Maria Maurente
Estagiária de Jornalismo
O Lula poderia ter aprendido alguma coisa com a Marta Suplicy. Relaxar e gozar, embora seja um bom conselho, não caiu bem na situação do caos aéreo. A exagerada repercussão da mídia com a declaração nem foi só por ter sido inoportuna. Não faltaram ofendidos para colocar a então ministra do Turismo em maus lençóis, tendo que se explicar por uma declaração, digamos assim, inocente.
E agora, o presidente. O presidente que sabe que o povo está na merda, e quer tirá-lo dessa situação. Que bom. Mas precisa dizer assim, tão claramente? Para mim, tanto faz. E, sinceramente, pouco me importo com qualquer merda que o presidente queira dizer.
Acontece que ele sabia o que isso causaria, e declarou ao G1: “Lógico que eu falei um palavrão aqui, amanhã os comentaristas dos grandes jornais vão dizer que o Lula falou um palavrão. Mas eu tenho consciência de que eles falam mais palavrão do que eu todo dia e tenho consciência de como é que vive o povo pobre desse país, e é por isso que queremos mudar a história desse país.”
E o Lula tinha razão. Os comentaristas de todos os grandes jornais deram destaque ao “deslize” do presidente. Teve até um que disse que isso seria um mau exemplo para as nossas crianças, que ao verem que o presidente pode, iriam querer falar palavrões também. Não precisamos chegar a tanto, caros jornalistas. Mas o presidente também não precisava.
Refazendo a equação: o Lula falou “merda”, já tinha um exemplo como o da Marta para saber que boa coisa não ia dar, declarou inclusive ter consciência de que iria repercutir, como de fato aconteceu. A pergunta, então, é: para quê?
Não adianta criticar a imprensa, que “perde tempo” dando destaque para casos como esse. De fato, não há nada de errado em falar merda, e o presidente tem razão quando diz que todo mundo fala. E fala até mais, e pior. Mas não podemos esquecer que Lula é o governante máximo do país, então, esperamos dele uma determinada postura. Única e simplesmente, não precisava.
Maria Maurente
Estagiária de Jornalismo
Já estive do lado de dentro de um balcão de atendimento. Foi no setor de IPTU da prefeitura de Gravataí, onde estagiei por quase dois anos. Lá ouvi os mais absurdos desaforos e aguentei dias e tardes de movimento intenso e pessoas irritadíssimas com a sufocante burocracia que envolve qualquer procedimento dentro de um órgão público. E, claro, com o fato de o pagamento do imposto mexer onde mais dói: no bolso.
Por um lado, chegava até a ser engraçado. Era uma coisa meio “morde e assopra”. Metiam a boca, xingavam até a terceira geração da minha família, da família do meu chefe, do prefeito e do Lula. Mas depois se davam conta de que a culpa não era exatamente minha. Alguns procedimentos iam além da minha alçada e eu realmente pouco podia fazer. O que eu podia, fazia. Assim como os meus colegas. Assim como a maioria dos atendentes de outros malfadados órgãos públicos ou privados.
Alguns são dotados de inegável má vontade. E esses podemos reconhecer na hora. Mas outros, pobrezinhos, aguentam desaforo sem merecer. Não estou aqui falando daqueles (desgraçados) que ligam sábado de manhã para oferecer descontos de 5% em cursos que você jamais mencionou que gostaria de fazer, mas sim daqueles que são procurados para resolver “pepinos”, seja em um balcão de atendimento ou por telefone.
Por isso defendo aqui a compreensão com as pobres almas que estão do outro lado da linha, ou do balcão. Não sei, me bateu uma coisa meio Madre Teresa, de querer fazer o bem, sabe? Então, lembremo-nos que os atendentes de tele-marketing – ou de outras variações do gênero – são humanos, que na grande maioria das vezes recebem salários ínfimos para fazer um serviço chato.
Não precisamos, lógico, aceitar qualquer oferta ou quinquilharia que nos for oferecida por esses meios. Tampouco achar bom quando formos mal atendidos. Basta um por favor, um bom-dia, um muito obrigada e outras gentilezas sutis. Não custa nada. Respire fundo e tente compreender se irá adiantar descontar no atendente toda a sua fúria, caso seja verdade que ele não possa resolver imediatamente o seu problema. As empresas são burocráticas mesmo, a culpa não é do pobre coitado.
Nada disso significa, claro, aceitar gerundismos. Podemos passar por cima de qualquer coisa, caros atendentes, mas estaremos encaminhando ou solicitando ou ando qualquer coisa, aí não dá!
Maria Maurente
Estagiária de Jornalismo
Será que precisamos de caças, submarinos e navios? Essas são perguntas que não podem ser respondidas por leigos, pois para respostas justas são necessários conhecimentos avançados sobre economia, política, tecnologia e estratégia diplomática. E vereadores, será que precisamos de mais um punhado deles?
Essa não sabemos responder porque ninguém explicou ainda para que precisamos de mais 7.709 vagas no legislativo brasileiro. Ninguém explicou por que essas vagas estão fazendo falta no atual quadro político. Ninguém nos disse ainda quanto dinheiro continuará saindo do bolso do contribuinte para que a decisão do Congresso seja colocada em prática.
Mamar nas tetas do governo deve mesmo ser uma delícia. Ou vai me dizer que aqueles suplentes que lotavam as galerias da Câmara de Deputados durante a votação estavam ansiosos para modificar a política, fazer o bem pelo povo, colocar em pauta projetos de lei que podem mudar os destinos do país? Duvido. E duvido por estar condicionada a isso. Como quase todo o brasileiro, estou desacreditada. Infelizmente.
Em tempos em que a política precisa ser revista, renovada, discutida – precisa, em suma, de uma limpeza profunda e geral –, o que se faz não é diminuir as vagas e restringir o acesso. É aumentá-las, abrir espaços não apenas para mais vereadores, mas para mais assessores, aspones e sanguessugas.

A festa dos suplentes. Ou seria farra?
Foi vergonhoso ver a comemoração, digna de final de campeonato, quando anunciada a aprovação do projeto. Que, por sinal, já tramita desde o ano passado, e nesta quarta-feira, 9, foi aprovado pela segunda vez. De lá pra cá, sofreu apenas algumas alterações. Ainda falta saber se a decisão é retroativa às eleições de 2008 ou se só valerá para 2012.
Pode ser maldade minha dizer que todos que lá estavam, aguardando pela sua fatia do bolo, não tinham sequer uma boa intenção. O fato é que está cada vez mais fácil ser político no Brasil. Ao passo que está cada dia mais difícil engolir esse jeito de fazer política.
Maria Maurente
Estagiária de Jornalismo
Pode parecer um pouco arriscado usar este espaço para contestar o chefe. Mas, em se tratando de Juan Domingues, sei que não terei problemas maiores do que uma possível réplica. Acontece que meu estimado editor publicou recentemente em seu blog uma opinião a respeito do projeto de lei que concede aos trabalhadores o chamado Vale Cultura.
Trata-se de um benefício nos moldes do Vale Refeição ou do Vale Transporte. O projeto do presidente Lula, se aprovado pelo Congresso, concederá aos trabalhadores que ganham até cinco salários mínimos um vale, por enquanto previsto em R$ 50,00 (já há quem queira aumentar para R$ 100,00), que poderá ser utilizado em peças de teatro, cinema, exposições, na compra de discos, livros… e por aí vai.
Acontece que Domingues acha a ideia boa, mas não concorda com a forma como ela será executada. Segundo ele, vale-isso e vale-aquilo não adiantam para o trabalhador, que deveria mesmo era ter um salário decente que permitisse o acesso aos bens de que necessita. “Enquanto o brasileiro precisar de todos esses vales pra viver, presidente, o Brasil continuará sendo o país da esmola e do assistencialismo. Continuará sendo um país sem salário, um país do vale-tudo”, escreveu Domingues.
Concordo, chefe, mas preciso contestar um ponto. Enquanto o salário decente não vem, o que se faz? Muitos criticam o governo do presidente Lula por ser exatamente como definiu Domingues: assistencialista. Mas pelo menos muitas famílias desfrutam de benefícios que garantem comida na mesa. Coisa que o salário, na maioria dos casos, infelizmente, não é capaz de assegurar. E a culpa não é do Lula.
Deixando de lado a velha discussão sobre serem ou não benéficos para a população itens como o Bolsa Família (amado por uns e odiado por muitos), volto à cultura e exalto a iniciativa do governo. Principalmente porque pensar nesse benefício é entender a cultura como um dos itens básicos a que todo o trabalhador deve ter direito.
Estimular a frequentação cultural é a grande sacada desse projeto. Com um dinheiro que pode e deve ser gasto exclusivamente com cultura, o trabalhador que não cogitava a possibilidade de ir a uma peça de teatro poderá ir a uma por mês, ou até mais, quem sabe. Porque o valor das entradas continua caro. E em se tratando de atores globais, o Vale Cultura sequer é suficiente. Mas isso é outra história.
Maria Maurente
Estagiária de Jornalismo
Sem explicação
Não mereceu nenhum destaque na mídia a queda do avião da companhia Air Yemenia, na madrugada do último dia 29, no Oceano Índico. Apenas uma adolescente de 14 anos sobreviveu, das 153 pessoas que estavam a bordo.
Aprendemos na faculdade de Jornalismo o que são os tais “critérios de noticiabilidade”. Um avião que cai perto da costa brasileira e tem brasileiros a bordo sem dúvida será mais noticiado do que uma aeronave que partiu de um lugar que poucos brasileiros sequer sabem precisar onde fica.
Mas fica até chato para a imprensa brasileira. Para a queda do avião da Air France, em 31 de maio, o circo foi armado. Com o “esfriamento” da notícia, os repórteres já estavam descansando de desastres aéreos quando chegou às redações uma notícia muito parecida com a anterior. Rearmar o circo? Não. Toda a “preocupação” com o futuro da aviação ficou de lado, e apenas umas notinhas sobre a tal Air Yemenia e o respectivo acidente saíram por aí.
Sem surpresas
Os marqueteiros responsáveis pelas campanhas dos candidatos a senadores nas eleições de 2010 não terão muitas dificuldades para traçar estratégias. Estarão todos prometendo uma limpeza geral no Senado, que anda pra lá de precisado de uma varredura completíssima.
Resta saber se toda a sujeira volta para baixo do tapete ou será, de uma vez por todas, jogada no ventilador. O que é fato é que promessas, como sempre, não faltarão. Estarão todos nas telas, nos outdoors, nas rádios, jurando que o que querem mesmo é arrumar a casa de vez.
Sem flautas
Os colorados tiveram que esperar até quinta-feira para ter um consolo depois de perder o título da Copa do Brasil para o Corinthians. Na quarta-feira, em pleno Beira-Rio, tomamos dois gols. Como no jogo de ida, em São Paulo, o placar tinha sido 2 x 0 para os paulistas, precisávamos fazer cinco para sair com a taça. Missão praticamente impossível. Aguerridamente, e contando com um certo “descanso” corintiano, conseguimos fazer dois. Não foi o suficiente e em plena casa colorada os paulistas comemoraram o título que os gaúchos tanto desejaram.
Os gremistas, no aguardo da decisão com o Cruzeiro pela vaga na final da Libertadores, deram lá sua flauteada na torcida colorada. Mas a vantagem do jogo de ida era mineira, de dois gols. Primeira coincidência. Na noite dessa quinta-feira, o placar no Olímpico ficou em 2 x 2. Não podia ser mais igual. Diferenças a parte, nessa sexta-feira ninguém flauteou ninguém. A dupla Gre-Nal chegou a um “empate técnico”, mesmo sem um confronto direto. Não deixa de ser um alívio para as duas torcidas.
Maria Maurente
Estagiária de Jornalismo
E não adianta fugir, já diria o Lulu Santos. As mudanças assustam, apavoram, mas sempre têm o seu lado positivo. Não sei se no caso do diploma, que deixou de ser obrigatório para exercício do Jornalismo na última quarta-feira, 17. Se as empresas que batalharam pela desregulamentação são as mesmas que continuarão exigindo o diploma na hora de contratar, não sei. É muito provável, mas isso só o tempo dirá.
Claro que para os futuros jornalistas sempre resta a opção de sair do curso e bater nas portas do mercado alegando que têm um ótimo texto e todo o tino para a coisa. Quem sabe funcione. Pode-se até mesmo tentar uma outra habilitação. Quem sabe. Quem resolver ficar na universidade e fazer seu diploma valer a pena terá pelo menos um diferencial na hora da busca pela vaga. Isso é fato.
O que também é fato é que todas as mudanças, por mais que sejam positivas, geram dúvidas e incertezas. Assim como não sei se o diploma que estou batalhando para conseguir terá no mercado o mesmo valor que tem pra mim, não sei como será minha vida daqui pra frente.
Explico, já pedindo licença para dividir com os leitores as angústias que tomam conta da cabeça de uma pessoa que, pela primeira vez na vida, se vê sem o colo da mãe por perto. Novos desafios esperam minha jornalista preferida (e diplomada), que por sinal também é minha mãe, na cidade que ela escolheu para viver: Brasília. E Brasília é looonge.
A mudança na vida dela significa também uma brusca mudança na minha própria vida. Da comodidade do lar, doce lar, parto também para novos desafios. Deixo meu querido irmão em Gravataí (que, ainda bem, não é tão looonge assim) e vou morar mais perto do trabalho e da universidade. Viver a minha vida, caminhar com as minhas próprias pernas. O que, obviamente, também significa lavar as próprias roupas e pagar as próprias contas. E não me refiro só à conta do bar.
Dividir essa nova empreitada com meu namorado, Mateus, sem dúvida me deixa mais feliz e tranquila, embora aumente o desafio. Mas o medo é normal, totalmente justificável. E saudável. Principalmente porque é ele que nos move, que nos faz ter algum tipo de reação em situações de perigo. Em tempos de mudanças e inseguranças, fico até feliz por ter dúvidas, por ter medo. Significa que os pés estão no chão.
Que venha o mercado de trabalho, que venha o tão esperado diploma, que venha a vida nova. O futuro só é interessante porque é incerto. A vida só tem graça porque o nosso controle sobre ela não existe. O mundo continua girando sem pedir nossa autorização. Tudo muda, o tempo todo. Resta saber aproveitar as oportunidades para crescer e ir sempre em frente.
Maria Maurente
Estagiária de Jornalismo
A tecnologia é um caminho sem volta. Não há como deixar de utilizar os benefícios que ela nos oferece. Não há como voltar ao passado e conceber redações de jornais em que o aparato tecnológico resumia-se a um telefone, e só. A internet agilizou o jornalismo. E o fez na mesma medida em que o empobreceu.
Essa questão foi abordada pela jornalista da Revista Época Eliane Brum em palestra sobre o seu livro A vida que ninguém vê, realizada na noite desta quinta-feira, 4, na Unisinos. Tanto em sua exposição para os alunos quanto em seu livro, a jornalista destaca a importância da proximidade com a fonte.
O trabalho realizado por ela, focado principalmente em histórias de pessoas comuns contadas com encantadora sensibilidade, jamais poderia ser realizado por telefone ou por e-mail. Eliane é autora de uma obra singular, carregada de sua identidade e seu modo de fazer jornalismo, desenvolvido ao longo de mais de 20 anos de profissão.
A especialidade da jornalista que lida com o comum é justamente fugir dele, já que, como ela mesma explicou, a grande imprensa define uma pequena parcela de “visíveis” e uma grande massa de “invisíveis”. E é nesses invisíveis que Eliane encontra a matéria-prima de sua escrita. O que a jornalista realiza é um jornalismo diferente. Também por isso o tempo despendido em suas matérias é muito maior do que o disponível quando se está lidando com as chamadas hard news.
As notícias que precisam ser apuradas, escritas e publicadas em poucas horas não são mais ou menos fáceis de fazer. De um repórter que lida com o cotidiano em sua mais pura essência é exigida agilidade. E aí entra a tecnologia como grande benefício. Liga, manda e-mail, bate um papo no MSN e aí está a matéria, recheadinha de aspas.
Ganha-se em tempo. Logo, ganha-se em dinheiro. A lógica é essa. Mas perde-se em qualidade. Como bem definiu Eliane, os repórteres tornam-se “reprodutores de aspas em série”. Deixamos de ir a fundo na pauta, talvez até de descobrir uma pauta melhor por trás da inicial. Deixamos de perceber e de interpretar as expressões, os silêncios, os gestos, o jeito de nosso entrevistado.
Muito disso é fruto da exigência dos chefes, da pressão do fechamento, do acúmulo de funções. E muito disso é também fruto da mais pura preguiça. Do jornalismo que pesquisa no Google e busca referências na Wikipédia. O leitor pode jogar no Google também, não precisa de um jornalista que faça isso por ele. A função de um repórter é estar onde o leitor não estava e contar o que o leitor não viu. Acontece que é fácil quando se tem tudo pronto. E a facilidade economiza tempo, e o tempo economiza dinheiro. Será um caminho sem volta?