Terça-feira, 18 de Junho de 2013
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  • Cartunista, profissão: jornalista

    Paola Oliveira
    Estagiário de Jornalismo

    Quando faz check-in em um hotel, o cartunista Arnaldo Angeli Filho, o Angeli, nunca preenche na ficha algo como cartunista, chargista ou quadrinista. No item “profissão”, é outra coisa que ele escreve: jornalista.

    “Tenho olhar de jornalista, de trazer pro meu trabalho o que está acontecendo”, justificou Angeli em entrevista ao jornalista Fabio Victor para a Folha de S. Paulo. A matéria tratava da oficina que Angeli e Laerte Coutinho, o Laerte, darão em julho na 10ª Feira Literária Internacional de Paraty. Cartunista e quadrinista da Folha de S. Paulo, Angeli, 55 anos, é criador dos personagens Rê Bordosa, Wood & Stock e Bob Cuspe, entre outros.

    “A nossa profissão não existe legalmente, existe na prática, e muitas vezes é desvalorizada”, confirma o também cartunista Neltair Abreu, o Santiago. “Por ser registrado no Sindicato dos Jornalistas do Rio Grande do Sul como jornalista ilustrador, é assim que me defino, ou só como jornalista.

    Santiago já trabalhou em jornais como O Pasquim, O Estado de S. Paulo, Folha de S. Paulo, e nos locais Coojornal, Folha da Manhã e Correio do Povo, além de ter ganhado 20 vezes o Prêmio Ari de Jornalismo. Em entrevista ao Portal3, o artista gaúcho de 62 anos argumenta que, por ser geralmente diária, contendo os assuntos do momento, a charge é, sim, uma forma de jornalismo.

    O premiado jornalista ilustrador conta que, quando trabalhava em redação, ficava junto à editoria de Opinião. “A charge não é um jornalismo informativo, ela é uma crônica jornalística”, compara. “Às vezes, é até mais enfática do que algumas crônicas escritas, porque contém humor. Como define o próprio Jaguar, ‘Não existe humor a favor’.”

    A charge, segundo ele, assim como uma opinião escrita ou falada, precisa que o leitor esteja minimamente informado sobre o que está acontecendo de importante: “Uma pessoa que não se informa não consegue entender a charge”.

    Moacir Guterres, o Moa, 50 anos, jornalista, chargista e ilustrador que teve seus desenhos em publicações como a revista Aplauso, O Pasquim e Zero Hora, fica em dúvida quanto a enquadrar a charge e a ilustração em uma categoria do jornalismo. Ele avalia que elas têm como ponto de partida a atividade jornalística, fazem comentários a partir de coisas que estão na mídia, mas são uma coisa muito diferenciada: “Não consigo imaginar que isso seja uma atividade do jornalismo”.

    Um de seus argumentos é, justamente, de que há muitos chargistas que não são formados em Jornalismo. Graduado pela Famecos/PUC, Moa defende o diploma para o exercício da profissão: “A pessoa tem que passar por toda uma prática, por todo um período em que vai amadurecer”. Se fossem consideradas jornalismo, a charge e a ilustração também exigiriam formação acadêmica na área. “Tenho essa dúvida”, diz Moa. “Não consigo imaginar a exigência do diploma jornalístico para se fazer charge.”

    Ele conta que até usa em suas charges o que aprendeu na faculdade de jornalismo, mas lembra que não foi ensinado na academia a fazer charge ou cartum. “A charge tem uma linguagem diferente do que aprendemos que é jornalismo: a charge é uma crônica, ela entra totalmente nessa área da opinião; é o seu ponto de vista, sua opinião do mundo em relação aos assuntos que estão aí”, explica. “Além disso, a charge abarca uma outra atividade da comunicação, que é o desenho, essa coisa relacionada à arte.”

    Moa é de opinião de que seria interessante haver uma cadeira que tratasse de ilustração jornalística nas universidades: “No sentido de formar editores, que são pessoas que trabalham com o ilustrador e muitas vezes não têm um preparo para lidar com isso. Agora, quanto a ter uma cadeira especifica que forme chargistas, não sei…”.

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    15 de Junho de 2012 às 5:30 pm

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