. A democracia da informação, ao contrário do que muitos pensam, está do mesmo lado da qualificação. Um jornalista que não tem compromisso com a sociedade, não tem compromisso consigo mesmo e muito menos com a profissão. O exercício da comunicação se dá a partir da técnica e da paixão por fazê-lo. E como diria o psiquiatra e escritor Içami Tiba, “Quem ama, educa”. E quem ama a sua vocação deve se educar para fazê-la com perfeição.
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26 de Agosto de 2009 às 5:32 pm
Concordo com os jornalistas. Mas o que eles tem que ter bem claro e consistente é que o curso, mais do que nunca, não garantirá nada. O nível profissional deles, sim!
- Eu como irmão do Tiago, só tenho a agradecer o seu esforço e sua dedicação ao seu trabalho.-Mas que aprimeira vez que ele saiu p/ fotografar foi comico, há foi!!!!!!
- Hoje é só alegria!!!!!
Muito bom o texto!
Parabéns, Lorena!
Aliás, muito boa a matéria!
Iniciei neste semestre e estou encantada!
As fotos ficaram lindas!
É isso aí mesmo, concordo plenamente, quero trabalhar com pessoas preparadas. Daqui algum tempo quem tiver o diploma será bem mais valorizado… Isso é um absurdo, desde quando isso, agora quem tiver talento e vocação para ser médico, vai ser médico, quem tiver para ser advogado, vai ser advogado… Que país é esse? Para isso que o jornalismo serve, para denunciar, para se revoltar, para publicar, para que ninguém faça o povo de bobo, e eu tenho orgulho de ter escolhido esta profissão, para minha vida inteira! Não desistirei NUNCA, podem dizer que nunca realizarei meu sonho, que eu mostrarei que este NUNCA não existe! Por hoje é só… Hehe