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Andrei Andrade
Estagiário de Jornalismo
Dezembro. Dos dias derradeiros de 2009 e do espÃrito de Natal. Gosto do Natal. Gosto na mesma medida em que não me filio à s comemorações de ano novo. Apenas de corpo presente.
Como tudo na vida, o que penso destas duas datas está ligado às lembranças que elas ativam. E das lembranças surgem um conceito, obviamente pessoal. Este de que o Natal é alegria, ano novo é melancolia. Talvez o que falte ao ano novo seja apenas uma boa jogada de marketing.
A virada de ano carrega consigo a inexorabilidade do tempo, este inimigo. E debruçar-se no pensamento sobre o tempo que voa – caso do 31 de dezembro – não é tão confortável quanto lembrar o tempo que passou, para acariciar as boas lembranças. Como se faz numa corriqueira tarde ou noite de quinta-feira, por exemplo.
Que me perdoem os seguidores do lema “ano novo, vida novaâ€, mas isto pra mim nunca existiu. Nada de bom ou ruim aconteceu, ou deixou de acontecer, porque um ano se foi e o outro chegou. Já sei o que quero de 2010, mas por que deveria saudar a sua chegada como um grande acontecimento? Sempre imaginei que ele chegaria.
Embora não seja um entusiasta dos amigos-secretos, da ceia familiar, dos gastos com presentes ou do nascimento de Jesus, reconheço que o Natal tem algo. Pode ser a alegria das pessoas que se entusiasmam com tudo isto e que assim me contagiam. Dezembro é o mês das pessoas felizes, ou menos tristes.
O último dia do ano tem sempre cara de domingo, pois não sai da minha cabeça que o ano que vem será uma grande segunda-feira. Já o mês de dezembro tem mais cara de sábado. E o Natal, este sim, é a noite de festa.
11 de Dezembro de 2009 às 3:36 pm
Andrei Andrade
Estagiário de Jornalismo
O verão é o culpado. São esses dias de sol escaldante que dão ao meu texto um certo ar de autoajuda que só no inverno consigo rebater com alguma inspiração. Por isso, o que vem a seguir é uma reflexão pouco calcada na dura realidade que nos cerca. Uma alienação. É o que a casa oferece para os próximos meses.
Pois foi hoje que percebi. Percebi que minhas maiores alegrias – e desconfio que as suas também – se deram graças a momentos em que fugi de escolher o óbvio. Com ou sem motivo, por mera curiosidade ou o extremo desespero, arrisquei o novo. Foi quando o desafio de romper com a normalidade transformou o tédio em alguma experiência marcante.
O dia a dia nos dá a opção de escolher um mesmo e confortável caminho, uma rotina segura, onde podemos minimizar a possibilidade do obstáculo. E não sou nada avesso à rotina. Gosto da minha rotina e prezo por ela. Só acho que deve ser igualmente rotineiro sair deste previsÃvel roteiro do cotidiano tão logo a chance apareça. Mesmo porque a rotina não irá fugir. Ela espera que voltemos correndo.
O óbvio é uma arma da razão. O novo é da emoção. Pouco há de subjetivo e inspirador no óbvio, enquanto que o novo costuma desobedecer ao convencional, ao trivial. É a fuga do óbvio que causa a surpresa, sensação imprescindÃvel à felicidade. O óbvio e o novo são, antes de tudo, inimigos. Onde um está o outro não está. São incompatÃveis. Para não enlouquecer, precisamos dos dois. Mas se o óbvio carrega a comodidade da poltrona do avô, o novo não é nada macio. Por isso, o estranhamos. E poucas vezes o testamos.
Sacando do meu hipocampo lembranças de momentos que me marcaram, percebo que foram todos lampejos do novo. Ocasiões de surpreendente fuga do roteiro e cujo desfecho geralmente foi – e é – conhecer alguém novo, conhecer melhor o que era tão somente um conhecido, um lugar diferente, ter uma história bacana pra contar.
Finalmente, há uma grande obviedade que aprendi. É bom renovar a vida, andar pela periferia. É bom, de vez em quando, andar na marginal.
18 de Novembro de 2009 às 2:32 pm
Andrei Andrade
Estagiário de Jornalismo
De volta à mulher perfeita, não só pela recorrente falta de inspiração que me acomete o verão. Tem um pouco de direito à tréplica, de direito de resposta. Respostas que me dão o prazer de cometer mais algumas linhas em homenagem à mulher perfeita.
Percebo que a mulher perfeita não se acusa como tal. Exponha a ela os tópicos de sua perfeição e estará estabelecido o agradável jogo do “sim, tu és, não, não souâ€. E não pense que irá persuadi-la. Porque a mulher perfeita, é bom lembrar, é inteligente. Faz parte da sua condição conduzir muito bem um jogo retórico.
Gerou boas repercussões o singelo tratado da mulher perfeita. Teve o amigo que discordou de mim em uma mesa de bar. Argumentou: “Não existe mulher perfeitaâ€. “Tens razãoâ€, respondi. É que, paradoxalmente, ser imperfeita é uma nobre qualidade da mulher perfeita. A perfeita imperfeita é mais-que-perfeita.
A segunda que compartilho veio de uma admirável integrante da classe mais do que referida. Disse estar longe de ter as qualidades necessárias – os pré-requisitos, digamos – e, por isso, não havia se identificado com a crônica. Mas a perdoei. É que a mulher perfeita não precisa, necessariamente, entender sobre mulheres perfeitas. E esse, acreditem, é um caso comprovado de mulher perfeita. Por mais que ela negue.
A terceira negação veio de uma estonteante integrante da classe. Esta, enquanto me destilava sua beleza, inteligência e simpatia, falou repetidas vezes do meu engano ao classificá-la como a mulher perfeita. Seu argumento, “não sou tão legal assimâ€, seguido de justificativas e repetido como um mantra a cada um de meus elogios, foi daqueles lindos de se ouvir calado, contemplando a inefável combinação entre a mulher perfeita e a noite. Qualquer noite. E se eu não estivesse ali, tendo a prova empÃrica de que não me enganara, talvez até acreditasse.
Por mais detalhado que se faça o diagnóstico, a mulher perfeita irá negar sua perfeição. Leitores e amigos continuarão a afirmar que ela não existe, sem que entremos em comum acordo. Mas em meio a tanta discórdia, é preciso reiterar: não desistirá este entusiasta de seguir com as homenagens.
4 de Novembro de 2009 às 2:50 pm
Andrei Andrade
Estagiário de Jornalismo
A mulher perfeita alia beleza, inteligência e simpatia. Nada mais, embora não seja pouco. Há a que se aproxima da perfeição. É a mulher que, com inteligência, sabe fazer da simpatia a sua beleza.
A mulher perfeita não precisa ser a mais bela, a mais simpática, a mais sábia. Por ser inteligente, sabe que os excessos a prejudicariam. Que a simpatia em excesso é pouco inteligente, e vice-versa E mesmo a beleza em excesso tende a ser pouco simpática.
A mulher perfeita é espirituosa. Rio muito ao lado dela. A ironia poderia ser um quarto elemento necessário à perfeição, mas prefiro considerá-la um produto da inteligência. Bela, inteligente e simpática, a mulher perfeita é pouco afeita ao não. Só um homem à beira da infantilidade lhe diria não, mas ela tampouco tem algo a pedir do homem infantil.
Poderia chamá-la de mulher ideal, de mulher dos sonhos. Mas são definições que carregam um sentido de distância, o que não é o caso. A mulher perfeita não está longe. Sequer deve haver vida longe dela. Se há, é com tristeza que me dirijo aos que vivem longe. E digo: Amigos, só a mulher perfeita dá sentido à vida.
A mulher perfeita fala bonito, ri facilmente e, quando necessário, atinge o nobre silêncio com precisão. Quando chega a noite, ela descreve como foi seu dia, e é fácil parar pra ouvi-la. Pois estar com ela é dar prioridade tão somente a ela. É a mulher perfeita. Não tem contra-indicações.
15 de Outubro de 2009 às 3:13 pm
Andrei Andrade
Estagiário de Jornalismo
Dia desses uma colega perguntou: “Tu acreditas que em 60 dias uma pessoa se torne tua melhor amiga?â€. Respondi que sim. Mas confesso que na hora não dediquei à questão o tempo necessário para encontrar um bom argumento. Pois o tema é realmente controverso, intrincado e complexo. Tanto é que hoje respondo não. Mas justifico. E com alguma convicção.
Talvez porque tenha lembrado que a boa amizade requer um pouco de nostalgia compartilhada de um tempo vivido junto. Dos bons tempos, principalmente. E se a amizade foi boa, certamente o tempo transcorrido foi bom também. Em um futuro distante, os velhos amigos serão a melhor memória que teremos de nós mesmos. É neles que iremos consultar nosso passado. São os nossos biógrafos, mesmo que não saibam.
A principal diferença do melhor amigo para os só amigos é não haver em si necessidade da prova de amizade. Posso ficar meses sem encontrar meu grande amigo, mas, quando finalmente o vejo, parece que o tempo não passou. Parece que nos vimos ontem. As amizades recentes, por mais intensas que possam ser, requerem presença, têm que ser renovada a cada dia, sob o medo iminente de perdê-la. Como saber, em 60 dias, se o sentimento irá permanecer na inevitável ausência do contato diário com o amigo?
Finalmente, discordo daquela máxima, daquele clichê que considera bom amigo o das horas ruins. Já digo aos novos que sou um péssimo amigo pras horas ruins. Não nego um ombro, mas tampouco acredito na eficácia desse ombro no combate às maiores dores que nos afligem. A dor é tão pessoal quanto o combate a ela. Por isso, poupe o amigo da sua dor. Principalmente, o velho amigo. Principalmente, porque ele irá senti-la também.
8 de Outubro de 2009 às 3:59 pm
Andrei Andrade
Estagiário de Jornalismo
Sigo de licença e reclamando. Antes, o futebol. Agora, a música brasileira. Quero saber, afinal, por que não se fazem mais gênios como antigamente? Quando teremos um novo Chico, um novo Jorge Ben? Uma nova parceria histórica, como as de Tom e Vinicius, João Bosco e Aldir Blanc? Músicas perenes como Samba da Benção, Sampa, O bêbado e a Equilibrista? Em meio aos novos nomes deste cenário obscuro, fico a me perguntar: Teremos boa música popular brasileira novamente?
Não quero viver resgatando o passado para ouvir bons artistas nacionais. Ano passado, a revista Bravo trazia em uma reportagem a nova geração da MPB, elencando os principais nomes da renovação. Citarei-os: Rômulo Fróes (compositor), Jonas Sá (letrista), Nina Becker (cantora) e Catatau (guitarrista). Se você não ouviu nenhum deles, não vou ser eu quem dirá para não o fazê-lo. Mas enquanto as promessas da nossa música forem essas, declaro que estou de licença. Não serei ouvinte dessa música. Tô fora.
Não que seja ruim ou de mau gosto. Até não é. Mas é enjoativa, não gruda no ouvido. Como o livro que é bom até a 20ª página e perde o fôlego. A boa música brasileira é de outra ordem, é de saber de cor, é de parodiar de tanto que estão impregnadas em nossa cultura. Não pode ser uma música bonitinha na forma, mas esvaziada de conteúdo, como as que compõem a maioria dos novos nomes da MPB.
A mÃdia não dá atenção aos novos talentos. Eles não dão valor à mÃdia. Longe da massa, tudo o que fazem é experimentação. Mas é uma música que é experimental só para ser experimental, não se quer chegar a nada. Do que tenho ouvido, poucos realmente me agradam: a cantora Céu, por exemplo, e o baterista e cantor Curumim. Com direito a link para o Myspace, recomendo ambos. Porque além de tudo, alguém tem que recomendar, pois a música popular brasileira hoje pode ser tudo, menos popular.
22 de Setembro de 2009 às 4:06 pm
Andrei Andrade
Estagiário de Jornalismo
Grêmio, só no ano que vem. Seleção brasileira, só depois do Dunga. Copa do Mundo? Provavelmente, só em 2014. Devido ao cenário atual, proclamo que estou deixando de lado o futebol. Quem sabe vire um noveleiro, não sei bem. Vai depender dos primeiros capÃtulos da próxima novela.
Explicações. Primeiro, o Grêmio. Todo mundo sabe que é a emoção que move o futebol, não é outra coisa. E já faz tempo que os jogos do tricolor alteram menos os meus batimentos cardÃacos do que qualquer outra coisa. Até o Tele-Domingo tem me atraÃdo mais. Tenho assistido a uma equipe lenta e burocrática, de um técnico que escala sem nenhuma convicção, que já afirmou querer transformar em europeu o mais latino dos clubes, pelo menos no imaginário dos torcedores. Agora imagine tudo isso em um cenário que apresenta o grande rival como o maior candidato à s glórias que nos são negadas, e veja se minha indiferença ao futebol não é mesmo uma imposição.
Já a seleção é tão sem sal que vou citá-la apenas brevemente. Luis Fabiano é, sem dúvida, um ótimo centroavante. Mas o coitado carece de marketing pessoal. Como consumidor do futebol, troco dez gols dele por um do Fenômeno. Uma seleção que ganha todos os jogos só tem graça quando dá show. Fazer quatro gols mas não dar um belo chapéu no adversário – como nos bons tempos do Ronaldinho Gaúcho – não dá o menor orgulho de ser brasileiro. Gostar de ter o Kaká como craque é como querer ficar bêbado sem querer beber. É pensar só no resultado. Que graça o povo vê no Kaká, que é brilhante, mas totalmente previsÃvel?
Só falta agora alguém querer que eu assista a uma Copa do Mundo sem a Argentina. Quem torce contra a Argentina certamente gostaria de ver uma final entre Brasil e Equador. Um jogo para a História, sem dúvida. Do Equador. Certo, não é a ausência do time de Maradona que tiraria meu interesse pela Copa. Mas considerando que na Europa a situação de Portugal e França é bastante semelhante, enquanto a Sérvia e a Dinamarca já estão praticamente garantidas, aà sim o Mundial da Ãfrica tem tudo pra ser um passeio de Dunga, Kaká e Luis Fabiano. Da nossa seleção, tão emocionante quanto um microondas. Quanto um Grêmio europeu.
11 de Setembro de 2009 às 3:08 pm