Sexta-feira, 18 de Maio de 2012
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    Pobre da Maísa

    Maria Maurente
    Estagiária de Jornalismo

    Crianças-prodígio pipocam na mídia o tempo todo. Sempre tem as super dotadas, que vão além das capacidades de sua tenra idade. Há quem diga que a Maísa, pequena apresentadora do SBT, não se encaixa nessa categoria. Dizem que ela é apenas uma criança espontânea, bonitinha, espertinha, rapidinha, inha inha inha.

    Mas a Maísa, coitadinha, de inha só tem o tamanho. Por mais que naquela pequena cabeça ainda estejam preservados alguns valores da infância, como a irreverência natural que apenas crianças são capazes de mostrar, a rotina da apresentadora infantil é de gente grande. Ela apresenta um programa semanal de desenhos, que vai ao ar todo sábado de manhã. Nele, ela interage com as crianças que ligam para participar de brincadeiras.

    A cereja do bolo fica reservada para os domingos, quando Maísa divide o palco com Sílvio Santos. No programa, a mini apresentadora protagoniza o quadro “Pergunte para Maísa”, em que o patrão faz perguntas de todos os tipos, que Maísa responde com sua natural espontaneidade. Não penso em entrar no mérito sobre a origem do jeito escrachado da pequena, que alguns dizem até ter sido criada em laboratório especialmente para herdar a emissora do seu Sílvio.

    O que me choca, na verdade, são as agressões a que a pobre criança é submetida. Há três semanas consecutivas, Maísa, que tem apenas SEIS anos, é humilhada em rede nacional. Deprimente. Revoltante. Uma criança chorando e um auditório inteiro rindo. Em uma das cenas, ela é posta dentro de uma mala e chora pedindo pra sair enquanto o grande Sílvio Santos arrasta a coitada pelo palco. “Tá doendo! Tá doendo!”, gritava a menina.

    No último domingo, Maísa chorou novamente no ar. Dessa vez porque o patrão riu dela porque ela tinha chorado na semana anterior. No caminho que a levava ao camarim, onde imagino pretendia fazer manha no colo da mãe, bateu a cabeça em uma câmera. Aí a choradeira desandou de vez. Criança que é, Maísa aproveitou a deixa para fazer um draminha básico. Pediu “por favor, patrão, eu gravo dois programas na semana que vem, mas minha cabeça ta doendo muuuuito”. Tadinha, louca para ir embora. Pra casa, imagino. Pra escola, prefiro acreditar. Se ia brincar de bonecas ou contar o dinheiro que tem ganhado, não sei.

    Sei que existem milhares de menininhas de seis anos que sonham em estar no lugar da Maísa. Sei também que, como disse minha colega Raquel Piegas, “pelo menos ela trabalha em um estúdio com ar condicionado, e não em uma sinaleira suja”. Mas o que sei, principalmente, é que tenho pena, muita pena dela. Por ter pais que não se importam que a filha seja submetida a esse tipo de tratamento em rede nacional. Por estar perdendo a sua infância e ter todas as possibilidades de ter uma vida bem atribulada no futuro – vide fenômenos infantis da linha Britney Spears. Deu no que deu. Claro que eu não tenho uma bola de cristal, aliás, torço para estar errada, mas uma cabeça que começou ontem a se desenvolver não pode ter estrutura psicológica para aguentar esse tranco.

    Pelo menos o Conselho Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente de São Paulo estuda a possibilidade de processar o SBT pelo tratamento que tem dado a Maísa. Resta torcer para que a justiça seja feita e que o patrão, ao ser atingido onde mais dói, no bolso (ou no caso dele, no baú), tome jeito e trate melhor a pequena. E que os pais dela percebam o absurdo do caso e não esperem por uma ação da Justiça para poupar a filha das agressões que tem sofrido.

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    20 de Maio de 2009 às 6:55 pm

    Botando a mufa pra funcionar

    Maria Maurente
    Estagiária de Jornalismo

    vergonha. S.f. 1. Desonra humilhante; opróbrio, ignomínia. (…)

    O verbete do sempre querido dicionário Aurélio define bem o que significa passar mais de um mês sem atualizar este espaço de Opinião. Afinal, como sempre disse minha mãe, “pior do que ter o poder e usá-lo mal é ter o poder e não saber o que fazer com ele”, ou algo assim.

    Aliás, foi justamente minha amada mãezinha que me deu uma sacudida, comentando na opinião “A hora da verdade no dia da mentira” (que já estava a ponto de mofar por aqui): “Que moleza é esta moça? Bota a mufa pra funcionar!’, escreveu, sabiamente. A situação também se encaixa no verbete antes citado. Receber um puxão de orelha público “a esta altura da vida” merece alguma consideração.

    Explico o que me ocorre. Trabalhar na AgexCom e no Portal3 foi algo que me causou grande expectativa, pois, naturalmente, era uma coisa que eu queria muito. Ainda mais porque a oportunidade de desfrutar de uma experiência profissional no começo do curso é rara. Entretanto, mais que expectativa, meu sentimento foi de pânico.

    Ter um espaço onde eu posso dizer o que eu bem entendo foi exatamente o ponto que me apavorou. Certa vez o chefe Juan Domingues contou que mandou seus alunos escreverem um texto, sobre qualquer coisa. Uma das alunas escreveu algo que se aplica bem ao que sinto toda vez que sento frente a frente com a tela em branco desse computador sem nenhuma pauta pré-definida. “Não sabemos direito o que fazer com a nossa liberdade quando a temos de fato”.

    Jornalista é famoso por achar que sabe tudo e pode dar pitaco em todas as coisas. Sempre temos opinião pra dar. Comigo, colegas, não é diferente. Não perco tempo quando alguma discussão começa, principalmente se for sobre um assunto que eu domino. Se não for, me meto igual. Mesa de bar, então, é comigo mesmo. Mas, aqui, é diferente. Aqui, alguma responsabilidade e muita sobriedade parecem que me travam. O mesmo motivo pelo qual nunca levei os blogs que criei adiante. O pavor do julgamento.

    Sempre espalhei por aí que estou me lixando para o que os outros pensam a meu respeito. Em muitos casos, é verdade. Neste, é mentira. Eu me preocupo, sim, com a possível repercussão do que escrevo neste espaço. E os muitos assuntos que passam pela minha cabeça e que poderiam ser transformados em textos vão sendo descartados um a um, pois nunca parecem ser suficientemente interessantes, instigantes ou divertidos.

    A conclusão a que chego agora (obrigada, mãe!) é que não interessam os meus conflitos. Este espaço está aqui. Por enquanto, me pertence. E aproveitá-lo é mais do que necessário, é um compromisso profissional. Portanto, caros leitores, preparem-se para opiniões religiosamente semanais. Peço desculpas se os assuntos ou os textos não forem suficientemente interessantes, instigantes ou divertidos. Já sei por experiência própria que é na prática que se aprende.

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    7 de Maio de 2009 às 5:09 pm

    A hora da verdade no dia da mentira

    Maria Maurente
    Estagiária de Jornalismo

    - Não é preciso ter diploma para ser jornalista.
    - Mentira.
    - Sério.
    - Quer dizer que se eu quiser posso fazer faculdade de Nutrição e depois ir trabalhar como jornalista?
    - E nem precisa ser na editoria de Saúde…
    - Capaaaz?
    - haaa, 1º de abriiiil!

    O dia da mentira é uma coisa muito divertida, principalmente quando alguém cai nas mentirinhas que se conta. Daí, o dia dos bobos. Sempre tem quem acredite. Mas tem coisa que parece mentira e não é.

    Desde 2001, quando a juíza substituta Carla Rister concedeu liminar suspendendo a obrigatoriedade do diploma para exercício do jornalismo, que a discussão em torno da questão se arrasta. Mas agora finalmente será decidida. Quando? 1º de abril.

    Alguns colegas acharam que era piada, outros acharam no mínimo curioso.
    Mas é isso ai. A hora da verdade para os jornalistas, no dia da mentira e dos bobos.
    Nesta quarta-feira, a decisão que será determinante para o futuro da profissão será tomada no Supremo Tribunal Federal, em última instância.

    Os argumentos contrários à obrigatoriedade defendem que a universidade não é a única capaz de dar a formação suficiente para que o sujeito dê informações por aí. Dizem também que embora se exija de um médico que ele tenha diploma para nos operar, não exigimos de alguém que fez um texto que essa pessoa tenha um diploma para que possamos ler. E isso está certo? Claro que sim.

    O argumento de que o diploma é o único capaz de garantir profissionais que apresentem informação de qualidade é fraco. Fraquíssimo. Mas e quanto aos profissionais do jornalismo? Aos estudantes de jornalismo? É uma questão de respeito e valorização da profissão, de assegurar os direitos daqueles que batalham (sim, o clichezão, ba-ta-lham) por uma formação.

    Pouco resta a debater. A decisão sai amanhã e não está mais em nossas mãos. Por ora, apresento o argumento da minha amiga Kati, que ponderando que mesmo que o diploma não seja mais obrigatório ainda será um diferencial no mercado, sabiamente mencionou o seguinte: “Eu não estou preocupada com o meu cargo, mas e quem será meu chefe?”. Pois é, Kati. Nesse caso, quem sabe alguém formado em Nutrição, ou Administração, Direito…

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    31 de Março de 2009 às 6:52 pm

    Imprensa: produto e consumo

    Maria Maurente
    Estagiária de Jornalismo

    O julgamento do austríaco Josef Fritz foi marcado por sátiras contra a cobertura da imprensa. O dramaturgo Hubsi Kramar apareceu em frente ao tribunal, encenando uma peça teatral em que pretendia denunciar a exploração que a mídia faz da imagem das vítimas.

    Outra peça, a “Pensão Fritz”, foi encenada em frente ao tribunal em que o homem, acusado de manter a filha encarcerada por 24 anos e ter sete filhos com ela, era julgado. Dos personagens, um vestia um macacão branco com bonecos nus presos ao corpo e o outro carregava uma cruz com brinquedos que representavam crianças.

    No local, dezenas de emissoras de TV, rádio, jornais, todos acompanhando o julgamento. A crítica realizada pelos atores (que, vamos convir, também queriam aparecer um pouquinho), vem de encontro ao que exaustivamente é discutido no campo da comunicação, seja em salas de aula, redações ou mesas de boteco: a imprensa gosta é de tragédia.

    Mas será a imprensa? A imprensa, a imprensa, a imprensa. Sempre falamos dela como se fosse um ente superior, maléfico, inacessível, desconhecido. Quase como os políticos, o governo, os corruptos, todos jogados em um balaio comum e sacudidos até virarem todo o mal que conhecemos.

    Mas a mídia, em todas as suas formas, assim como a política, não é feita apenas para nós. Ela é feita por nós. Sim, nós. Um baita balaio. Todo mundo junto e misturado. Cada um com sua parcelinha corrupta e seu pouquinho (ou muitinho) de “curiosidade mórbida”.

    A imprensa estava acampada em frente ao tribunal (assim como ficou em frente ao apartamento de Eloá Pimentel, ou de Isabela Nardoni, ou de outros circos semelhantes aos quais já nos habituamos), por um simples motivo: estávamos todos louquinhos para saber o que aconteceria com o “Monstro Austríaco”.

    Sim, estávamos. Vamos admitir. O chefe aqui da redação, Juan Domingues, publicou dia desses em seu blog um texto que falava exatamente sobre isso: ninguém aguentava mais o carnaval na TV. Traduzindo: a imprensa só transmite tragédia, e ninguém gosta. E quando ela foge disso, mesmo que por caminhos meio tortos, ninguém gosta também.

    O produto resultante do trabalho da imprensa é isso: um produto. Disponível para quem quiser comprar. A imprensa só repensará o que quer vender se repensarmos sobre o que queremos consumir.

    E aí? Quer saber como anda o julgamento do Fritz? Acesse aqui.

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    17 de Março de 2009 às 5:37 pm

    Férias!

    Maria Maurente
    Estagiária de Jornalismo

    As tão aguardadas férias chegam nesta sexta-feira, 16 de janeiro, para os estagiários do Portal3. Mas, e agora? Depois de ler a opinião do colega Luan Iglesias, inaugurando o espaço que ele passará a ocupar aqui no Portal, me peguei pensando. Ele fala sobre autodestruição, e desgraçadamente nos joga na cara que é para isso que aproveitamos nossas férias!

    O pior? É verdade. Falo por mim, claro. Não posso dizer que faço isso em todas as férias que tenho, pois não estou acostumada a tê-las. Mas é só pintar uma folguinha que o descompromisso faz com que eu perca as estribeiras.

    Ah, os excessos. No verão me permito cometê-los, mas abuso da minha própria saúde. Aquela cervejinha de fim de tarde que nos permitimos depois do expediente, viram várias cervejinhas que começam no começo da tarde, já que não há expediente.

    Aquela sessão de filmes que nunca acontece por falta de tempo e cansaço excessivo se repete várias vezes, já que as limitações financeiras não me permitem ir muito além da sala de casa. E vêm acompanhadas do básico: pipoca, chocolate, refrigerante.

    Nunca fui esportista e, diferentemente do colega Luan, que acabou descobrindo suas habilidades com o futebol, até hoje espero que minha estrela brilhe e eu tenha coragem de pelo menos bater uma bolinha na beira da praia (já que ficar de pernas pro ar tomando caipirinha não é bem o que os especialistas recomendam).

    Resultado de tudo isso? A volta para o trabalho vem acompanhada não de descanso, mas de cansaço. Claro que me divirto, e adoro meus excessos. Mas só me dou conta de que me excedi quando tudo acaba e a realidade me chama de volta.

    Acho que não ter tempo pra nada me causa essa ânsia de fazer tudo tudo tudo quando tenho um tempinho qualquer. Nessas férias vou tentar me controlar (vou!), mas não garanto nada. No volta eu conto.

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    16 de Janeiro de 2009 às 4:21 pm

    Considerações natalinas

    Maria Maurente
    Estagiária de Jornalismo

    Nessa época do ano sempre surgem discussões sobre o que é, de fato, o significado no Natal. Para os católicos, é o nascimento de Jesus. Para os consumistas (e até para os que não são), é época de dar e receber. Presentes, claro. A época do ano em que mais se gasta dinheiro. Amigo-secreto pra cá, presentinhos da família pra lá, lembrancinhas para os colegas e etc.

    Mas há quem diga que o Natal é uma época de renovação. Renovação do espírito de doação. Este mesmo, que deveria estar presente nos 365 dias do ano, não apenas no 25 de dezembro. Afinal, por que esperar uma data especial para estar com quem se gosta? Por que precisamos de uma desculpa para presentear quem amamos?

    Por isso admiro minha mãe. Ela é um exemplo a ser seguido. De janeiro a dezembro, sem se importar com a data, ela deseja a todos: Feliz Natal. As pessoas dão risada, acham que é brincadeira. “Pô, Feliz Natal em fevereiro só pode ser coisa de louco mesmo”.

    Mas não há nada de loucura em desejar que as pessoas sejam capazes de se doar o ano inteiro. Que as pessoas sejam capazes de gentilezas sutis, de carinhos sinceros. A equação é simples: gentileza gera gentileza, quem recebe carinho também tem para dar.

    É difícil fugir do clichê desta época. Mas me pergunto: como uma coisa que não é comum pode ser um clichê? Não é comum que nos deixemos contagiar por um espírito que, independente do seu real significado, é muito positivo. Precisamos de uma desculpa para isso, mesmo que essa desculpa seja alguém bem gordo de barba branca e gorro vermelho.

    Filha do Papai-Noel

    Qual é a profissão do meu pai? Papai-Noel. O Papai-Noel da cidade, cara. Em Gravataí ele é famoso, e eu morro de orgulho. E eu sei que ele também. É lindo ver como as crianças adoram sentar no seu colo e contar pra ele o que elas desejam, o que elas esperam.

    Ser Papai-Noel não é brinquedo. É preciso estar cheio daquele espírito que eu falava ali em cima. É preciso doação, generosidade e disposição. Não só para passar calor debaixo daquelas roupas, mas para receber com carinho a sinceridade da criançada. E ele recebe, com carinho de sobra. E como resultado disso, só coisas boas. Afinal, a equação é simples, não é?

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    19 de Dezembro de 2008 às 5:08 pm

    Consciência não tem cor

    Maria Maurente
    Estagiária de Jornalismo

    Aconteceu aqui na Unisinos, no dia em que vim fazer minha matrícula. Andava perdida pelo campus, tentando encontrar o local onde ocorreria a apresentação do curso. Comigo, minha mãe. Acompanhavam-nos uma senhora e sua filha e mais um senhor. Os últimos três, negros. Chegamos (depois de muito desbravar a Unisinos) ao local da matrícula. Havia, na entrada do auditório (que eu não lembro bem qual era), uma mesa. Sobre ela, cadernos e carteirinhas que duas meninas distribuíam aos que chegavam.

    Entramos praticamente juntos, e quase ao mesmo tempo fomos todos atendidos. A menina e sua mãe receberam a carteirinha e o caderno, em seguida uma das meninas veio atender a mim e minha mãe. Neste momento, o senhor que nos acompanhava sentiu-se ofendido. “Ei, eu também estou aqui”. A moça apressou-se. “Desculpe-me”. Não teve jeito. “É porque eu sou negro, né… Tudo bem, o preconceito blábláblá”. Constrangimento geral. As meninas, envergonhadas, não sabiam que palavras usar para se desculparem, embora não precisassem.

    Posso, com esse caso isolado, analisar qualquer coisa a respeito de preconceito? A generalização é perigosa, mas me arrisco a dizer que posso usar isso como exemplo para demonstrar que o preconceito não assola somente os negros. Naquele momento, em que o senhor acusou as meninas de um preconceito que, ficou claro, foi paranóia de sua cabeça, as coagiu e constrangeu. Foi um auto-preconceito. Dele para ele mesmo.

    Ontem, 20 de novembro, como bem lembrou a colega Camila Vargas, foi comemorado em todo o Brasil o Dia da Consciência Negra. A luta dos negros é legítima, e necessária, e a criminalização do preconceito foi uma conquista daqueles que sofrem com esta ignorância. Mas agora temos todos que tomar cuidado. Como também lembrou o colega Marcelo Collar ao falar sobre os eufemismos que usamos com medo de ser enquadrados em algum artigo do código penal.

    Negro é negro. Não preciso chamá-lo de afro-brasileiro. Gay é gay, homossexual é um sinônimo. Preconceito é sugerir que chamar um negro de negro, ou um gay de gay, possa ofender qualquer um dos dois. Temos TODOS que deixar de lado o preconceito. Os brancos, os negros, os gays, todos.

    Tenho amigos de todos os tipos, de todas as cores, das mais variadas orientações sexuais. E os amo. Não por serem negros, brancos, gays, roqueiros ou pagodeiros. Mas porque são pessoas que me cativaram. Pessoas que eu deixei que me cativassem sem levar em conta nada que não dissesse respeito à personalidade e ao caráter. Por isso, não admitiria, jamais, ser chamada de preconceituosa. O preconceito é uma questão de consciência, e consciência não pode ser branca, nem negra, nem parda. Tem que ser, apenas, limpa.

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    21 de Novembro de 2008 às 5:36 pm



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