Natacha Kötz
Estagiária de Jornalismo
Quando eu era criança, sempre via meus coleguinhas brincando com os seus Tamagotchis. Embora eu tivesse preferência por aqueles brinquedos que a infância de hoje desconhece (como patins, pião, Playmobil, Mercadinho Elka, Mola Maluca, Pogobol, massinha de modelar), o fato de ter um bichinho virtual aguçou minha curiosidade.

O famoso Tamagotchi, febre nos anos 90
“Não vai durar dois minutos nas tuas mãos”, disse minha mãe. Com a resposta negativa sobre ter um, decidi juntar um dinheiro que ganhava quinzenalmente para comprar o meu próprio bichinho. Nunca me esqueço do dia em que juntei os 30 reais e pedi ao meu pai que me levasse até uma loja de brinquedos para que eu adquirisse o meu.
Depois de dois ou três dias alimentando e dando banho no animalzinho, o brinquedo japonês decidiu não ligar mais. Fui até a garagem, onde meu pai guardava as ferramentas, e abri o coitadinho com uma chave de fenda. Não deu outra! Não consegui fechar, perdi uns dois parafusos e pisei em cima da tela. Minha mãe tinha razão. Embora tenha durado um pouco mais de dois minutos, não valeu os 30 reais investidos. Poderia ter comprado 30 gibis da Turma da Mônica que, na época, eram vendidos por um real.
Mais tarde, quis comprar uma calça xadrez, que era moda na década de 90. Obviamente minha mãe disse que era dinheiro jogado fora. “Tu não vais usar essa calça. Nem tem roupas que combinem com ela”. Como sempre gostei de desafios, acabei comprando a tal calça. É claro que nunca usei. Afinal, não tinha roupas que combinassem com ela.

A Mafalda também recebe conselhos da mãe
E assim foi minha infância e adolescência. Hoje, já não preciso mais de opinião pra comprar (quase) nada. Mas minha mãe continua opinando. Ela opina sobre homens, amigas, atitudes, empregos e bagunça. “Olha pra ele! Esse cara não presta!”, aconselhava. “Capaz, mãe… Ele é um santo”, eu retrucava. E adivinhem só! O cara era mesmo um cafajeste.
Certa vez, apresentei uma amiga pra ela. “Essa guria não vale nada. Presta atenção nela!”. E não é que era verdade? “Amizade entre mulheres não existe, minha filha”, completou. Hoje, fico chocada com o número de pesquisas e pessoas que comprovam que a amizade entre mulheres não existe mesmo. Mulher é competitiva, mulher fala demais, mulher não guarda segredo. Embora meu relacionamento com homens sempre tenha sido mais fácil, não sei se concordo totalmente com isso. Homem é leal e fiel a uma amizade. Defende o amigo até a morte. Homem não tem necessidade de passar informações adiante. Homem não quer estar melhor vestido e nem ter um par de sapatos melhor do que a gente. Mulheres nem sempre sabem ser amigas. Quem sabe daqui a algum tempo a teoria materna não se comprove mais uma vez?
Infelizmente, a amizade não é como um Tamagotchi. A gente compra, quebra, mas logo em seguida aparece outro brinquedo para substituir. Amizade é papo sério. Amigos são irmãos que a vida não nos deu.
Espero um dia poder provar que nem sempre minha mãe tinha razão.
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21 de outubro de 2009 às 4:11 pm
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amiga de verdade só mãe.
gostei muito do texto!
Aha, viu como mamãe tem sempre razão. Já falou isso prá ela. Beijão.
meu tamagotchi durou mais dava pra resetar e tal… amizade não da mas… algumas amizades se formam em cima de inimigos em comum néan? hahaha
E no mais homens também se traem só que eles não repassam eles não contam pros outros, porque tem vergonha de admitir que foram passados pra trás. Mulheres são fiéis repassam quando a amiga trai, se possível neh, pra que outras mulheres do bem possam chama-las de vadia e não sejam enganadas pela … vadia! hahaha
Tem seu lado bom mas… a amizade feminina fica mal vista.
beijos pirinaty!
Vim prestigiar a colega de criatividade estratégica. Belo texto.
Ao ler o início, me levou a relembrar uma musica da “saudosa” Maria do Relento… “bem que minha mãe avisou, para eu tomar cuidado…” Macumba, o nome, se nao me engano..
E o pior, que tambem tive um bicho desses ai – sei que nao te conforta, mas o meu nao durou nada tbm….
heheh