Terça-feira, 07 de Fevereiro de 2012
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  • A grande lição

    Raquel Piegas
    Estagiária de Jornalismo

    Lembro do meu primeiro dia de aula. Um amontoado de crianças no pátio principal da creche Gente Miúda. Aquela que viria a ser a minha professora estava com um microfone, convocando os alunos do Jardim B a formarem uma fila. Naquela tarde de 1991, a bagunça era generalizada. Mas havia um olhar de respeito direcionado à professora Fátima, uma loirinha aparentemente frágil. Naquele ano letivo eu aprendi a brincar, a respeitar, a saber que o lanche não era só meu, tampouco o material escolar. Aprendi a conviver em sociedade e a respeitar a figura do professor. Carrego comigo esses ensinamentos até hoje.

    Dezoito anos depois, em uma manhã de domingo, abro a Zero Hora e deparo com uma reportagem que vai no sentido completamente contrário aos valores que aprendi quando tinha apenas quatro anos. Na matéria de Carlos Etchichury, intitulada “As marcas da violência na vida dos professores”, o relato de quatro educadoras que sofreram agressões físicas e morais por parte dos alunos e das mães dos mesmos. O caso mais chocante é o de uma professora que perdeu a visão do olho direito ao ser atingida por uma cadeira lançada por um aluno. Rejane Sanches encarava a sala de aula da 2ª série B – sim, o aluno era praticamente uma criança – com paixão. Foi com esse fervor que ela foi fazer o seu trabalho e voltou uma portadora de necessidades especiais. Hoje ela é uma professora incapaz de voltar a lecionar.

    Teoricamente, a sala de aula deveria preparar os alunos para viver em sociedade de forma harmoniosa. Mas o que concluímos ao ler uma reportagem com esse teor é que a “Selva de Pedra” não está somente do lado de fora. Ela é trazida para dentro das instituições de ensino da pior forma possível: através de agressões, de violência, e daquilo que é pior: o desrespeito pelo ser humano.

    Aquele sonho das meninas – que eu também já tive – de se tornarem professoras um dia, pode estar indo por água abaixo. Os culpados? Não saberemos ao certo. O que temos de concreto são os efeitos de uma sociedade cada vez mais violenta e desrespeitosa, em que nem mais a escola, outrora um templo sagrado, consegue escapar.

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    3 de Abril de 2009 às 5:09 pm

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