Luiza Carravetta
Professora da área de TV do curso de Jornalismo da Unisinos
Certa vez, numa dessas conversas despretensiosas, onde o assunto predominante constituÃa-se no cuidado com o lar, empregadas e crianças, alguém perguntou: “o que é que a tua mãe faz?”. Uma participante do grupo, rapidamente respondeu: “a minha mãe é uma anônima”. A palavra anônima pretendia definir a dona de casa, a esposa e a mãe, que não tinha nenhuma função outra a não ser o lar.
Na oportunidade, a conversa acabara sem nenhuma profundidade, assim como havia começado. Entretanto, a palavra anônima martelava na minha cabeça e eu imaginava como seria viver, se não existissem as mulheres, então definidas como tal.
Estamos no mês de maio, mês em que se comemora o dia das mães. Nos meios de comunicação, surgirão reportagens, principalmente mostrando mães que se destacam nos mais variados setores sociais. E eis que me volta à mente a palavra anônima. Sei que as mães anônimas também serão lembradas pelos seus filhos, embora não ocupem nenhuma função que, aparentemente, mereça destaque.
Fico pensando nas anônimas. Não consigo imaginar o mundo sem elas. Vejo-as como as formigas de carreiro, como as abelhas operárias de uma colméia, como peça secundária, mas indispensável de uma engrenagem. E sem nenhum alarde, lá estão elas, na sua função diária, repetitiva, sem domingos e feriados, sem salário e sem férias, sem nada a reclamar.
Meu pensamento volta-se para a minha mãe, também uma anônima. Então, lembro-me do Pequeno PrÃncipe que, em meio a tantas mil rosas, tinha uma que era especial, pois era a dele, pois era ele quem dela se ocupava, regando-a e protegendo-a do vento com a redoma. Recordo-me da minha mãe, da minha Maria, sempre com um sorriso nos lábios, solÃcita, disponÃvel, sempre com uma palavra amiga, tudo fazendo, sem nada pedir em troca. Reconheço a grande importância que ela teve na minha formação pessoal e profissional. Valorizo a sua disponibilidade para o lar, para o marido e para os filhos. E mais uma vez me pergunto, o que seria de mim sem ela, o que seria do mundo sem elas, sem as mães anônimas.
Obrigada mães anônimas, obrigada Maria Carravetta, minha anônima especial, pela contribuição na formação do ser humano e na construção do mundo.
Mães anônimas, tenham a certeza de que para nós, seus filhos, suas vidas têm o maior significado e seus nomes estão assinados, não em jornais e revistas, mas no livro mais importante – o livro do coração, cheio de carinho e muito amor.
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8 de maio de 2009 às 4:06 pm
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Excelente texto com a costumeira sensibilidade da nossa LuÃza Carravetta. Besos e saudades
Que lindo!
Meus olhos se encheram de lágrimas ao término do texto…!
Lindo mesmo!
Há mulheres que nascem para serem mães. Creio que sou uma delas. Quero desempenhar para meus futuros filhos o mesmo papel importante que a minha mãe tem para mim. A coragem, o caráter e a beleza da minha anônima me acompanham e irão me acompanhar para o resto da minha vida.
BelÃssimo texto, Luiza!