Sexta-feira, 30 de Julho de 2010
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As anônimas

Luiza Carravetta
Professora da área de TV do curso de Jornalismo da Unisinos

Certa vez, numa dessas conversas despretensiosas, onde o assunto predominante constituía-se no cuidado com o lar, empregadas e crianças, alguém perguntou: “o que é que a tua mãe faz?”. Uma participante do grupo, rapidamente respondeu: “a minha mãe é uma anônima”. A palavra anônima pretendia definir a dona de casa, a esposa e a mãe, que não tinha nenhuma função outra a não ser o lar.

Na oportunidade, a conversa acabara sem nenhuma profundidade, assim como havia começado. Entretanto, a palavra anônima martelava na minha cabeça e eu imaginava como seria viver, se não existissem as mulheres, então definidas como tal.

Estamos no mês de maio, mês em que se comemora o dia das mães. Nos meios de comunicação, surgirão reportagens, principalmente mostrando mães que se destacam nos mais variados setores sociais. E eis que me volta à mente a palavra anônima. Sei que as mães anônimas também serão lembradas pelos seus filhos, embora não ocupem nenhuma função que, aparentemente, mereça destaque.

Fico pensando nas anônimas. Não consigo imaginar o mundo sem elas. Vejo-as como as formigas de carreiro, como as abelhas operárias de uma colméia, como peça secundária, mas indispensável de uma engrenagem. E sem nenhum alarde, lá estão elas, na sua função diária, repetitiva, sem domingos e feriados, sem salário e sem férias, sem nada a reclamar.

Meu pensamento volta-se para a minha mãe, também uma anônima. Então, lembro-me do Pequeno Príncipe que, em meio a tantas mil rosas, tinha uma que era especial, pois era a dele, pois era ele quem dela se ocupava, regando-a e protegendo-a do vento com a redoma. Recordo-me da minha mãe, da minha Maria, sempre com um sorriso nos lábios, solícita, disponível, sempre com uma palavra amiga, tudo fazendo, sem nada pedir em troca. Reconheço a grande importância que ela teve na minha formação pessoal e profissional. Valorizo a sua disponibilidade para o lar, para o marido e para os filhos. E mais uma vez me pergunto, o que seria de mim sem ela, o que seria do mundo sem elas, sem as mães anônimas.

Obrigada mães anônimas, obrigada Maria Carravetta, minha anônima especial, pela contribuição na formação do ser humano e na construção do mundo.
Mães anônimas, tenham a certeza de que para nós, seus filhos, suas vidas têm o maior significado e seus nomes estão assinados, não em jornais e revistas, mas no livro mais importante – o livro do coração, cheio de carinho e muito amor.

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8 de maio de 2009 às 4:06 pm

3 Comentários para “As anônimas”

  1. Anderson Passos disse:

    Excelente texto com a costumeira sensibilidade da nossa Luíza Carravetta. Besos e saudades

  2. Lorena Risse disse:

    Que lindo!
    Meus olhos se encheram de lágrimas ao término do texto…!

    Lindo mesmo!

  3. Raquel disse:

    Há mulheres que nascem para serem mães. Creio que sou uma delas. Quero desempenhar para meus futuros filhos o mesmo papel importante que a minha mãe tem para mim. A coragem, o caráter e a beleza da minha anônima me acompanham e irão me acompanhar para o resto da minha vida.

    Belíssimo texto, Luiza!

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