Lorena Risse e Felipe Fonseca
Estudantes de Jornalismo
De acordo com o jornalista Klester Cavalcanti, a morte tem sim. E um dos nomes é Júlio Santana, conforme conta no livro “O Nome da Morte – A história real de um matador de aluguel”.
O jornalista pernambucano falou sobre seu terceiro e mais recente livro, uma biografia do assassino que conheceu enquanto fazia uma reportagem para a Revista Veja sobre o trabalho escravo na Amazônia. A história nasceu quando Cavalcanti soube que os donos de terras contratavam matadores de aluguel para assassinar parentes de escravos fugidos.
Cavalcanti chegou até Julio através de um policial federal que trabalhava libertando os trabalhadores escravizados nas fazendas. Seus contatos aconteciam, desde 1999, por meio de um telefone público para o qual Cavalcanti ligava e conversava com Santana, que lhe contava suas histórias.
Com o tempo, o jornalista foi adquirindo a confiança do assassino e, em 2006, encontrou ele pessoalmente. Juntos, contabilizaram as 487 vítimas, todas anotadas de forma organizada, quase meticulosa, num caderno que trazia na capa o Pato Donald. As anotações descreviam o nome da vítima, nome do mandante e valor recebido. Somando as três mortes de antes de se tornar “profissional”, em 1971, e as duas pessoas que matou depois de se aposentar, em 2006, são 492 mortes.
O curioso foi descobrir quanto valiam as vidas que ele tirava. De acordo com a contagem de Klester os trabalhos eram pagos com quantias que não ultrapassavam 10 salários mínimos, ou seja, quatro mil reais.
Além da história, muito bem contada, o livro chama atenção pelo excelente trabalho de reportagem do ponto de vista técnico. E ainda faz uma denúncia da impunidade no nosso país. Não só para com os assassinos, mas também com os mandantes, também criminosos de fato.
A história de Cavalcanti foi contada na tarde de domingo, 09, no Memorial do Rio Grande do Sul. Mas o livro ainda pode ser encontrado na Feira e promete capítulos de muita adrenalina.
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11 de Novembro de 2008 às 5:49 pm