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Entenda as novidades do curso de Jornalismo
Amanda Heredia e Marina Cardozo
Estagiárias de Jornalismo
O curso de Jornalismo da Unisinos tem um novo currÃculo. Para apresentar aos futuros jornalistas a grade curricular que entrará em vigor a partir do próximo semestre, 2012/1, o coordenador do curso de Jornalismo, Edelberto Behs, explica a seguir como serão implementadas as alterações. Outra novidade é o curso de Jornalismo em Porto Alegre, onde a Unisinos tem um novo campus. Confira:
Portal3 – O novo currÃculo entrará em vigor no próximo semestre somente para os alunos que ingressarem na Unisinos em 2012?
Edelberto Behs – Os alunos que começarem o curso em 2012/1 iniciam no currÃculo 6. Quem está matriculado no currÃculo 5, continua no 5 e se forma no currÃculo 5. A única coisa que muda é a seguinte: o aluno do currÃculo 5 se matricula nas cadeiras oferecidas para o seu currÃculo, mas o conteúdo que essas disciplinas apresentam será o mesmo das cadeiras equivalentes no currÃculo 6.
Portal3 – Se eu já cursei uma disciplina que caiu no novo currÃculo, e agora quero cursar a que ocupou o lugar desta, como opcional, posso?
Edelberto Behs – Pode.
Portal3 – Há um conjunto novo de disciplinas que vai se chamar Laboratório de Jornalismo. Como vai funcionar?
Edelberto Behs – Será um portal, alimentado diariamente com notÃcias de cinco editorias: geral, economia, polÃtica, esporte e cultura. Em cada dia da semana, haverá uma turma de alunos no laboratório e essa turma será dividida entre as cinco editorias. Metade da equipe será de repórteres e metade será de produtores, sendo as funções trocadas no meio do semestre. As pautas poderão ser desenvolvidas em qualquer turno, mas têm de ser postadas no dia da disciplina. O aluno terá de passar por todas as editorias ao longo do curso, e não poderá repetir o dia cursado. Exemplo: um aluno se matriculou no Laboratório de Jornalismo na segunda-feira e na quarta-feira e ficou com as editorias de esporte e polÃtica, respectivamente. No próximo semestre, ele não poderá se matricular novamente na segunda-feira ou na quarta-feira, nem poderá fazer as editorias de esporte e polÃtica.
Portal3 – O curso se tornará mais prático do que teórico?
Edelberto Behs – Na verdade, não. O 8º semestre do currÃculo 6 (que tem as disciplinas do Laboratório de Jornalismo) é, sim, bastante prático. A ideia, porém, é que mesmo nessas cadeiras mais práticas haja um bom embasamento teórico. Por exemplo, queremos levar profissionais de cada área (editorias do Laboratório) para apresentar aos alunos conceitos de economia, polÃtica, esporte, cultura e geral, no caso, saúde, educação, etc. No geral, de cadeiras práticas, eliminamos duas para inserir disciplinas de seminários e debates, que são mais teóricas.
Portal3 – Se os cursos de Publicidade e Propaganda e Relações Públicas passarem por modificações em seus currÃculos isso implicará em novas pequenas mudanças no currÃculo 6 de Jornalismo?
Edelberto Behs – Não. A ideia é que, se os cursos de PP e RP mudarem seus currÃculos, eles escolherão cadeiras que podem ser do tronco comum no currÃculo 6 de Jornalismo. A grade curricular do curso de Jornalismo está fechada.
Portal3 – Um exemplo: um aluno do 4º semestre ainda tem que cursar as disciplinas de Radiojornalismo III, Telejornalismo III e Redação JornalÃstica III, que estão divididas entre o 4º e 5º semestre do currÃculo 5, mas cairão no novo currÃculo. Ele ainda deve cursá-las?
Edelberto Behs – Sim. O aluno se matricula nas disciplinas que estão indicadas no seu currÃculo. O que muda é o conteúdo delas de um currÃculo para o outro.
Portal3 – As disciplinas de Planejamento Gráfico II e Projeto Experimental em Planejamento Gráfico não são mais ofertadas no currÃculo 6. Alunos matriculados no currÃculo 5 ainda podem cursá-las?
Edelberto Behs – A disciplina de Planejamento Gráfico II não será mais ofertada em 2012/1. A procura era pouca e optamos por eliminá-la do currÃculo. Entretanto, alunos que já fizeram essa cadeira e quiserem cursar o Projeto Experimental em Planejamento Gráfico, que seria a sequência lógica, poderão cursar a disciplina, ela ainda será ofertada a eles.
Portal3 – Uma novidade do novo currÃculo é o Estágio Curricular Supervisionado. Como ele funciona?
Edelberto Behs – É uma disciplina que acrescenta quatro créditos no currÃculo, mas apenas os alunos que entram em 2012/1 precisam cursá-la. O estágio tem carga de 400 horas e precisa ser supervisionado por um professor da Unisinos. Para fazer o estágio, o aluno deve ter cursado 100 créditos (equivalente ao 5º semestre).
Portal3 – Os alunos que estão, atualmente, cursando no campus São Leopoldo podem transferir o curso para o campus Porto Alegre e continuar cursando lá?
Edelberto Behs – Primeiramente, o curso em Porto Alegre será implantado gradativamente, semestre a semestre. Em 2012/1, por exemplo, haverá ofertas de cadeiras apenas do primeiro semestre. O aluno pode transferir, se houver vaga.
Portal3 – O aluno pode fazer algumas cadeiras no campus de São Leopoldo e outras no campus de Porto Alegre?
Edelberto Behs – Não. O vestibular prestado para o campus de São Leopoldo é válido apenas para o campus de São Leopoldo. Assim como o aluno que faz o vestibular em Porto Alegre poderá se matricular apenas em Porto Alegre. O aluno pode pedir transferência de um campus para o outro, não cursar disciplinas em ambos.
Confira as tabelas de equivalência:
CurrÃculo 4 para currÃculo 6:
6º semestre
7º semestre
8º semestre
CurrÃculo 5 para currÃculo 6:
1º semestre
2º semestre
3º semestre
4º semestre
5º semestre
6º semestre
7º semestre
8º semestre
Atividades que continuam a ser ofertadas normalmente até 2013/2
10 de Janeiro de 2012 às 4:00 pm
Sergio Endler, 25 anos de Unisinos: “O jornalismo é uma necessidadeâ€
Paola Oliveira e Ana Paula Figueiredo
Estagiárias de Jornalismo
Sergio Francisco Endler, 56 anos, comemora este ano seus 25 como professor da Unisinos. O número faz dele o professor há mais tempo em atividade nos cursos da área de Comunicação. Bacharel pela UFRGS e doutor pela Unisinos, com tese sobre a antiga Rádio Continental, Endler conversou com o Portal3 sobre sua trajetória profissional e sobre a vida acadêmica. Na entrevista, ele revisa momentos importantes do quanto viu e aprendeu: “A equipe completa é muito importante, e saber estar dentro da equipe é fundamental para o jornalistaâ€.
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Portal3 – Como iniciou no Jornalismo?
Endler – Entrei no curso de Jornalismo, em 1978, e, ao mesmo tempo, comecei na Zero Hora. Em 1982, terminei o curso. Já tinha saÃdo da Zero, tinha feito estágio na Rádio da Universidade, onde também fui muito feliz, produzindo e apresentando um programa diário de música brasileira. Dali, eu fui para a Rádio Gaúcha trabalhar com futebol, em que fiz uma longa carreira, de 1979 até 1984. Quando vim dar aula, com uma disciplina somente, eu continuei trabalhando no Correio do Povo e com assessoria na área de Ciência e Tecnologia. Na continuidade, saà do Correio, continuei dando aula, trabalhando com assessoria e entrei no Mestrado.
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Portal3 – Como foi a estreia na Unisinos?
Endler – Entrei na Unisinos em agosto, no segundo semestre de 1986. Entrei em um momento em que a universidade fazia recrutamento por convite. Eu trabalhava na editoria de Cultura do Correio do povo, com news especificamente, e um dia a minha editora perguntou se eu tinha interesse em lecionar. Justamente eu havia procurado a própria Unisinos um ano antes. Só que naquele momento, em 1985, não havia recrutamento, não havia vaga. Por coincidência, um ano depois o convite veio, e foi muita felicidade, porque naquele momento, além de trabalhar com cultura e dentro do tema literatura, eu entrevistava Carlos Drummond de Andrade, convivia com Mario Quintana, com o romancista (hoje secretário estadual de Cultura) Luiz Antonio de Assis Brasil… Então eu estava inserido em toda a movimentação intelectual que passava por Porto Alegre. Quando a Isabel Allende veio ao Brasil pela primeira vez, entrevistei-a para uma matéria de capa. Era um momento de muita efervescência cultural e, pessoalmente, um perÃodo profissional muito feliz. Aquilo me levou a pensar que eu gostaria de trabalhar não somente com as práticas do jornalismo, porque já tinha, de certa forma, alguma experiência, já tinha feito bastante rádio, muito pouca televisão e estava fazendo jornal. Eu começava a me inquietar com questões sobre a comunicação, sobre o que é todo esse campo vasto e comecei a pensar seriamente também em fazer mestrado naquele momento. As coisas todas coincidiram, por assim dizer, e me trouxeram felizmente para a academia. Eu vim a convite da Rosane Adamy da Rosa, que foi minha coordenadora e chefe. Ela ocupava a posição que hoje é ocupada pelo professor (Edelberto) Behs. Então ela foi a minha primeira chefe aqui.
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Portal3 – Onde o senhor se formou?
Endler – Na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, foi uma experiência fantástica porque, além dos professores, a convivência e o ambiente acadêmico eram muito ricos. Fui muito feliz com a geração dos colegas com os quais pude conviver: Carlos Henrique Iotti, Eduardo “Peninha†Bueno, o professor Jairo Getúlio, que hoje está aqui no PPG, e outros, Marcelo Rech, que ocupa posição de destaque na gestão da RBS, Carlos Wagner, que é um repórter superpremiado, com reportagens especiais… Foi uma geração muito interessante. Fui feliz na minha graduação e, de fato, aprendi muito.
Portal3 – Como foi teu primeiro dia de aula como professor?
Endler – Meu primeiro dia de aula foi fantástico, porque cheguei aqui a convite. Até foi surpreendente, mas pelo lado positivo: fui aplaudido ao entrar em aula. Me senti muito bem-vindo, fiquei extasiado, era tudo com exuberância. O que estava fazendo no jornal era importante, meu interesse era crescente, o mestrado estava se encaminhando. Também era um perÃodo de inÃcio da redemocratização brasileira. No contexto do paÃs, era um momento interessante, nós já tivéramos um momento muito rico com as Diretas Já, em 1983, 1984. Depois vieram as eleições, o Brasil avançou e voltou, houve um retrocesso porque o Tancredo (Neves) imediatamente morreu, mas estávamos a caminho da redemocratização, e eu estava dentro da universidade e muito feliz. Desde lá, com orgulho, sou o professor mais antigo da Comunicação. A professora Luiza Carravetta estava aqui quando cheguei, mas ela esteve fora da Unisinos uns dez, 12 anos. Estou aqui esse tempo todo, e é muito interessante ver a universidade se desenvolver, ver as gerações também. Sou do tempo em que a gente ia para a sala de aula escrever com máquina de datilografia. A reflexão e a vida acadêmica possibilitam ao mesmo tempo uma existência muito vinculada à tradição, que é a questão da educação. Não existe educação sem que haja tradição, ao mesmo tempo esse é um ambiente em que a questão da inovação está muito presente, então a gente tem que trabalhar pensando no agora e no logo imediato. Ainda hoje, estávamos numa banca, conversando sobre a questão da bibliografia. O trabalho era excelente, muito bem apresentado, desenvolvido. Mas, entre o perÃodo em que o aluno fechou a monografia e a defesa, surgiu uma publicação decisiva. Embora não comprometesse o TCC, comprovava a velocidade na qual as coisas acontecem. Assim podemos ver como o jornalismo oportuniza desafios e novas atividades. A gente não sabe exatamente quais são. Me preocupa um pouco a questão da empregabilidade. O Brasil é um paÃs que investe muito nos estágios. Não é que eu seja contra o estágio. Pelo contrário, essa é uma passagem da formação. O problema é que, em algumas instâncias, o estágio fica tendo valor em si, deixa de ser uma passagem.
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Portal3 – Estar há 25 anos na universidade ultrapassa o vÃnculo estritamente profissional?
Endler – É verdade, é uma relação vital, existencial, muito intensa. O jornalismo é muito de migrações. Entrei na universidade e na Zero Hora no mesmo verão. E a partir dali, migrei muito. Tive a oportunidade de fazer bastante coisa, de conhecer as mÃdias e trabalhar nos principais jornais e nas principais rádios do estado. Só não trabalhei nas principais emissoras de TV, mas trabalhei um pouco em TV também, depois fui fazer assessoria, dialogando com aquilo que era o meu trabalho acadêmico, na Secretaria Estadual de Ciência e Tecnologia.
Portal3 – Já trabalhou em jornal e em rádio. O que prefere?
Endler – Na verdade, prefiro o jornalismo. É difÃcil dizer, pois a gente padece, carrega pedra. É uma carreira de dificuldades e frustrações em qualquer mÃdia. Não se pode pensar que é um mar de rosas porque não é. Uma relação de trabalho é sempre intensa, sempre tensa, tem altos e baixos. É preciso saber dosar, seja para o lado da euforia, quando está em alta, seja para o lado da amargura, quando se está em baixa. Ambos virão. É importante perceber que o jornalismo está no mundo real, e ele está no mundo real de uma forma muito intensa. Então as coisas acontecem muitas vezes de forma inesperada. Há coisas que, evidentemente, são previsÃveis e, por isso, são necessários a educação, o ensino, o planejamento. Então saber ler, escrever, ler os bons autores é ter um método de reflexão. Todas essas coisas são para sempre, no sentido de que tu inicias e vai desenvolvendo. Mas isso não garante nada no sentido das práticas, dos grupos, que também são muito importantes. O jornalismo é uma necessidade, isso a gente insiste bastante quando se está fazendo rádio. Em termos de brilho pessoal, a nossa sociedade está muito centrada nessa questão da visibilidade, das egotrips de quem apresenta o radiojornal ou o telejornal. A comunicação pode viver disso enquanto laranja de amostra, enquanto estratégia da empresa de querer mostrar seus astros. Porém, as rotinas produtivas necessariamente são atividades em que a gente tem que ter consciência do convÃvio, do respeito, da importância de todos na equipe, desde o mais elevado até o funcionário que de repente trabalha na limpeza, a senhora que faz o cafezinho, o motorista. A equipe completa é muito importante, e saber estar dentro da equipe é fundamental para o jornalista.
Portal3 – O jornalista é muito cobrado. Ele é cobrado internamente e é cobrado externamente também. De onde vem a cobrança maior, de dentro ou de fora?
Endler – No meu caso pessoal, eu diria que a intensidade é igual, mas são cobranças diferentes. Na verdade, acho bom esse interno que te interroga, que te pergunta sobre os teus processos, o que aconteceu no dia, o que aconteceu durante o perÃodo, onde há um nÃvel de acerto maior ou menor. É preciso atenção contÃnua para isso e, ao mesmo tempo, é preciso conviver com algumas coisas, como os teus insights, tuas percepções, teus pensamentos, tuas sacações. De certa forma, é preciso respeitar essas coisas e dar oportunidade a elas de que aconteçam, porque, se tu não tens esse cobrador interno, tu és um sujeito um pouco fora da casinha. Mas, se ficar somente na cobrança, tu não vais realizar, o problema é saber dosar. A gente vive para aprender isso.
Portal3 – O que se pode fazer para amenizar as cobranças?
Endler – O João Bosco – eu gosto de muito de música brasileira, acho que temos músicos e poetas excepcionais – diz que todo dia ele busca se renovar para ser mais ele. É mais ou menos isso aÃ: sacar o que o mundo quer. O mundo quer muito determinadas coisas, e a gente não pode estar desatento a isso, mas também não pode cumprir inteiramente. É a mesma coisa com as questões internas. É importante que a gente seja desejante, porque é isso que nos move a ir além, mas também não pode ser refém do teu desejo, se não se torna algo ególatra. Eu falava de sacação, e nós estamos num ambiente que foi uma dessas sacações, de que me orgulho. Há uma série de coisas que a gente deixa de fazer, mas há outras que eventualmente a gente faz. Naquela oportunidade, uma das minhas incumbências aqui era um cargo de gestão. Havia os centros, e eu era vice-diretor. Estava caminhando em um intervalo entre o perÃodo da tarde e da noite, eu gosto de caminhar, pensar e elucubrar. Este lugar aqui (Agexcom) era destinado para festas e eventuais exposições dos cursos. Era um enorme espaço. Eu pensei: “Precisamos fazer algo aliâ€. A professora Elenice era a coordenadora do curso de RP (Relações Públicas) naquele momento, e ela começou a me contar como estava a agência de RP, e que uma das coisas que precisava – eu visualmente percebi – era espaço. Aà associei as duas coisas. Bingo! Vamos fazer um espaço de agência integrada! Então uma das coisas das quais eu me orgulho – não tem nada registrado, por isso me valho da atenção de vocês para dizer isso – é que levei para a diretora a sugestão. Houve, como toda ideia nova, uma série de reuniões para ajustá-la. A Agexcom saiu, e eu me orgulho de ter sugerido que ela surgisse integrada num único espaço. Então, foi uma das pequenas contribuições que pude dar. Isso é bom! É muito bom todo dia poder ir para a sala de aula e ver que está chegando gente na condição de recém-saÃda da escola e depois cumprindo todo o ciclo, perceber e participar, à s vezes mais intensamente e à s vezes menos. É uma dádiva e algo inigualável para um professor.
Portal3 – O que mais lhe marcou aqui na Unisinos?
Endler – Vou falar de uma coisa recente. Saibam que cada semestre é uma história, cada disciplina é outra, e cada turma dentro da disciplina é outra. Qual a disciplina que tu preferes? Eu vim para cá trabalhar com disciplina teórica, que na época era tida como bicho de sete cabeças. Ainda hoje, de certa forma, é, mas mudou para melhor a compreensão de que a teoria é muito importante para refletir. Naquele momento, poucos alunos prezavam e poucos professores se interessavam. Eu me interessei porque – repito – estava num momento privilegiado, trabalhando com ciência e tecnologia, entrando no mestrado e trabalhando com cultura no Correio (do Povo). Ali, vi a importância dessa disciplina com que vim trabalhar e com a qual trabalho ainda eventualmente. Essa disciplina é Teoria da Comunicação. A cada semestre há coisas que funcionam bem e outras que não funcionam tão bem assim. Então eu preferiria destacar uma coisa recente, de prática de sala de aula, mas de uma sala de aula onde surgem os TCCs, como Rádiojornalismo III. Vimos, este semestre, a questão de um programa de rádio que era de um gênero hÃbrido, e eu pude alcançar a sugestão para um aluno e ele foi atrás, desenvolveu e virou um belÃssimo TCC. Sala de aula é um espaço vivo muito importante e onde nós temos oscilações, como na vida. Às vezes não consigo motivar o grupo, ou o grupo não consegue motivar-se. Esse episódio recente que encerramos agora de Rádio III foi muito importante, porque é um espaço em que se faz rádio ao vivo. Fazer ao vivo faz toda a diferença. Se faz pouco jornalismo ao vivo, a gente tem que fazer mais. Houve um programa que foi sobre o marco regulatório da Comunicação, um programa importante de debate de elevado nÃvel. Precisamos ter o marco regulatório da Comunicação. Estamos no século XXI, e isso não é censura, é apenas fazer aquilo que está na Constituição. É necessário que a sociedade se organize, pois a comunicação é coisa séria, e não se pode veicular tudo, a qualquer hora. Em Rádio III fizemos outro programa, um balanço do Rio Grande do Sul ao final desse primeiro ano do governo Tarso Genro, com os três senadores, não presentes ao vivo, mas falando ao vivo por telefone. Fizemos programas culturais, programas de música. Gostei muito de Rádio I nesse semestre também, era uma turma pequena, o que é raro para nós, e pudemos fazer um trabalho que foi além: a carta proposta pela disciplina é uma, mas à s vezes a gente fica aquém daquilo ali, não consegue dar conta, e à s vezes a gente tem a carta e vai além, e aà é o melhor. Depende dessa quÃmica que envolve a turma.
Portal3 – Como é dar aula para gerações diferentes?         Â
Endler – Acho que o importante é tentar, de alguma forma, ver duas coisas: uma delas é aquilo que eu dizia, há um currÃculo, há documentos pedagógicos que dizem como deve ser a aula. Não se pode abrir mão, sob pena de depois faltar. A outra é a seguinte: como cada turma é uma turma, é bom tentar ver o que é possÃvel aproximar entre o interesse daquela turma e aquilo que diz o currÃculo. É difÃcil fazer isso e eu digo por quê: nossos alunos trabalham, e nós somos do ensino noturno. Quer dizer, essas balizas são muito importantes. Por exemplo, a questão de ir a lugares. Acredito que nós precisarÃamos ir a mais lugares, mas todas as vezes que tentamos nos mover daqui, é muito complicado, pois há alunos de muitos lugares. A Unisinos oportuniza o transporte, mas o problema é que as pessoas precisam fazer duas viagens: vir para a Unisinos e depois a saÃda com a turma. Tem uma série de dificuldades que são da ordem, de certa forma, do estrutural. Mas é preciso aprender a criar mecanismos de superação disso. Por que eu me referi à turma de Rádio I como um dos destaques? Porque nós nos valemos nesse semestre de uma estratégia que há tempos eu queria fazer, mas com turmas grandes era difÃcil de administrar. Agora éramos só 12, então fizemos a prática incessante e inflexÃvel de sÃntese noticiosa em Radiojornal e Rádio I – tem que passar por isso, é convicção nossa – mas não só fazer dentro da sala de aula, então fizemos dois movimentos em que eles faziam direto de suas bases: sÃntese noticiosa de seu municÃpio e depois, também, da região do municÃpio.
Portal3 – O senhor entrou na Unisinos há 25 anos. O seu filho, o Guilherme, tem 20 anos, e escolheu fazer Jornalismo também. Como é dar aula para ele?
 Endler – Eu não gosto. Não por ele, mas pelos outros alunos. Quando o Guilherme escolheu fazer Jornalismo, eu fiquei muito preocupado e orgulhoso. Por ele, eu sinto o mesmo que pelos outros alunos: vejo eles entrarem na universidade recém-saÃdos da escola, não sabendo direito que rumo vão tomar. Depois de quase quatro anos, eu os vejo definindo o futuro por causa de suas aptidões e escolhas durante o curso. Com o Guilherme, é a mesma coisa. Vi ele entrar aqui um menino e, agora, está saindo um homem. É uma coisa maravilhosa.
Portal3 – No e-mail que mandamos convidando-o para esta entrevista, o senhor respondeu com uma pergunta/afirmação: “Acho que já conseguimos fazer alguma coisa, não é mesmo?â€. E daqui para a frente, quais são os projetos?
Endler – Eu quero trabalhar em pesquisa. Estou com um livro em andamento, sobre o bairro Partenon (em Porto Alegre). O Augusto Bisson já escreveu sobre o Moinhos de Vento, e o Juremir Machado escreveu sobre o Bom Fim, a pedido do Sérgius Gonzaga, secretário municipal da Cultura (da capital), que está com esse projeto. Em decorrência do pouco tempo, não pude me dedicar muito ao livro ainda, mas quero aproveitar o recesso para dar andamento nele e encaixá-lo na minha rotina. Quero trabalhar mais com pesquisa. Há muito no nosso campo, principalmente nos dias de hoje, a ser descoberto.
10 de Janeiro de 2012 às 4:00 pm
O Gabinete Parlamentar da Assembleia Legislativa de Porto Alegre tem vaga para estudantes dos primeiros semestres do curso de Jornalismo. A carga horária é de seis horas diárias.
A vaga oferece bolsa auxÃlio de R$ 4,48 por hora de estágio resultando média de R$ 800,00 mensais, mais R$ 5,40 diários de vale transporte, além de R$ 8,08 de vale refeição por dia. Turno a combinar.
Interessados devem enviar currÃculo para Felipe Cogo, no e-mail felipe.cogo@al.rs.gov.br.
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Paola Oliveira
Estagiária de Jornalismo
Até 30 de janeiro é possÃvel se inscrever no curso Ferramentas Digitais para um Jornalismo de Interesse Público Eficaz, que está sendo promovido pelo International Center for Journalists (ICFJ).
Voltado para os brasileiros, tem como objetivos dar aos participantes maior compreensão sobre aspectos de interesse público e, para auxiliar a tarefa, ensinar a usar tecnologias no dia a dia. Os 40 selecionados aprenderão a refinar pesquisas online, preparar fotos e vÃdeos para upload em portais e criar blogs e wikis.
O curso será ministrado por Fabiano Angélico. Jornalista formado pela Universidade Federal de Minas Gerais, ele possui especialização em Transparência e Combate à Corrupção no Centro de Direitos Humanos na Universidad de Chile. Foi coordenador de projetos da Transparência Brasil e atualmente é produtor especial da Rede TV!
Angélico esclarece que as aulas são voltadas para pessoas que tenham familiaridade, ainda que mÃnima, com o mundo da internet. “É para profissionais, professores e estudantes que queiram aprender e replicar os ensinamentosâ€, adianta. Ele conta como será feita a seleção: “Vamos analisar os currÃculos, mas o curso não é somente para jornalistas e profissionais da comunicação: é para qualquer um que tenha interesse em usá-lo para o interesse públicoâ€.
O curso é em português, online, gratuito e tem duração de cinco semanas. O inÃcio das aulas está marcado para 27 de fevereiro. A inscrição deve ser feita por meio do formulário, que está disponÃvel online.
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Adpergs lança prêmio de Jornalismo
Marina Cardozo
Estagiária de Jornalismo
Em comemoração aos 30 anos de atividade da Associação dos Defensores Públicos do Rio Grande do Sul (Adpergs), a entidade lançou, nesta terça-feira, 29, o 1° Prêmio Adpergs de Jornalismo. Poderão concorrer trabalhos publicados por jornalistas de todo o Brasil, nas categorias rádio, TV, jornal e novas mÃdias.
O concurso, que tem como tema Acesso à justiça, erradicação da pobreza e direitos humanos, é apoiado pelo Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Sul, da Associação Riograndense de Imprensa (ARI) e da Associação de Repórteres Fotográficos e Cinematográficos do Rio Grande do Sul (Arfoc-RS).
Interessados podem conferir o regulamento a partir de 31 de janeiro e se inscrever até 20 de abril de 2012. A premiação ocorre no Dia Nacional do Defensor Público, 19 de maio.
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Unisinos oferece vaga de estágio
Marcelo Grisa
Estagiário de Jornalismo
Há uma oportunidade para os alunos de Comunicação Social, Administração e Comércio Exterior. A Unisinos necessita de um estagiário para a Assessoria de Relações Internacionais e Desenvolvimento (ARID). Entre as atividades a serem exercidas pelo futuro estagiário, estão o levantamento de parcerias internacionais, desenvolvimento de projetos cooperativos internacionais e o atendimento de alunos e professores que desejem experiência internacional.
As qualificações desejadas para a vaga na ARID são variadas: domÃnio do pacote Office e ferramentas de internet, atendimento em diferentes nÃveis – pessoalmente, via telefone ou e-mail – e inglês e/ou espanhol em nÃvel intermediário.
Interessados na vaga devem mandar currÃculo para o email rh-recrutamento@unisinos.br, com o código Estágio ARID. Será oferecida bolsa-auxÃlio no valor de 1,6 créditos mensais, mais auxÃlio transporte, pela carga horária de 20 horas semanais no turno da manhã.
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Inscreva-se no Programa de Estágios na Prefeitura de Porto Alegre
Ana Paula Figueiredo
Estagiária de Jornalismo
A partir de dezembro, a Prefeitura de Porto Alegre abrirá duas vagas para estágio na rádio web da entidade. Interessados podem se inscrever no Programa de Estágios da Prefeitura, pelo site.
Os estudantes inscritos vão fazer parte de um cadastro de reserva para as possÃveis vagas que surgirão futuramente. A inscrição tem validade de um ano. O valor da bolsa para universitários é de R$ 5,15/hora, ou seja, R$ 453,20 por 88 horas/mês.
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Participe do Concurso Tim Lopes de Jornalismo Investigativo
Ana Paula Figueiredo
Estagiária de Jornalismo
Estão abertas as inscrições para a 6ª edição do Concurso Tim Lopes de Jornalismo Investigativo. Interessados podem inscrever seus trabalhos até 15 de fevereiro de 2012 pelo site.
O objetivo do concurso é alertar para os problemas de abuso e exploração sexual de crianças, e assim fortalecer a mobilização social, além de contribuir e qualificar a cobertura jornalÃstica sobre o assunto.
Tendo como tema Imprensa e sociedade aliadas no enfrentamento da violência sexual contra crianças e adolescentes, a premiação também apresenta uma categoria especial, Exploração sexual de crianças e adolescentes no setor turÃstico brasileiro. Nessa modalidade podem participar candidatos de todas as mÃdias.
As melhores reportagens devem receber apoio técnico e financeiro no valor de R$ 10.500 para a realização da pauta. Para a categoria televisão, o valor da bolsa aumenta para R$ 16.000. Depois de publicadas as matérias, os autores receberão prêmios no valor de R$ 3.000.
O concurso é direcionado a estudantes e professores de comunicação, repórteres, editores e chefes de reportagem de impresso, rádio, televisão, web e veÃculos comunitários ou alternativos.
A iniciativa do concurso é da ANDI – Comunicação e Direitos e da Childhood Brasil, com apoio de Unicef, Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo, da Federação Nacional dos Jornalistas e Organização Internacional do Trabalho.
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Unisinos oferece vaga de estágio
Marcelo Grisa
Estagiário de Jornalismo
Há uma oportunidade para os alunos de Comunicação Social, Administração e Comércio Exterior. A Unisinos necessita de um estagiário para a Assessoria de Relações Internacionais e Desenvolvimento (ARID). Entre as atividades a serem exercidas pelo futuro estagiário, estão o levantamento de parcerias internacionais, desenvolvimento de projetos cooperativos internacionais e o atendimento de alunos e professores que desejem experiência internacional.
As qualificações desejadas para a vaga na ARID são variadas: domÃnio do pacote Office e ferramentas de internet, atendimento em diferentes nÃveis – pessoalmente, via telefone ou e-mail – e inglês e/ou espanhol em nÃvel intermediário.
Interessados na vaga devem mandar currÃculo para o email rh-recrutamento@unisinos.br, com o código Estágio ARID. Será oferecida bolsa-auxÃlio no valor de 1,6 créditos mensais, mais auxÃlio transporte, pela carga horária de 20 horas semanais no turno da manhã.
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Sebrae premia trabalhos sobre micro e pequenas empresas
Marcelo Grisa
Estagiário de Jornalismo
A quarta edição do Prêmio Sebrae de Jornalismo tem como objetivo incentivar a produção de matérias sobre o desenvolvimento de micro e pequenas empresas no Brasil. Para tanto, suas nove categorias distribuem prêmios que variam entre R$ 3 mil e R$ 25 mil.
A lista de pautas possÃveis inclui empreendedorismo, cooperação, competitividade, inovação, inclusão produtiva, sustentabilidade e polÃticas públicas. Vale qualquer material publicado ao longo de 2011, que pode ser inscrito até 26 de janeiro de 2012. A maior novidade desta edição é a possibilidade de inscrever coberturas feitas em blogs e redes sociais.
Mais informações podem ser conferidas no regulamento do prêmio.
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Reportagens podem valer até R$ 40 mil em premiação
Marcelo Grisa
Estagiário de Jornalismo
Materiais jornalÃsticos que abordam o papel social da indústria no Brasil podem ser inscritos em concurso da Confederação Nacional da Indústria (CNI) até 5 de abril de 2012.
O Prêmio CNI de Jornalismo distribuirá, ao total, R$ 240 mil em prêmios aos jornalistas vencedores; matérias regionais (R$ 10 mil); aquelas com foco na educação profissional e na inovação (R$ 25 mil); e as categorias de jornal, rádio, revista, TV e internet também distribuem prêmios de R$ 25 mil.
A maior premiação fica por conta da categoria geral, o Prêmio José Alencar de Jornalismo, que agracia o melhor de todos os trabalhos inscritos com R$ 40 mil.
O regulamento aceita matérias publicadas em veÃculos de empresas jornalÃsticas entre 1º de abril de 2011 e 31 de março de 2012. O corpo de jurados deve abranger representantes da academia, das entidades ligadas à CNI e aos órgãos estaduais que a compõem, além de personalidades do mercado industrial.
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Band tem vagas para jornalistas
Marina Cardozo
Estagiária de Jornalismo
A rede Bandeirantes está com diversas vagas abertas para estudantes e profissionais de Jornalismo.
Jornalistas formados podem se inscrever para a vaga de videorrepórter. É exigida experiência de câmera e edição digital, além de disponibilidade de horário na madrugada. Outra oportunidade para graduados é de produção em rádio ou TV. É desejável experiência na área, dinamismo e versatilidade.
Estudantes podem se candidatar a vagas de estágio na BandTV Porto Alegre e nas rádios BandNews FM e Bandeirantes AM Porto Alegre. Para a TV é preciso ter experiência na área.
Há, ainda, vaga para operador técnico de banda KU (link ao vivo de TV). São necessárias experiência e carteira de motorista.
Interessados devem enviar currÃculo para o e-mail curriculopoa@band.com.br.
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Estágio na Prefeitura de São Leopoldo
Paola Oliveira
Estagiária de Jornalismo
A Prefeitura Municipal de São Leopoldo, através da Secretaria de Comunicação, está com vaga de estágio aberta para estudantes de jornalismo. É necessário estar matriculado a partir do quarto semestre, disponibilidade de horário e ter interesse na área digital e impressa. O valor inicial da bolsa é de R$ 750, com reajuste conforme o andamento do curso. O currÃculo deve ser enviado para imprensa@saoleopoldo.rs.gov.br, aos cuidados de Romeu Finato.
10 de Janeiro de 2012 às 3:59 pm
Clichês jornalÃsticos em pauta
Paola Oliveira e Marina Cardozo
Estagiárias de Jornalismo
O clichê é um artifÃcio constantemente usado em praticamente todas as áreas. O jornalismo, em especial, abusa de vários nos textos, vÃdeos e áudios produzidos pelos meios de comunicação, estratégia que já foi percebida pelo público.
Nos últimos dias, tem circulado nas redes sociais links para o blog Puxa Cachorra! que reproduziu capas de revistas famosas com chamadas de capa que dizem literalmente o tipo de notÃcia que a revista publica. Sob os tÃtulos 10 capas de revistas nacionais em versão sincera e Mais 8 capas de revistas nacionais em versão sincera, os posts atraem a atenção pelo humor baseado nos clichês jornalÃsticos.
“Os veÃculos têm clichês, isso é identificável e é chatoâ€, diz a professora da Comunicação Cybeli Moraes. “Mas há o outro lado. Esses padrões são criados para fazer o público entender a mensagem rapidamente.â€
Outra brincadeira do mesmo tipo foi realizada pelo humorista Rafinha Bastos. Em um vÃdeo, publicado em 2010, Rafinha explica como fazer uma reportagem de televisão fazendo uma reportagem de televisão. Confira:
Cybeli diz que achou muito bom o vÃdeo criado por Rafinha Bastos. “É completamente verÃdicoâ€, afirma, mas pondera que não dá para generalizar, pois não são todos os veÃculos que se submetem a um padrão universal de reportagem. Ela cita a revista PiauÃ, que, apesar de estar no blog como também sendo padronizada, é mais difÃcil de ser parodiada: “A Piauà não está preocupada se as pessoas vão entender; ela tem um público alvo, fiel, que a lê como ela exige: calmamenteâ€.
Nesta terça-feira, 21, o humorista Rafinha Bastos publicou mais um vÃdeo criticando os sites de fofoca, que publicam apenas notÃcias de celebridades, também dominadas pelos clichês. Confira:
A professora diz que, no mercado de trabalho, os jornalistas acabam se adequando aos padrões, mas que isso só afeta a criação do profissional se ele se deixar levar: “É preciso um equilÃbrio entre o se fazer entender e a originalidadeâ€, enfatiza. “Essa é a importância de uma faculdade de jornalismo. Na universidade, fazemos experimentos, saÃmos do padrão, levamos isso para a carreira.â€
10 de Janeiro de 2012 às 3:50 pm
Paola Oliveira
Estagiária de Jornalismo
A tradicional escolha da personalidade do ano feita pela revista norte-americana Time trouxe uma novidade em 2011. A capa da edição que revelaria o eleito trouxe a imagem de uma jovem com o rosto coberto e apenas os olhos à mostra. “Da Primavera Ãrabe a Atenas, do Ocuppy Wall Street a Moscou” era a frase que definia a escolha. O Manifestante, representando todos aqueles que se envolveram em protestos ocorridos ao redor do mundo, foi a pessoa – ou figura – mais importante do ano.
No editorial, o editor da publicação, Richard Stengel, explicou a escolha: “Em 2011, os manifestantes não apenas expressaram suas reclamações, eles mudaram o mundo”, afirmou o jornalista.
O professor do Curso de Jornalismo da Unisinos Bruno Lima Rocha conta que a Time é uma revista conhecida pelas capas marcantes, e esse recurso é mais um meio de se autoafirmar como tal. Bruno ressalta que os Estados Unidos são um paÃs com uma desigualdade social muito grande e que a Time tem por padrão escolher celebridades como personalidades do ano – em 2010, o criador do Facebook, Mark Zuckerberg, foi o eleito. Dessa vez, a publicação fez o caminho inverso. “Os manifestantes do Ocuppy, por exemplo, dizem que são os 99% da população. A Time, este ano, resolveu escolhê-los em detrimento do 1%, formado pela elite, e que está sempre na capaâ€, explica. O professor diz que, com a escolha da figura do manifestante, a revista faz uma afirmação do coletivo.
Bruno, porém, diz que a Time tem tradição e, normalmente, faz uma avaliação dos acontecimentos históricos de cada ano. Por isso, a importância simbólica e histórica das manifestações em todo o mundo neste ano podem ter se imposto. “Talvez, simplesmente, não tenha tido como ignorarâ€.
21 de Dezembro de 2011 às 4:00 pm
Quem cobre essa pauta?
Marcelo Grisa
Estagiário de Jornalismo
Há uma semana, no dia 9 de dezembro, era lançado o livro A privataria tucana, do jornalista Amaury Ribeiro Júnior. Duas edições e 30 mil exemplares depois (uma terceira leva estava prevista para esta sexta, com mais 50 mil unidades), o fenômeno editorial permanece pouco noticiado, algo incomum para um livro nacional de Jornalismo.
O tÃtulo, publicado pela Editora Geração, é resultado de mais de uma década de investigações do jornalista, que já passou por Istoé e Correio Braziliense. Os principais acusados de desviar dinheiro nas negociações de privatizações, principalmente no setor de telefonia, ocorridas durante o governo Fernando Henrique Cardoso, são o coordenador da campanha de José Serra (PSDB) à Presidência, Sérgio Guerra, o próprio Serra e o banqueiro Daniel Dantas, além de parentes dos dois últimos.
Atualmente, Ribeiro está empregado na Record, que lhe forneceu quase 40 minutos de entrevistas em dois programas do canal de notÃcias Record news. Também mereceu a capa da última edição da revista CartaCapital, incluindo reportagem mais entrevista sobre o livro.
Em outros grandes veÃculos, silêncio.
A Veja falava de um escândalo contra o PT; canais de TV aberta nem mesmo comentaram a venda de 15 mil exemplares no primeiro dia, e grandes portais começaram a falar do assunto somente a partir da última quarta-feira, 14. O assunto circulou majoritariamente a partir de blogueiros e do público das mÃdias sociais.
A Folha de S. Paulo tratou do assunto com reserva incomum. Em postagem no blog de Luis Nassif, o ativista polÃtico Eduardo Guimarães reproduz crÃtica interna (apenas para publicação dentro da redação) desta quinta, 15, da ombudsman do jornal, Suzana Singer. Entre outras afirmações, Suzana critica a postura dos colegas de não continuar o assunto, se limitando a falar do livro e das reações, principalmente de polÃticos tucanos citados, como Serra, que o chamou de lixo. “É crime organizado fingindo ser jornalismoâ€, teria dito o ex-governador paulista à Folha.
A profissional cobrou dos colegas de redação que confrontassem os acusados do livro, tentando chegar a uma confirmação ou não dos fatos descritos nas 343 páginas de Amaury Ribeiro Júnior. Além disso, Suzana se mostrou atenta ao cenário da internet: “É um erro subestimar a capacidade da internet – e da Record – de disseminar a tese do ‘PIG’.†A afirmação é resultado, segundo a ombudsman, da falta de capacidade de trazer à tona materiais que desmintam a tese apresentada no livro do funcionário do grupo Record de que grandes veÃculos, inclusive a Folha, estavam a mando de José Serra e Daniel Dantas. A expressão PIG, cunhada pelo jornalista Paulo Henrique Amorim, significa Partido da Imprensa Golpista, e é utilizada de forma a fazer chacota da Folha, como citado no final de inúmeros posts do blog de Amorim, o Conversa afiada.
Na semana antes do Natal, a CartaCapital continuou na cobertura sobre o livro, mudando agora o foco para o fenômeno da não divulgação da obra literária por grandes veÃculos. Na reportagem de capa – que mostra a clássica foto dos três macaquinhos, em que um não ouve, um não vê e outro não fala – intitulada De bico calado, a revista atribui a falta de notÃcias em diversos meios de comunicação de grande circulação a uma operação “abafa” do PSDB com mÃdias que estariam a serviço da agremiação polÃtica.
O editorial de Mino Carta – que também foi editor de Veja, além de criador de revistas como Quatro Rodas – insinua, inclusive, que só mesmo no Brasil para que essa exclusão do discurso de algo que considera tão grave para a história recente não seja amplamente divulgado. A comparação foi feita na direção de escândalos como o de Watergate, quando denúncias feitas pelo jornal The Washington post repercutiram em toda a imprensa estadunidense, causando a renúncia do então presidente Richard Nixon.
O conteúdo polÃtico chega a afetar José Serra e aliados: o deputado Protógenes Queiroz (PC do B – SP) tem assinaturas suficientes para o que já se chama de CPI da Privataria. A presidente Dilma Rousseff declarou que não se opõe à s investigações para apurar se o conteúdo do livro está ou não certo.
*atualizada em 19/12/2011
21 de Dezembro de 2011 às 11:00 am
Primeira Impressão aborda cores
Ana Paula Figueiredo
Estagiária de Jornalismo
Nesta segunda-feira, 12, ocorreu o lançamento da 36ª edição da revista Primeira Impressão, que tem como tema Cores. Alunos das disciplinas Redação Experimental em Revista e Projeto Experimental em Fotografia e professores-orientadores se reuniram no Café Letras & Sabores, no saguão da Biblioteca da Unisinos para comemorar a conclusão do trabalho de um semestre inteiro.
A coordenadora da Agexcom e professora do curso de Jornalismo ThaÃs Furtado fez a abertura do evento. ThaÃs lembrou que a PI é uma revista de tradição no meio acadêmico, pelos trabalhos e pelos prêmios, e que essa edição tem grandes chances de fazer com que a publicação continue no patamar de uma das melhores no ramo de trabalhos experimentais de jornalismo.
O coordenador do curso de Jornalismo, Edelberto Behs fez seu discurso baseado no tema da revista, as cores, buscando referências históricas. Ao final, ressaltou a importância do trabalho realizado para os estudantes e professores. “A Primeira Impressão é um orgulho para o curso de Jornalismoâ€, afirmou.
Para a aluna Bruna Vargas – autora da ideia do tema Cores –, o resultado foi surpreendente. “Durante o processo, quando a ThaÃs comentou que havia dificuldades para algumas pautas, imaginei que pudesse não dar certo, já que as cores tinham sido divididas igualmente entre a turmaâ€, reflete. “Mas ficou visÃvel que a maioria dos colegas buscou, dentro das possibilidades e restrições de cada um, transcender a ideia das cores, conseguir uma abordagem diferente. Acredito que tenha sido uma experiência bacana para todos e tem tudo para ser, também, para quem ler a revista.â€
Aluna da disciplina de Redação Experimental em Revista, Bruna também teve o desafio de buscar uma pauta diferente e contar por meio de palavras uma história interessante. A sua cor escolhida foi o branco.
Bruna conta que a ideia de sua reportagem – A branca da rua – surgiu ao ter conhecimento de Branca, uma mulher que vive em Porto Alegre, que adora a cor branca e que odeia tudo que tem relação com a cor preta. Ela diz que a tarefa também começou com dificuldades.
“Por ter ouvido muitas histórias sobre Branca antes de ir a campo – foi quase um mês do dia em que soube que ela existia até o dia que fui atrás dela –, já imaginava que poderia ter de fazer a matéria sem conseguir falar com ela. Assim, quando a negativa, de fato, se confirmou, não chegou a haver uma mudança de rumo. Na verdade, tive a sorte de constatar que todas as pessoas realmente tinham ligação com aquela mulher e podiam me ajudar, por meio das próprias histórias, a contar a história delaâ€, explica.
As alunas Carina Mersoni e Priscila Pilletti, das disciplinas de Redação Experimental em Revista e Projeto Experimental em Fotografia, respectivamente, contam como foi realizar a pauta Sete palmos de terra. Carina optou por contar a história do Campo Santo do Cemitério da Santa Casa, em Porto Alegre, que faz sepultamentos gratuitos para famÃlias sem condições financeiras de custear um funeral.
Carina comenta que, no inÃcio houve um pouco de dificuldade. “No primeiro dia fiquei lá no Campo Santo o dia inteiro, e não houve nenhum sepultamento, mas isso nos proporcionou muita observação, que é extremamente importante para um texto mais literárioâ€. Ela diz que, inicialmente, a sensação foi estranha por ter que esperar que alguém fosse sepultado: “No dia seguinte, voltei lá e houve vários sepultamentosâ€. Embora a situação tenha sido delicada, Carina e Priscila lembram que o funeral era diferente. “Não tinha muitas pessoas chorando. Por isso foi mais fácil se aproximar das pessoas para conversarâ€, diz Carina. “Às vezes havia apenas uma pessoa acompanhandoâ€, comenta Priscila.
Diz Priscila que se pegou pensando algumas vezes: “O que estou fazendo? Estou fotografando um funeralâ€. No inÃcio foi estranho. “Depois fui no embalo de fazer as imagens para a matériaâ€, afirma Priscila. “Foi difÃcil fazer com que a cor marrom não ficasse óbvia.â€
Questionadas sobre o resultado do trabalho, ambas fazem coro: “Gostei, mas queria ter colocado mais fotosâ€.
15 de Dezembro de 2011 às 4:00 pm