Terça-feira, 07 de Fevereiro de 2012
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    Raquel Piegas
    Estagiária de Jornalismo

    Pelo que estou procurando ao acordar e assistir pela janela a mais uma aurora? Quem sabe pelo abraço daquela pessoa ao meu lado na cama, ou ainda por forças que me façam levantar e encarar o dia atribulado que me espera lá fora.

    Toda manhã é um exercício de reflexão para mim. Costumo acordar por volta das 8 horas. Reviro-me entre os lençóis, releio mensagens de texto que me confortam ou algum livro – geralmente de Clarice Lispector – que esteja sobre o travesseiro, ocupando o lugar de quem não está lá. Penso em minha vida e nas minhas aspirações como mulher, como jornalista, como ser humano. Indago-me acerca de tudo o que já fiz e o que ainda terei de fazer. Chego à conclusão de que vivo em eterna busca.

    Pelo que estou procurando? Pelo tempo de ser feliz e de viver por completo, porque não se vive aos poucos. Não se esmola viver nem se pede licença para ser. Não existimos por favores nem somos obrigados a aqui ficar. Aos que não querem mais, adeus, boa sorte.

    Aos que ficam, saibam que viver é apossar-se dos segundos, fazer amor com os dias, dar significado à existência. Vagar por essa terra é rasgar-se por dentro e oferecer o corpo aos arranhões que os espinhos do medo nos causam. Vibrar na voltagem do imensurável, morder a língua com os dentes da insanidade, enfiar-se para dentro de si todas as manhãs, porque quando se vive, não se preserva: se flagela.

    Há riscos, não há área segura para quem mete a cara no mundo e encara o monstro que fica embaixo da cama. Não há prudência que assegure uma vivência compensadora, porque existir com um pé atrás é apenas ocupar espaço nesse mundo. Porque a vida, meus caros, faz o que bem entende, faz de nós marionetes e nos coloca em frente a todas as situações imagináveis, chega e demanda uma posição. Não há espaço para inertes. Não há espaço para quem busca incessantemente a felicidade sem mexer um músculo.

    Há espaço para quem dá a cara a tapa. Pra quem coloca todas as cartas na mesa, pra quem quer quebrar a banca, mesmo sem um tostão no bolso. Estar vivo é não ter medo de se perder no que não tem mapa para nos guiar. É assim que travo a procura pelo que quero. Perdendo-me a cada dia para mais tarde me encontrar da maneira mais intensa, do modo mais estimulante.

    Porque a vida… bem, ela não nos dará respostas gratuitas e prontas. Ela só exige. Exijamos dela, também.

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    14 de Maio de 2009 às 6:32 pm

    3 Comentários para “A procura”

    1. Fabio diz:

      Bem, acabei virando teu leitor.

      Muito bom, de novo…

      “Há espaço para quem dá a cara a tapa.”

      espetacular a passagem…

    2. Ana Paula Figueiredo diz:

      Parabéns Raquel!
      Os teus textos sempre me servem de reflexão.
      O jeito como escreves consegue prender a atenção do leitor até o fim.

    3. Juliana de Brito diz:

      Um pedaço do que é a vida está contido neste texto. E não é fácil montar este quebra-cabeça e admirá-lo de uma forma tão clara como tu fizeste.

      Inspirador, Raquel. Parabéns.

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