Marcelo Grisa
Estagiário de Jornalismo
A reportagem a seguir é a segunda da série especial sobre os coordenadores dos cursos de Comunicação Social da Unisinos que o Portal3 preparou para você. O primeiro perfil foi com o professor-conselheiro Everton Cardoso. Conheça agora o professor Edelberto Behs, coordenador do Curso de Jornalismo.
O professor Edelberto Behs esperava a reportagem do Portal3 em sua sala. Nos dias de reuniões e definições antes do começo de um novo semestre, o coordenador do curso de Jornalismo da Unisinos parecia tranquilo. A paz aparente pode ser fruto da experiência no cargo de coordenador – Behs está à frente do curso desde 2003.
Nascido em Lajeado em 1949, Behs viveu sua infância e adolescência em Estrela. Lá, cursou o Ensino Fundamental e o Ensino Médio, e começava a pensar na carreira profissional. “Eu queria trabalhar numa área que envolvesse a criatividadeâ€, lembra. Após começar Arquitetura – estudou dois semestres na UFRGS –, resolveu trocar para Jornalismo, curso que fez na PUCRS. Ao mesmo tempo, também cursou Teologia na Unisinos.
A interação entre as duas áreas de conhecimento sempre foi clara para o coordenador, que percebe pontos de contato entre teologia e jornalismo. “O profetismo tem um papel muito semelhante ao que a gente faz jornalisticamente. Nos dias atuais, provavelmente um profeta denunciaria a corrupção, esquadrões da morte e outras injustiçasâ€, apontou.
Behs procurou aliar teologia e jornalismo também no campo profissional, se tornando, à época, o primeiro jornalista a trabalhar no jornal da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB), veÃculo no qual teve orgulho de participar. “Não era um jornal de expressão nacional, mas fizemos grandes matérias por láâ€, avalia. Segundo Behs, havia mais liberdade para desenvolver o texto na publicação, além de ter a oportunidade de cobrir pautas que o levaram a conhecer vários lugares dentro e fora do paÃs.
Algumas dessas histórias são lembradas com carinho pelo coordenador. Uma delas aconteceu na 8ª Convenção do Conselho Mundial de Igrejas, em Arari, no Zimbábue, em 1998. Em meio a um auditório lotado, na universidade local, Nelson Mandela fez uma visita surpresa. A aparição do lÃder sul-africano era um agradecimento pessoal à ajuda do Conselho em uma campanha para que a empresa Shell deixasse de fornecer combustÃvel ao governo de minoria branca dos boers durante o apartheid. “Ele levou 20 minutos para chegar até a mesa, pois fazia questão de cumprimentar grande parte do público. Logo depois da sua fala, foi até o coral que se apresentaria e cantou e dançou junto com eles, apesar das suas dificuldades de locomoção.â€
Outra viagem inesquecÃvel ocorreu em território nacional: Behs acompanhou, durante cinco dias, uma missão da IECLB em uma distante tribo amazônica. Depois de dois dias e meio de viagem desde Rio Branco, capital do Estado do Acre, o então repórter diz ter visto coisas que, apesar de parecerem simples, eram incrÃveis. “Bandos de garças, araras, e o verdadeiro céu estrelado, num lugar que não tem a presença da luz elétrica. Visões maravilhosas.â€
Além do trabalho no jornal luterano, Behs sempre procurou ter experiências fora da igreja, vontade que o levava constantemente a ter dois empregos. “Eu era irriquietoâ€, lembra o professor. Behs trabalhou na Folha da Manhã, levado por Christa Berger, hoje também professora de Comunicação da Unisinos. Além disso, escreveu para a Folha da Tarde, fez parte da sucursal do Jornal do Brasil em Porto Alegre – sua última matéria para o jornal foi a recepção do time do Grêmio após a vitória do Mundial de Clubes, em 1983 – e contribuiu para as equipes da Gazeta Mercantil e do Diário do Sul.
Edelberto Behs tem mestrado em História (UFSC), e, antes de se tornar coordenador do curso de Jornalismo na Unisinos, também foi coordenador durante a implantação da faculdade de Jornalismo no colégio da rede Sinodal em Joinvile (SC), de 1998 à 2002. Sua esposa, Anelise, é professora aposentada. O casal tem dois filhos: Mateus e Micael.
Sobre a coordenação
Atualmente, o professor tem um novo desafio na coordenação: auxiliar na implantação do curso de Jornalismo da Unisinos em Porto Alegre. Com essa nova atividade, terá que atuar simultaneamente como coordenador nas duas sedes (Capital e São Leopoldo).
Edelberto Behs acredita que os alunos têm medo de se aproximar da figura do coordenador. “Estamos aqui para receber a todos e para auxiliar no que for necessário. Mas as pessoas geralmente só aparecem quando os problemas estouramâ€, disse. Ele reforça que, o quanto antes os estudantes pedirem ajuda nos problemas mais comuns – como quebra de pré-requisitos para disciplinas acadêmicas, por exemplo –, mais fácil e rápido suas necessidades serão atendidas. “Tentamos fazer esse meio de campo entre o aluno e o curso, e, algumas vezes, prever possÃveis problemas que podem ser comuns a todos. Infelizmente, nem sempre é possÃvel esse movimento preventivoâ€, lamenta Behs.
O professor classifica que o trabalho da coordenação anda no sentido de fazer o curso evoluir, o que leva a resultados nem sempre imediatos. “Não é possÃvel tirar professor no meio do semestre, por exemplo.†Também é função do coordenador iniciar e gerir as reformas do currÃculo do curso. Behs disse ser essencial ouvir os alunos e agir de acordo. “Já ouvimos estudantes de diferentes formas, mas nunca os excluÃmos do processo de reformulação das grades curriculares.â€
É possÃvel falar com o coordenador do curso de Jornalismo, professor Edelberto Behs, via email – edelbertob@unisinos.br – ou pelo telefone 3590-8130. O professor também atende presencialmente na sala 3A219.


