Lorena Risse
Estagiária de Jornalismo
No cosmos o som de Roberta Sá. O cenário era composto por um jardim florido, cheio de tulipas, camélias e rosas que exalavam o cheiro de domingo.
Muros cobertos por galhos e folhas minúsculas que juntas formavam uma grande cortina verde. Uma fonte de água para purificar as energias, um chão coberto por um tapete de folhas secas, um céu avermelhado… O sol estava indo embora. E bem no centro do altar a maior e mais bela das flores…
Ela estava de vestido florido, cabelos soltos e com as maçãs rosadas. Os pés estavam descalços, os olhos marcados pelo preto dos cÃlios compriiiiidos, as mãos estavam fincadas na corda do balanço que a levava de cá para acolá…
O calor do fim de tarde a fizera suar, a pele branca estava polvilhada de lágrimas corporais, os lábios estavam encarnados graças ao batom carmim que ela achara vasculhando a gaveta da mãe…
Ela esperava por alguém que viria quando os pássaros levantassem vôo…
Quando a hora era chegada, ele apareceu, malemolente e com um sorriso aberto. Com um chapéu de palha, calça clara e com os ombros à mostra. Nas mãos morenas levava um violão amarelado pelo tempo e atrás da orelha uma orquÃdea branca para presentear sua prenda.
Ao chegar perto dela deu o primeiro acorde para anunciar que queria ouvir a graça da sua doce voz. Como menina tÃmida, ela franziu o nariz e respirou fundo para não desentoar…
Largou as cordas do balanço e tocou o chão com uma sutileza de rainha. Recebeu a flor e a abraçou por entre os braços. Sentiu o farfalhar da folhas e a presença do vento por entre suas madeixas negras e lisas.
E como um costumeiro domingo ela entabulou uma cantoria inócua que tocou o plácido rosto dele, fazendo surgir do meio da menina dos seus olhos uma gota de felicidade que com o reflexo dos últimos raios solares se tornou grená…
Dança, suspiros, suor, calor, si, pandeiro, ré, cabelos entre os dedos, dó, escalas de vermelho, fá, beijos, abraços…
A partir de então os dois, ele e ela, prometeram cantar todos os domingos naquele mesmo jardim sereno, o jardim da prenda e seu tocador de viola.
Nenhum post relacionado.
7 de Abril de 2009 às 7:00 pm
Adorei o texto, Lorena.
Em minha mente houve uma colisão de uma imagem pura com a intensidade das ações (e emoções) dos personagens.
Só não gostei muito do uso repetido das reticências. Isso deixou o enredo meio vago, com a impressão que algo ficou faltando.
Bem, em compensação a descrição está boa. Linda linda…
Bah, como dizem os gaúchos, o boto-cor-de-rosa assumiu outra versão nas terras da bombacha rssss. Valeu!
Pai