Sexta-feira, 18 de Maio de 2012
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    Eternamente Beatles

    Lorena Risse
    Estagiária de Jornalismo

    É nesta quarta-feira, 9/9/2009, que os fãs de Beatles podem matar de longe a saudade do quarteto mais famoso de Liverpool. Serão lançados dois produtos que farão a cabeça dos adoradores da banda do mundo todo. Se aqui em São Leopoldo já virou a minha, imagina a dos Norte-americanos que os terão nas mãos com o cheirinho de fábrica? Trata-se do lançamento do ano no setor musical. O jogo The Beatles: Rock Band e nada mais nada menos que a discografia remasterizada da realeza do rock.

    As duas produções chegam às lojas dos norte-americanos e europeus como um marco. A chegada dos Beatles no catálogo digital é a prova de que o sucesso da banda foi tão grande que perdurou até o século XXI. São músicas cantadas e tocadas, roupas e cabelos remontados e a emoção de ser os Beatles, tudo isso nas suas mãos.

    A cara do game

    A cara do game

    Mas, vamos falar mais destas produções. Primeiro do jogo: ele foi produzido pela Harmonic em parceria com a Eletronic Arts e a MTV. Quando ligado, ele transporta pela primeira vez na história Paul, John, George e Ringo para o mundo digital. No game, o jogador percorrerá toda a trajetória feita pelos Beatles, dede os primeiros shows no The Cavern Club, até a sua última apresentação oficial, no telhado da gravadora Apple Records. Ele poderá ser jogado no PlayStation 3 ou no Xbox 360, como você quiser. Além do jogo serão lançadas guitarras idênticas as Rickenbacker e Gretsch, de John e George, e ao contrabaixo Hofner imortalizado por Paul.

    A segunda produção é a coleção completa de discos da banda toda remasterizada. Os cd’s virão com encartes cheios de fotos raras da banda e com mini-documentários que contam a história da produção do álbum a partir de fotos, vídeos e conversas dos Beatles em estúdio.

    Agora é só esperar essas belezuras chegarem ao mercado brasileiro e desfrutar da genialidade de Paul, John, George e Ringo. O amor pela banda e o prazer escondido em cada letra e em cada riff de guitarra é o que faz com que eles tenham este tamanho reconhecimento e que possam fazer parte da realeza do rock.

    8 de Setembro de 2009 às 5:47 pm

    Galáxia à esquerda de Saturno

    Lorena Risse
    Estagiária de Jornalismo

    Meus lábios estavam secos e meus pêlos ouriçados, ele protegia meus braços do frio, mas meu coração já havia congelado.

    As mãos dele eram macias, mas não encontravam o caminho da minha tranqüilidade. As palavras que saíam da sua boca eram doces, mas meus ouvidos eram amargos demais para escutar. O céu estava cravejado de brilhantes, as flores estavam florescendo, o vento estava cuidadoso com meus cabelos e as pessoas estavam radiantes, mas eu? Onde eu estava?

    Eu estava em uma galáxia distante que sazonalmente eu ia visitar.

    Lá tinha tudo com que eu me importo: um sol radiante e quente, flores de todas as espécies deitadas como um tapete, uma grama verde que era melhor do que qualquer colchão, árvores protetoras e pessoas…Pessoas de todas as cores e tamanhos, diferentes fisicamente, mas com o mesmo desejo de ser feliz.

    Pessoas que olham para o lado com um sorriso no rosto e não se incomodam se você chorar no ombro delas, pessoas que escrevem poesias de noite e sempre acham que elas são as melhores de todas e sempre as guardam na gaveta ao lado do computador, pessoas que deixam rolar uma lágrima de felicidade ao ver uma criança sorrir, pessoas que deitam no asfalto e olham os brilhantes no véu negro e acreditam que o dia seguinte será melhor… Essas pessoas existem lá, é uma pena que só lá…

    Essa galáxia é conhecida por algumas pessoas, sim! Ela não é uma projeção só minha…

    Ah como eu queria que ele tivesse o passaporte para lá… Queria, mas infelizmente neste caso, querer não é poder.
    Retornei á Via Láctea com a voz carinhosa dele, dei um sorriso amarelo e pensei comigo mesma: “Como eu queria…”, queria que ele fosse outro alguém, queria que ele fosse o cara que guia o trem que parte sazonalmente para aquela galáxia, mas ele não era… Ele era apenas o cara que fecha os portões da estação daquele mesmo trem.

    Talvez eu estivesse querendo demais, mas o que fazer?
    Eu sou assim! E talvez você seja…

    Alguém sedenta por pessoas que viajam no balanço de alguma música, de pessoas que se entregam aos carinhos dos ventos das manhãs, pessoas que passam sorvete no rosto de quem lhes faz bem, pessoas que simplesmente dão um beijo na testa de boa noite e desejam bons sonhos.

    Às vezes acho que tenho que mudar, mas não para outro estado (isso eu já fiz), mudar para aquela galáxia que fica á esquerda de Saturno, no buraco negro nº 8 que espera pela minha volta…

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    28 de Julho de 2009 às 4:59 pm

    Esse tal que me invade

    Lorena Risse
    Estagiária de Jornalismo

    Descobrir na minha 18ª primavera o que meu corpo vai implorar pra fazer durante todo o resto do nosso período aqui neste plano. E isso, acredite, é pra poucos. Descobrir a sua verdadeira paixão e respirar fundo a essência dela todos os segundos que se seguem ao longo de um dia, semana, mês, ano… A vida é uma dádiva.

    Eu, essa paraense que vos fala, fui tocada pela certeza. Pelo menos uma vez na vida tive clareza daquilo que meu órgão vital estava me dizendo, com as batidas mais aceleradas, com a respiração ofegante, com um suor prazeroso descendo pela minha têmpora e por um suspiro invejável… Por tudo isso e mais um pouco eu tinha certeza.

    Tive tanta certeza que resolvi escrever este texto em primeira pessoa, deixando personagens para os contos e os achismos de uma história que eu apenas gostaria que fosse verdade. Coloco-me como sujeito neste texto porque agora não se trata de sonho, e, sim, de um sopro de realidade.

    Vi minha imaginação pairando por lugares novos e a lua brilhando branca no véu imaculado daquela quinta-feira. Vi o vento soprar contra o meu rosto e, pela primeira vez neste mês gélido, não cortar minha pele. Senti meu ego inflar tanto que seria capaz de me servir de air-bag em qualquer possível acidente de percurso.

    A paz que eu procurava sedenta pelas esquinas, pelas avenidas, eu encontrei quando pude me deitar nos braços dele, quando pude me abrir por completo e me satisfazer intensamente, quando senti que tudo era recíproco e quando eu pude ver que a alma dele já tinha me contemplado com a sua verdade e pureza.

    Tocar teclas mágicas, gesticular palavras que jamais serão ouvidas, apenas decifradas, fazer escorrer de dentro da minha aura uma luz que iluminará a mente de outros. Estranhos. Ter o poder nas mãos e fazer uso dele de todas as formas possíveis, provocando amor alheio, fúria, revolta, dor, passividade e o melhor, provocar a identificação imediata com os meus códigos de linguagem.

    Ele é tão forte e sem escrúpulos, tão tenro e ao mesmo tempo tão frágil.

    Descobri em um dia de semana frio, pálido, cansativo e solitário que a habilidade de mexer com as palavras era a chave para um sorriso eterno, para um gozo múltiplo, para uma entrega completa, para uma mina de ouro, para um orgulho que me levaria aos céus, bem perto das flores de laranjeiras, perto daquelas andorinha e daquelas coisas brancas feitas de algodão que encobrem aquele caminho colorido para um mega pote de ouro.

    Descobri uma paixão que não envolve sexo, que não envolve sentimentos cinza, que envolve apenas dedos, percepções e pensamentos.

    Descobri esse tal de jornalismo…

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    21 de Julho de 2009 às 4:45 pm

    É aqui e agora

    Lorena Risse
    Estagiária de Jornalismo

    Olhando certos desastres e acontecimentos negativos pelo mundo afora pude perceber o quanto as pessoas deixam de dizer o que realmente é importante enquanto têm tempo para isso.

    No top da lista dos desastres lucrativos escolhidos pela mídia está o acidente da Air France com cerca de 230 pessoas mortas. Além da enxurrada de notícias repetidas incansavelmente ao longo do dia temos um curioso surto de solidariedade entre desconhecidos. São comunidades, perfis, mensagens, telefonemas… Todos de pessoas que familiares e amigos jamais viram na face da terra, mas que insistem estar completamente desolados com o que aconteceu.

    Não estou aqui instigando o egoísmo e a impessoalidade, não, estou apenas pedindo para que a hipocrisia pare de reinar pelo menos por um instante entre nós, eu disse pelo menos um instante.

    Para aqueles 250 mil membros da comunidade do viciante Orkut, creio que mais de 45% dos adeptos nem sabem, nem fazem a menor ideia da vida do falecido. São mensagens altamente particulares, que fariam o defunto revirar na cova, no caso afundar ainda mais no Oceano Atlântico.

    Frases típicas desses tipos de buracos cibernéticos são: “estou contigo onde quer que estejas” (E se a pessoa em questão estiver num lugar não muito agradável? Quem vai saber, né?); “estaremos rezando por ti” ( Me digam, o defunto tem algum tipo de wireless altamente potente para entrar no Orkut e ter a ótima notícia de que um bando de desconhecidos mentem ao dizer que estão rezando por ele)…

    Não, não, as mensagens são as mais hilárias possíveis, então, leitor, a proposta deste texto é que aproveitemos cada segundo, que as palavras sejam ditas nos momentos certos, que os beijos sejam dados enquanto os lábios ainda estiverem quentes e avermelhados, que os abraços possam ser mútuos, que as demonstrações de amor possam ser vistas enquanto há tempo.

    Diga a quem te ama que esse amor é recíproco, lembre de colocar comida pro teu cachorro, gato, coelho ou qualquer bicho que tu tenhas, diga bom dia para aqueles que tu desejas de verdade, diga obrigada para tudo o que fazem por ti, olhe pro lado e beije o teu amor como nunca beijou antes e faça tudo para que a tua existência seja boa o bastante para que no final da tua vida tu não tenhas que receber todas estas homenagens pela internet e ter que descolar uma wireless dos céus, ou dos infernos pra desfrutar do prazer de ser amado.

    Faz valer à pena tua estada neste pequeno cosmos de amor, para que o universo te dê a eternidade para revivê-lo.

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    1 de Julho de 2009 às 4:43 pm

    O verdadeiro paraíso terrestre

    Lorena Risse
    Estagiária de jornalismo

    Estava finalmente a mais de cem milhas do arranha-céu mais próximo e sentia a liberdade sussurrando ao pé do meu ouvido.

    O sol entrava pela janela do carro e os ventos anunciavam o desembaraçar dos meus cabelos. A paisagem passava rapidamente pelos meus olhos, mas mesmo assim eu decorava cada detalhe que vira.

    A estrada estava deserta, sem nenhum daqueles sons gerados pelos sentimentos urbanos, sem nenhuma preocupação com horários ou com pessoas, apenas um caminho a ser seguido.Ao virar à esquerda, eu pude avistar meu destino. “Enfim a sós”, eu disse ao velho amigo que se aproximava a cada segundo.

    Ele estava do mesmo jeito que eu encontrara da última vez que nos vimos. A ocasião foi em novembro do ano que passara, um verão recém chegado e uma vontade imensa de me deitar em seus braços fortes e maleáveis, vontade de deixar meus cabelos serem salgados pelos seus beijos e de me deixar mergulhar na sua voz sublime.

    O lugar estava extremamente iluminado, a temperatura me fazia transbordar de prazer, a textura do chão era familiar, a linha do horizonte me mostrava onde eu queria chegar e o velho amigo estava pronto para ouvir minhas confissões.

    Rapidamente senti minhas vias nasais sendo invadidas pelo cheiro de tranquilidade, senti minha pele se enchendo de minúsculas partículas de sorrisos, senti meus pés serem cobertos de liberdade e o meu órgão vital avermelhado perdendo todos aquelas aflições que à milhas me entristeciam.

    Vagarosamente eu dei os primeiros passos em direção à ele. Despi-me de todas aquelas cascas inúteis e como uma apaixonada esqueci a palavra que deu início a esse parágrafo e corri para os lindos lençóis azuis.

    Cinco segundos em estado de transe, meu corpo estava envolto pelo segundo estado físico da matéria, meus pulmões armazenavam o terceiro estado e o primeiro era encontrado no fundo, onde meus pés tentavam chegar.

    Era tão bom retornar, era tão bom ver o velho amigo mar, era tão bom purificar meu peito e esquecer todos os defeitos de uma vida urbana.

    Soberano Sol, crianças, lençóis azuis, sapatos sem cadarços, areia da cor da paz, mente limpa… Sentindo tudo isso eu pude enfim entender o quão grandiosa é a obra prima do artista, o quão ínfimos somos quando o assunto é natureza e o quanto eu sou grata pela dádiva de poder sentir o aroma de maresia, sentar em um tapete natural e olhar o espetáculo do pôr-do-sol.

    O final desse reencontro não podia ser diferente, abri os braços e agradeci a quem deveria por ter me mostrado o caminho do verdadeiro paraíso terrestre.

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    16 de Junho de 2009 às 4:51 pm

    S.O.S Ressaca

    Lorena Risse
    Estagiária de Jornalismo

    Ressaca: Indisposição do bêbado após curada a bebedeira; enfado provocado por noite passada em claro. [Dicionário Aurélio]

    Uma das coisas que sempre acontece com as pessoas quando elas passam a se achar mais do que elas são é o porre. Bebe-se para comemorar, para esquecer, para lembrar, para se iludir, para se soltar e até para ter o que botar pra fora no dia seguinte.

    O fato acontece principalmente nas saídas na calada da noite em que mulheres e homens resolvem desfrutar de algum elixir alcoólico. Estes representantes da espécie humana são acometidos, na maioria das vezes, por um fulminante surto de solidariedade cristã e decidem fazer caridades por onde passam. Feios/feias são felizes por alguns minutos e algumas vezes a potência da bebedeira é tão grande que os/as fazemos acreditar que no dia seguinte vão ter café na cama e um cafuné para os dias frios.

    O único problema de exercer esse papel altamente alcoólico é quando o ator vai parar naqueles motéis lúgubres e pestilentos onde homens e mulheres exalam o último suspiro, seja ele de prazer ou de alívio estomacal. Aliás, existe o outro problema… Quando se vai pra casa e se depara com os bramidos cuspidos de pais que se dizem desapontados e por um minuto são confundidas com aquelas velhas prostitutas que vivem pregando a castidade.

    Depois disso vem aquele sono, aquele sono incontrolável que pode se desenvolver em cima de uma cama de casal, solteiro, de uma privada ou até mesmo na sarjeta, e neste último caso tem a ilustre presença do cachorrinho que te acorda com uma sensual lambida na bochecha, ou aqueles que são mais chegados, na boca.

    Não esquecendo aquela sensação de estar na maior roda gigante do mundo… Privada – pia, privada – pia, priva – pia, pri pi, p p …Finalmente a chegada dos esporádicos jatos de vômito.

    Após resgatar todas as forças existentes no caco humano o qual você se parece é bem provável que você sinta umas marteladas básicas na cabeça, é como se você estivesse escutado aquela música do tão querido e criativo Reginaldo Rossi… Durante toda a sua existência você nunca teve tanta vontade de achar um machado para partir o próprio crânio só pra ver se ele sai dali de dentro e dá uma canja ao vivo.

    O que varia de bebum pra bebum é a amnésia que se instala na mente do cabra. Esse estado mental varia de acordo com o nível de álcool injetado no seu corpo, ou seja, os bebedores master quase sempre se esquecem das grandes e filosóficas frases e atitudes que foram tomadas na noite anterior.

    Dentre as lembranças que os amadores conseguem obter destacam-se as dancinhas infelizes e fora do ritmo, coragem para brigar com uma cidade inteira, gritos desvairados de amor, exposição da sua anatomia, cuspidas incessantes, beijos suculentos em pessoas de beleza inestimável e de cultura totalmente classe A…Sim…as lembranças são as melhores possíveis.

    No final de mais um dia temos a chegada das juras de nunca mais colocar uma gota de qualquer líquido que advenha da cana de açúcar na boca e se inicia ali o processo de atormentar aqueles corajosos que ficam com você na ressaca. Mas todas as promessas são em vão, porque no próximo final de semana vem aquela cambada de biltres te convidando pra atravessar a rua e sentar naquela boa e velha cadeira amarela de plástico com o nome da causadora de todos esses parágrafos colado na parte de trás, juntamente com aquele bando de copos recheados de liquidos suculentos de coloração amarela, marrom, verde e tem até aqueles que são tão engabeladores que são transparentes, sim…

    Aí temos que reler o texto com muita esperança de que um dia ele possa ser deletado dos nossos arquivos pessoais e mentais.

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    26 de Maio de 2009 às 5:25 pm

    Portões de [des]embarque

    Lorena Risse
    Estagiária de Jornalismo

    A alegria de reencontrar aqueles que a geografia separa é uma das melhores sensações humanas. Sarah sabia disso e esperava ansiosamente pela aeronave que trazia no seu interior as duas pérolas que completavam seu colar.

    O coração pulava dentro da cavidade cardíaca e suas mãos estavam geladas, os olhos ferviam em suas órbitas e os lábios já estavam mordidos, as unhas eram inexistentes e a respiração ofegante, até que uma voz mecanizada de timbre doce anunciara que era chegada a hora de o sol brilhar.

    O portão de desembarque floriu-se, as hastes metálicas transformaram- se em troncos lapidados de madeira, os guardas eram vendedores de flores, as portas de vidro desmaterializaram e uma vasta arena fora vista. A brisa era fresca e as aves pairavam sobre nós como se saudassem os bons fluídos.

    De repente, os olhos de Sarah sentiram o prazer de admirar a melhor das imagens, as narinas puderam sentir aquele perfume que há tempos não sentia, as mãos puderam tocar os rostos morenos, o coração pôde se acalmar diante daquele tesouro.

    Durante algumas semanas ela pôde confessar todos os segredos guardados, pôde pentear os cabelos mais lindos do mundo, pôde rir de todas as coisas que mereciam tal graça, pôde admirar o nascer do sol, pôde dizer a cada dia a frase mais purificadora de todas, aquela que os iluminados falam e os sortudos escutam, aquela…

    Percebeu quanto o tempo passa rápido quando se está com quem se ama como as noites e os dias são confundidos com tardes, como lavar louça se torna um bom motivo para rir, como fazer o almoço se torna uma das melhores horas do dia, como dizer “Boa Noite” traz bons sonhos.

    Como a vida dela era igual à de todos os mortais, teve de abdicar daquilo que a fazia feliz… Daquelas duas pérolas.

    Era chegada a hora da passagem de volta… A mala fora arrumada com lágrimas nos olhos, o banho foi tomado com uma angústia do peito, o café estava amargo… O caminho estava cinza e o céu foi descolorindo ao passo que íamos chegando. As mãos estavam coladas com uma cola especial, os corações estavam apertados e o choro estava engatado na garganta…Ao chegarem ao grande portão de desembarque, não o reconheceram, era cravado de pilares de concreto, as portas eram de um vidro fosco, as hastes que foram de uma linda madeira haviam voltado ao metal, as aves negras voavam em círculos e não havia nenhum rastro de brisa…

    Logo a voz metálica se pronunciou com um timbre grave e perturbador, era hora do sol se pôr e a chuva dar o ar da sua graça…

    Sarah sentiu seus olhos secarem, suas mãos perderem o sangue, a garganta arrebentando e os rostos se afastando… A imagem perfeita se perdia no meio da multidão apressada deixando para trás um coração amarrado em faixas brancas.

    Como um lugar pode ser tão forte assim?


    Portões de aeroportos, rodoviárias, estações de trem… Todos eles dão ou tiram a melhor sensação humana, dão o sorriso a um rosto triste, tiram o brilho dos olhos de alguém, devolvem a certeza de que o amor existe, acabam com qualquer caixa de lenços, provocam explosões sentimentais, dão força para seguir em frente e lutar para que o próximo reencontro possa ser melhor do que o que se passou…

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    28 de Abril de 2009 às 4:22 pm



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