Anderson Passos
Ex-Aluno de Jornalismo
Permitam que, na condição de ex-aluno, que eu me manifeste e lhes diga um pouco do que vivencio hoje no que se refere ao tema candente da obrigatoriedade do diploma para o exercÃcio da profissão de jornalista.
Creio que a formação é benéfica para as instituições de ensino, para seus professores e seus alunos. Mas, ao que pude e posso perceber até agora, a minha formação “humanÃstica” em nada sensibiliza o mercado, que está pouco se importando com essa discussão, como o Lucas Barroso flagrou em seu texto. Afinal, não vamos cair na ingenuidade de acreditar que as empresas jornalÃsticas vão trocar um profissional de renome não diplomado a pretexto de que “o novato ali no canto tem diploma”. Para pintar um exemplo em cores vivas, faço uma provocadora pergunta. “O sujeito aà que está lendo acha mesmo que um Cacalo da vida vai perder seu espaço na RBS pelo fato de não ter um diploma”? Eu arranco um antebraço se isso acontecer!!! E, antes que algum gremista xiita me saia com desaforos, não estou aqui julgando o trabalho do sujeito. Estou apenas constatando e exemplificando.
Outro problema é que, se o mercado tem lá jornalistas de Ãndole duvidosa, não é um diploma que nos permite assegurar, infelizmente, que dos bancos das universidades pessoas de conduta semelhante não brotem aos borbotões. Os canalhas estão em todo lugar. Inclusive no jornalismo. Assim, creio que o diploma, infelizmente, tende a ser um diferencial apenas e jamais uma garantia de que o sujeito poderá exercer sua profissão dignamente.
Encerrando, não quero, apesar do discurso pessimista, desencorajar os estudantes de jornalismo e comunicação em geral a seguirem seu caminho na universidade. Muito pelo contrário. O intuito desse escrito é fazer um alerta de que o mercado jornalÃstico não é um “mundo de Marlboro”, para usar um jargão publicitário.
Assim, abuse da universidade, para a qual você paga muito caro, para usar a criatividade sem limites, estreite relações com profissionais que já estão no mercado. E estude muito. Informe-se, acompanhe todas as mÃdias e seus progressos técnicos e de conteúdo, faça cursos voltados aos segmentos em que almeja atuar no futuro. Leia tudo o que lhe cair nas mãos. É isso que vai diferenciá-los. Nesse contexto, o diploma é apenas uma folha de papel, eventualmente emoldurada, da qual se tira o pó de vez em quando.
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8 de abril de 2009 às 4:05 pm
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Anderson,
Muito oportuno seu texto. É sempre bom ler coisas de quem é jornalista. Ouvir/ler relatos de quem vive a profissão é sempre valido.
Depois de lê-lo conversei com um jornalista experiente. E cheguei a mais umas idéias. Vê o que você acha.
Penso que seria interessante se o diploma fosse o primeiro pré-requisito para qualquer profissional que pretende trabalhar a informação. Também creio que a obrigatoriedade traria uma regulamentação maior a profissão, como piso salarial (só para ficar num exemplo).
Em relação a qualificação profissional, se o sujeito é bom ou não, acho que o mercado ficará (sempre) a cargo disso. A discussão da obrigatoriedade do diploma não deve ir por esse caminho.
A acadêmia e todo seu ambiente ajudam e muito na construção do profissional, não só para o mercado, mas para a vida.
Disso alguém discorda? Creio que não.
Anderson,
faltou a educação no final…
Abraço!
Olá Lucas, grato pelo teu depoimento. Na teoria eu concordo que o diploma deveria ser o pré-requisito ou diferencial na busca por um espaço de trabalho. Seria o justo em favor de quem ralou anos numa instituição de ensino. O problema é que o mercado não se permite a quimeras. Na prática, o meu texto procura evidenciar que ele (o mercado) ignora o diploma, num flagrante de quem nem sempre ele é justo. E que dele, justiça é a última coisa a se esperar.
Outro ponto a se registrar é que vinga na classe algo como “primeiro o meu”, em relação a salários, por exemplo. Esse sintoma ficou mais grave com a tão falada crise econômica mundial. Aqui em São Paulo, onde estou, por exemplo, dezenas, se não uma centena de redações de menor porte fecharam suas portas. Todos os jornais, grandes e pequenos, passaram por drásticas reduções de pessoal. Muita gente na rua e na batalha. E muitos canalhas em lugar indevido. Em suma, mais do que os atributos já citados em meu texto, é preciso se preparar para ter estômago de avestruz para engolir tanto batráquio muito acima do peso normal. Abraços e parabéns pelos teus escritos.