Portal3 » Colaboradores
André Argemi
Estudante de Publicidade e Propaganda
Não tive tempo para escrever tudo o que penso sobre este episódio. Mas não quero me postar à margem do que, espero, seja uma das ondas mais positivas a sacudir os oceanos da Internet desde o surgimento da própria Internet para nós brasileiros. Por isso, comecei assim, de pronto, sem muita racionalização. Contudo, evitando ‘os calores’ do debate, o envolvimento com esta ou aquela ideologia e etc.
O ato de Dunga vai além do futebol e talvez nem ele saiba disso. Embora eu queira muito descobrir o contrário e construir, posteriormente, uma admiração ainda maior por ele. Sem panfletos de “fora Globo” ou “Globo mente” (e por aí vai), penso que você e eu poderíamos nos deter a um fato que tem as qualidades necessárias para ser referenciado em qualquer debate cujo tema seja o regime de concessões públicas para a operação de emissoras de rádio e televisão no Brasil. Um questionamento sobre o que é feito com um bem oferecido gratuitamente pela sociedade brasileira aos grupos de comunicação e sua contrapartida no sentido de nos oferecer um produto comunicacional que atenda as demandas de um país como o nosso, que melhorou muito, mas ainda não está equilibrado.
Emprestamos dinheiro, mas uma parcela significativa do nosso povo não sabe ler nem escrever. Temos cientistas de ponta, mas também esgotos a céu aberto. Temos tudo, mas ao mesmo tempo parece termos quase nada do que realmente comprovaria nossa dignidade social.
Televisões e rádios são instrumentos poderosíssimos. Transcendem obstáculos naturais, geografias dificultosas e dificuldades financeiras. Estão cada vez mais baratos e, também por isso, na maioria das moradias do Brasil, diante da maioria das pessoas que aqui vivem. Enfim, são a porta aberta a convidar qualquer profissional da Comunicação a entrar. Olhos e ouvidos atentos, reverentes e crédulos.
O convite é aceito. Eles entram mas levam consigo nada diferente do entretenimento barato, da construção de um cotidiano violento, pessimista e sem amor. Quando partem no sentido oposto, são piegas como o pior dos livros de auto-ajuda. Não ensinam a pensar, moldam pensamentos. Há exceções, mas poucos assistem e poucos patrocinadores se dispõem a investir.
Não acredito e não vejo verdade no que diz este profissional, neste vídeo. Não acredito que o mundo em que vivo é unicamente este, apresentado todos os dias pela emissora em que ele trabalha e por outras também. Penso que Dunga está a provocar algo muito maior que o futebol. Muito mais valioso do que este conceito de esporte ligado à nova religião do consumo. Não perdendo o trocadilho boleiro: Dunga deu apenas o pontapé inicial.
Sociedade de massa, comunicação de massa e poucos indivíduos, pouca diversidade. Defendo e procuro proteger o valor da diferença de opinião. Entendo que não há verdade única a não ser o amor. Mas também resguardo o direito que tenho, como cidadão brasileiro, a querer algo melhor no uso daquilo que é meu.
Ao menos, gostaria que pleiteássemos um debate em torno deste tema: a concessão de espaços públicos para a exploração de rádio e televisão. Porque, até agora, de público me parece haver nada.
Dunga é nada mais que um brasileiro, assim como o somos. Você e eu.
28 de Junho de 2010 às 4:55 pm
Aline vaz
Estudante de Jornalismo
Participar de uma oficina que oferece a nós, alunos, uma oportunidade de aprender a realizar gravações de um programa de rádio, vídeo para TV ou participar de pautas e redigir noticias para o Portal3 é de extrema importância. Por isso, parabenizo a iniciativa da agexCOM em abrir espaço para que outros alunos também aproveitem essa oportunidade.
Participei da oficina nos três dias propostos, passando por redação, rádio e vídeo. A recepção foi calorosa, a atenção para com os alunos esteve sempre presente, e o clima entre os colegas foi, sem dúvida, contagiante. Tudo isso sem deixar de lado o trabalho sério, bastante expressivo na agência.
A semana foi muito interessante e o aprendizado foi mútuo. Eu, como aluna ainda no início do curso, e os estagiários, que me ensinaram várias técnicas – dando dicas muito importantes e, claro, trocando idéias comigo –, desfrutamos muito dessa experiência.
Espero que essa oficina aconteça outras vezes e convido meus colegas a participar, porque vale a pena.
11 de Junho de 2010 às 7:06 pm
Luiza Carravetta
Jornalista, professora da Unisinos
Aproxima-se mais um “Dia das Mães”. Com os apelos frenéticos do comércio, é impossível passar incólume pela data. Entre super ofertas, encontram-se roupas, sapatos, perfumaria, utilidades e “inutilidades domésticas” (aquelas que só ocupam espaço e que nunca são usadas). Além disso, muitos brindes, como sorteio de viagem, passeios inesquecíveis, carros e outros tantos mimos são disponibilizados para atrair filhos, preocupados em homenagear as mães, comprando presentes e podendo, ainda, agraciá-las com a participação em sorteios.
E é neste clima, em meio a muitas compras e a pacotes multicores, que fico pensando no verdadeiro sentido do dia a dia das mães. Ao invés de coisas materiais, como seria bom o aconchego do abraço, o olhar de cumplicidade, o divertir-se com as alegrias cotidianas, a conversa ao pé do ouvido, os conselhos, as broncas, as concordâncias e discordâncias no bate-papo, a partilha, conseguida nas refeições.
Mas há, também, as lembranças e relembranças das mães saudade. Se, fisicamente, elas não estão mais aqui, as suas marcas são fortes e indeléveis nos corações de seus filhos, pois mães nunca morrem, somente mudam de dimensão.
No diálogo do silêncio, a voz é audível, pois se escuta a voz de mãe, quando se quer, podendo usufruir de todas as suas inflexões e nuances e até escolher os seus melhores momentos. Daí advém as orientações, as direções, os caminhos a seguir.
Na memória olfativa, há o cheiro inconfundível de mãe, com aquele perfume exalando na proximidade do corpo ou ocupando espaços. Há também aqueles aromas de cozinha, do macarrão de domingo, dos bolinhos de chuva ou mesmo da carne de panela ou do bife, empestando a casa toda.
Com os olhos da imaginação, elas são percebidas com toda a sua exuberância e beleza, pois as mães sempre são lindas. As roupas podem ser simples, singelas ou até sofisticadas e de grife, mas são inconfundíveis, pois vêm das mães como modelos de referência.
Do toque da pele percebe-se a sutileza do sentir-se próximo, da mãe que acolhe, que acarinha, que põe no colo, que beija, que se aproxima sem medo.
Não existem palavras, por mais que se percorra o dicionário, que digam o que é ser mãe, quer seja ela presente ou mãe saudade. Os vocábulos fogem, quando se quer dizer tudo o que se sente, pois é impossível expressar o que só o coração sabe fazer. Portanto, neste dia das mães, quem as têm pode usufruir deste momento único, estando perto delas e para as que já partiram é bom saber que mães saudade são eternas, sempre presentes na alma e na vida dos seus filhos.
7 de Maio de 2010 às 4:12 pm
Andrei Andrade
Estudante de Jornalismo
Sempre tenho alguma saudade.
Dos amigos que não vejo há anos, e mais ainda dos que não vi esta semana.
Saudade de alguma tarde da minha infância, mas nem sei qual, de tantas que
deixaram saudade.
Dos dias em que tudo era futebol, fosse de botão, videogame ou “de
verdade”.
Saudades dos primeiros traços femininos que me deixaram apaixonado, e dos
últimos, que simplesmente me deixaram.
Saudades do tempo em que podia desperdiçar o tempo, sem pensar no tempo como algo a se consumir sem desperdício.
Sou um entusiasta da saudade. Não vivo sem ela.
Ter saudade é ter certeza de que alguma coisa valeu a pena.
Um olhar perdido está autorizado a responder em nome da saudade.
A duração de um abraço diz muito sobre a saudade.
Se tem uma coisa de que sinto falta, é de ter tempo pra sentir saudades,
pensar nela e tentar racionalizá-la.
Controlá-la unicamente para o meu bem, enquanto ser saudoso.
Quero um total domínio da saudade.
29 de Abril de 2010 às 3:34 pm
Andrei Andrade
Aproveitando que, em 1908, alguém criou a Associação Brasileira de Imprensa,e por isso este 7 de abril marca mais um Dia Nacional do Jornalista, vou pegar o gancho. Vou falar de jornalismo. Quero contar que, quase um ano depois, mudei de ideia com relação à queda da necessidade do diploma para exercer a profisssão. Era extremamente contra, agora não mais. Já sou até um pouco favorável.
É que, dia desses, nem lembro quando, passou aquele medo de perder espaço apenas porque a profissão teve que dar licença aos sem diploma. Passou a tempestade. Em algum momento, lembrei que o jornalismo é, antes de qualquer outra coisa, um ofício para quem sabe escrever. Este é o único regramento que defende toda a classe. Não o diploma, que nunca foi tão difícil de ser obtido, e por isso, nunca garantiu preparo a ninguém. Se ainda considero a universidade importante – e certamente considero – é para sair sabendo mais, conhecendo mais. O canudo é um mero símbolo desta passagem.
Não deixo de ser favorável à obrigatoriedade que tanto defendemos desde o último dia 17 de junho, quando os ministros do STF derrubaram o diploma. Mas confesso que agora é menos por convicção ideológica e mais por interesses pessoais, mesmo. Para saber que, no aperto, até aquela redação que contrataria os iletrados tenha que me aturar porque a lei assim manda. Pelo mesmo motivo que aprovaria se todo jornalista, de repente, tivesse que ser natural de São Chico de Paula. Ainda apoio a causa, mas sei que por
razões menores e menos nobres.
Enquanto a intimidade e habilidade com as palavras forem os pré-requisitos maiores para a minha profissão, fico tranquilo. Pois sei que a concorrência é ainda menor. Há mais diplomados do que bons jornalistas disputando vagas no mercado. E as boas vagas, tenho certeza, não permitem enganadores. Falo do texto, mas o mesmo se aplica às mídias eletrônicas. É para quem tem jeito com as palavras, sejam elas escritas ou faladas.
Há muita diferença entre o texto correto e o texto bom. A maioria dos acadêmicos, de qualquer curso, se limita a escrever corretamente. O bom texto, com algum estilo, é para bem poucos. E não o recebemos enrolado no dia da formatura.
Como fui esquecer disso?
7 de Abril de 2010 às 5:25 pm
Andrei Andrade
Estudante de Jornalismo
Quando abri o Portal3 na última sexta-feira e vi a chamada para os novos estagiários da AgexCOM, lembrei na hora da felicidade em que fiquei quando, após horas de apreensão, lá estava meu nome entre os selecionados. Pois é, um ano se passou. E o quanto aprendi nesse período é o que quero escrever,como uma espécie de “boas-vindas póstumas” aos novos estagiários, em especial os repórteres.
Entrei no Portal3 totalmente cru em reportagem. Nem metido eu era. Gostava de crônica – ainda gosto –, e o espaço de opinião, com direito a foto no rodapé da página, me atraia mais do que qualquer outra coisa. Mas sabia que era a chance de aprender a ser repórter. Obviamente, falei tudo isso na dinâmica de grupo, repeti na entrevista com os chefes e, por algum motivo, deu certo.
Talvez por pena de um estudante às vésperas da formatura e sem nenhuma experiência, meus superiores levaram a sério meu desejo de aprender a ser repórter. De apuração, redação e edição, o que estes professores sabem de Jornalismo não é brincadeira. E sinto que aprendi bastante. Como os novos estagiários irão aprender, se fizerem da passagem pela Agex uma experiência à altura do que ela se propõe.
Fiz grandes amigos na redação, formamos um time unido, quase ao ponto da alienação, de ser o antimercado profissional, esse da competição, da rivalidade, da vaidade. Só não digo que formamos uma família porque nunca rolou um barraco sequer que caracterizasse uma. Vou passar a vida inteira puxando o saco do Portal, sem nenhuma culpa. Pode dar tudo errado na minha carreira, e mesmo assim, a lembrança será a melhor possível, pois foi um ano que deu certo.
De reuniões de pautas, notícias, crônicas e reportagens, programas de rádio, pitacos nos vídeos, contato com as outras áreas da agência, sobrou o que há de melhor, que é a saudade disso tudo. Senti-me mais jornalista neste período do que em outros quatro anos de faculdade. E mais preparado para encarar a ingratidão do mercado. Vocês, novos repórteres, sairão assim também.
29 de Março de 2010 às 5:39 pm
Juan Domingues
Jornalista / Editor do Portal3
Eu gosto de milhares de coisas nessa vida. Gosto do mar, do sol, do verão, de pegar minhas ondas. Gosto do inverno, do frio, de ficar bebendo vinho em frente à lareira. Gosto de ficar em casa com a minha mulher, com meu filho e meus cachorros. Gosto de futebol, do Internacional e até de assistir Vasco e ABC de Natal. Gosto de trabalhar, de fazer o que faço. Gosto de dar aula, de ensinar. Gosto de ler, de aprender e de estudar. Gosto de tocar conversa fiada com os amigos, das risadas de mesa de bar.
Mas quase nada das coisas que gosto fariam sentido se não gostasse da minha profissão. Adoro ser jornalista e trabalhar com jornalismo. É o que faço todos os dias desde 1991.
Por isso, falar de jornalismo pra mim é falar do mundo vibrante das palavras, do texto, da vida cotidiana, do imaginário, do registro dos fatos que nos anos seguintes servirá, certamente, como registro histórico.
Nessa semana tive uma das experiências mais marcantes da minha trajetória de jornalista, que nasceu na redação do NH, em Novo Hamburgo, passou pelo jornal Zero Hora, por Brasília, pelo jornalismo online, dezenas de viagens pelo Brasil e no Exterior e chega, neste momento, ao ensino de futuros jornalistas na Unisinos e na PUCRS. Na noite do dia 10 de novembro, compartilhei um debate rico e leve com o jornalista, professor e coordenador do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da PUCRS, Juremir Machado da Silva, sobre um gênio do jornalismo mundial, Tom Wolfe.
Wolfe é o ilustre convidado do Fronteiras Braskem do Pensamento no dia 16 de novembro, na UFRGS. Por isso, fui convidado, junto com Juremir, para fazer uma espécie de apresentação do pensamento de Tom Wolfe a uma seleta plateia, muitos dos quais deverão estar na palestra do mestre do New Journalism. Minha participação neste evento se deveu, em grande medida, porque minha tese de doutorado na PUCRS é justamente sobre imaginário e ficção na reportagem, um mergulho no jornalismo literário, sob orientação cirúrgica do Juremir.
A criação do Novo Jornalismo mexeu com o jornalismo padrão que se fazia naqueles últimos anos da década de 50, começo dos 60. O jornalismo padrão, bege, segundo Tom Wolfe, cansava o leitor pela absoluta falta de criatividade, com textos sonolentos e óbvios. O jornalismo, na época, se preocupava em mostrar quem matou quem e onde. Mas quase nunca queria saber como e porquê o crime havia ocorrido. Esta era a senha para a produção de reportagens profundas, detalhistas. Esta era a senha para ir além, muito além do que os outros já tinham ido.
O Novo Jornalismo surgiu com um texto fortemente amparado em recursos da literatura, com descrições detalhadas das cenas, transcrição de diálogos, observação sobre o status do entrevistado (ou dos envolvidos com o assunto), como a roupa, o jeito, as expressões, o gesto, o cheiro e o ambiente em que os fatos ocorreram. A intenção era pegar o leitor pela mão e colocá-lo na cena do fato.
Com isso, o Novo Jornalismo conseguiu, com grande aceitação do público e uma boa dose de repúdio por parte dos romancistas, estabelecer um texto não-ficcional com a emoção típica dos romances. Grandes reportagens viraram livros geniais, como A Sangre Frio, de Truman Capote, Fogueira das Vaidades, de Tom Wolfe, Fama e Anonimato, de Gay Talese. Os romances de não-ficção mudaram completamente o jeito de fazer jornalismo.
Claro que no final das contas, o que vale é o texto. O que existe em jornalismo é texto ruim e texto bom. No Novo Jornalismo, isso fica latente. As virtudes e os defeitos saltam aos olhos do leitor. Por isso, quem se aventura no jornalismo literário precisa saber o que está fazendo. Não é um bicho de sete cabeças. Mas também não é um bicho de uma cabeça só.
11 de Novembro de 2009 às 6:01 pm