Alunos batem papo com o jornalista Nilson Mariano
Lucas Araldi
Estagiário de Jornalismo
Quatro turmas esperavam atentas Nilson Mariano tomar a palavra. Os alunos queriam respostas, queriam questioná-lo. Interessava saber sobre seu método de trabalho, curiosidades sobre o dia a dia da redação. No auditório lotado, estudantes curiosos queriam saber tudo sobre a Operação Condor, sobre a emoção de viajar longe por uma pauta.
O jornalista Nilson Mariano foi o convidado especial da aula de terça-feira, 3, da disciplina de Introdução ao Jornalismo. O evento ocorreu no Auditório Erico Verissimo, a partir das 19h30min. Cercado por alunos iniciantes no curso de Jornalismo, o Mariano discutiu assuntos variados com a plateia.
Leitura
Repórter do jornal Zero Hora há 13 anos, Nilson Mariano enfatizou mais de uma vez o principal verbo que, para ele, um jornalista precisa saber: ler. “Mas não uma leitura dinâmica. É preciso anotar palavras desconhecidas, enriquecer o próprio vocabulário, que é a nossa principal ferramentaâ€, disse o jornalista. “Principalmente entender bem o que se gosta, procurar se informar mais sobre um assunto.â€
Mariano citou nomes como Truman Capote, John Hersey, Charles Dickens para explicar as principais referências na sua formação. “Truman Capote era um jornalista que não anotava. É um método de trabalho inverso do meu. Eu gosto de anotar, e anotar muitoâ€, explica.
Condor
Mariano deu detalhes da investigação jornalÃstica que fez sobre a Operação Condor, uma mega ação dos governos militares da América do Sul ocorrida nos anos 70. O trabalho de Mariano rendeu várias reportagens que, na época, repercutiram fortemente. “É muito importante aproveitar as chancesâ€, disse o jornalista ao contar como tudo começou.
A investigação foi consequência de uma viagem ao Paraguai que Mariano fez para cobrir as eleições presidenciais daquele paÃs. O fato de estarem abrindo arquivos secretos da época da ditadura naquele momento o fez se desligar do objetivo principal da sua viagem. “Depois de muita pesquisa, propus uma pauta sobre o envolvimento das ditaduras, que foi bem recebida pelos editores da Zero Hora. Foi aà que começouâ€, explica.
Ética
Em uma pergunta de uma aluna sobre ética, Mariano não titubeou: “Isso seria assunto para a noite inteiraâ€. O jornalista deixou bem clara sua posição contrária à ocultação da identidade para conseguir uma informação. “Mas não critico quem faz isso.â€
Mariano ainda se divertiu quando falou sobre a “velha guarda†do jornalismo. “Se vocês fossem usar uma máquina de escrever hoje, correriam o risco de por os dedos no meio das teclasâ€, brincou Mariano. Ele aproveitou o assunto para ressaltar a importância da internet e como ela tem facilitado o trabalho jornalÃstico pela rapidez da informação. “Ao mesmo tempo, não podemos ser dependentes dela, pois a notÃcia está na ruaâ€, ensina Mariano.