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Raquel Piegas
Estagiária de Jornalismo
O diferente nos assusta. Quando nos deparamos com situações inusitadas ou até mesmo sensações que não fazem parte de nossa individualidade, quase sempre agimos como cavalos, que possuem viseiras laterais para que seus olhares foquem somente no horizonte e sua atenção não seja desviada pelo que está acontecendo à sua volta.
Nós, humanos, não nos diferenciamos muito disso no dia-a-dia. O gordo, o feio, o magro, o belo, o estrangeiro causam estranhamento. É difÃcil conviver com diferenças que de certa maneira nos agridem. Por isso, muitas vezes nos fechamos ao diálogo, aos diferentes pontos de vista e à s razões que levam as pessoas a serem como elas são.
É sempre mais fácil não ver. Manter os olhos bem fechados, ou simplesmente enxergar somente aquilo que gostarÃamos de ver, e tratar isso como uma verdade absoluta. Mas a vida, meu caro, é muito mais do que aquilo que nossas viseiras sociais permitam que a gente veja. É mais fácil trancar o portão quando alguém bate à nossa porta para pedir alimento. É mais fácil fechar o coração por medo de viver uma paixão.
No entanto, quando fechamos os olhos para apontar o dedo para as diferenças, impedimos que os outros nos enxerguem. Tornamo-nos conhecidos pelo comportamento agressivo, pela anti-sociabilidade, pela falsa timidez. Nosso mundo se resume ao interior. Enquanto isso, a vida passa, passa, passa… E os olhos continuam voltados para dentro. Ou tristemente fechados.
2 de dezembro de 2009 às 5:39 pm
Raquel Piegas
Estagiária de Jornalismo
Diante da repercussão de minha última opinião no Portal3, fui procurada pela revista Amapá, concorrente da Piauà e com uma tiragem destinada somente aos mais seletos cÃrculos intelectuais do Brasil, para um pequeno bate-papo. Abaixo, trechos da entrevista.
Revista Amapá: Raquel, em primeiro lugar, não se pode deixar de notar que mudaste teu sobrenome de Piegas para Niquenta. A que se deve isso?
Raquel: Bem, desde criança sofri piadas de extremo mau gosto com o meu sobrenome. Muitos desconhecem a origem espanhola dele. Como venho de uma famÃlia nobre, decidi adequar-me ao meu sangue real e ter um sobrenome que transmitisse minha nobreza e meu alto grau de intelectualidade. Escolhi Niquenta porque tem o mesmo significado, mas soa mais agradável.
RA: Quem te conheceu há duas semanas no mÃnimo se espantou com tua mudança. Explique melhor o porquê dela e fale mais de teus novos hábitos.
Raquel: Decidi me desvencilhar de certos costumes que percebi não agregarem nada à minha vida. Passei a ouvir Mutantes enquanto leio As Artérias Abertas da America Latina, do Galeano. A partir desses novos hábitos e conhecimentos adquiridos em menos de duas semanas, decidi encarar acontecimentos em minha vida sob uma nova ótica. Atualmente estou mais racional e só respondo a estÃmulos – positivos ou não –  quando há uma necessidade extrema de que o faça. Acredito que assim possa ser melhor aceita na sociedade atual.
RA: Não seria “As Veias Abertas da América Latina�
Raquel: Sim, perdão… É que ainda estou me acostumando à vida intelectual.
RA: Fale um pouco de seu futuro acadêmico e profissional.
Raquel: Bem, depois da repercussão da opinião que escrevi no Portal3, decidi tomar novos rumos. Vou tentar o vestibular 2010 da Uniban pra Turismo.
RA: Alguma coisa que não foi dita que gostarias de falar?
Raquel: Sim, claro! Acredito que quando tens uma opinião cuja maioria discorda, o melhor a se fazer é mudá-la. Assim é que se vive em sociedade. Finalizo com uma frase de Churchill: “O que espero, senhores, é que depois de um razoável perÃodo de discussão, todos concordem comigo.â€
11 de novembro de 2009 às 3:56 pm
Raquel Piegas
Estagiária de Jornalismo
Intelectual que assim se intitule adora criticar o modo de viver alheio. Principalmente no que diz respeito às chamadas futilidades. Obviamente, o alvo principal são as mulheres. Fúteis por usar maquiagem, arrumar o cabelo, preocupar-se com o peso ou pela paixão por sapatos. No caso dos homens, pelo fato de gastarem horas e horas polindo o carro, conhecerem marcas de cerveja ou passarem a semana esperando o domingão de futebol.
Porém, há uma crÃtica mais ampla, e ela se refere à humanidade em geral. Intelectual ferrenho geralmente acha que relacionamentos amorosos são dispensáveis, que sexo só serve pra procriar, televisão aliena e por aà vai. Ou seja: o mundo está ao contrário, e só uma pequena parcela da população irá se salvar por encarar os dias aqui na terra com racionalidade irritante.
Nós, comunicadores, somos fortes candidatos a nos tornarmos pseudo-intelectuais. É Piauà pra cá, é Bravo! pra lá… E tome Marx, socialismo de boutique, Chico Buarque, Mercedes Sosa e cinema independente europeu. Sem falar das discussões ferrenhas sobre a “atual conjuntura polÃtico-econômica-socialâ€. Haja gerador de lero-lero.
Pois apesar de ler Piauà e achar o Chico Buarque bem melhor que o José Mayer, faço um manifesto a favor da futilidade. Nada melhor que aproveitar os prazeres dispensáveis da vida tomando uma cervejinha com os amigos e discutindo futebol numa mesa de plástico. Sejamos meros mortais e encaremos os fatos: estamos aqui a passeio. Não há tempo para intelectualidades.
29 de outubro de 2009 às 4:48 pm
Raquel Piegas
Estagiária de Jornalismo
Meados de 2006. Decido incluir a minha mãe no mundo digital, ou seja, Orkut e MSN. Isso porque vim estudar em outra cidade, e seria ótimo um canal de comunicação com ela. Além do mais, ter uma mãe por dentro da internet seria cool.
No inÃcio, foi como ensinar alguém a escrever, e por isso mesmo foi divertido. Quando parti para São Leopoldo, em janeiro de 2007, ela sabia razoavelmente explorar o Orkut e o MSN. E não é que bastou eu sair de perto para ela ficar desenfreada? Eu confesso que me arrependi, porque desde então ela não tem outro assunto comigo quando vou pra casa: Filha, como eu faço pra colocar fotos? E bloquear pessoas? E deletar do Orkut? Pô, mãe… vim pra descansar! É só eu chegar perto dela enquanto está no MSN para ela fechar a janela. Quem fazia isso era eu, aos 16!
Outro dia ela veio com a história de instalar webcam. Fiquei com medo. Que diabos minha mãe quer com uma webcam? Meu pai não tem MSN! Não deixei. Já que os papéis estão se invertendo, que seja por inteiro. Como toda teimosa que se preze, lá foi ela fazer um curso de informática. Aprendeu tudo e mais um pouco, inclusive a usar a maldita webcam. A novidade da vez é a compra de uma câmera digital com “maior resoluçãoâ€, para tirar fotos e – adivinhem – colocar no Orkut.
O meu consolo é que sei que não sou a única a enfrentar esse problema de inclusão digital materna. Uma amiga revelou em uma conversa as desavenças enfrentadas depois que sua mãe decidiu entrar no Orkut. É um saco, não tem limites! Quero minha mãe de volta!, desabafou ela, tensa. Mas, como de tudo se tira uma lição, admito que só assim para eu entender o quão trabalhoso foi pra ela ser mãe durante minha adolescência. É prova de fogo. Ao menos minha mãe ainda não tem twitter. Empenho não faltou da parte dela, mas já avisei: Pô, Mãe! Twitter é pra menores de cinquenta! Maldita inclusão digital.
22 de outubro de 2009 às 3:14 pm
Raquel Piegas
Estagiária de Jornalismo
Por que uma mulher seria melhor ou pior que um homem na presidência? DifÃcil questão de ser respondida. Talvez porque não exista uma resposta plausÃvel. No Brasil, temos duas possÃveis presidenciáveis. A candidata do presidente, Dilma Roussef, e a mais recente integrante do Partido Verde, Marina Silva.
Dilma, a exemplo da senadora Ideli Salvatti, é uma mulher pitbull. Ou seja, defende com unhas, dentes e um pouco de irracionalidade as suas ideias. Segundo o que dizem nos corredores da polÃtica no Brasil, ambas são temidas pelos colegas porque possuem um temperamento forte e agressivo. Essas caracterÃsticas fazem parte da essência feminina? Até onde eu sei, dizem por aà que mulher sabe lidar melhor com gente…
Exemplos de mulheres no poder em terras tupiniquins não faltam. Infelizmente, vergonhosos. A governadora do Maranhão, Roseana Sarney, cuja conduta é altamente questionável e hereditária, possui dólares que desconhece. Para ferir o bairrismo de alguns leitores, temos também a nossa governadora, Yeda Crusius, que além de viver sob constante ameaça de impeachment, quase pega fogo ao acender a chama crioula.
Na Argentina – e não é implicância de brasileiro – temos a Christina Kirchner, que conta com mais botox na cara do que ideais polÃticos. Além de tudo, tem como esporte predileto mandar fechar jornais por aà e depois negar de forma veemente o ato.
No inÃcio do texto, citei Marina Silva. A possÃvel presidenciável possui um pulso firme ao defender suas ideologias. Seu discurso polÃtico pode soar retrógrado, mas independente de seu partido ou posição, Marina merece crédito somente por sua trajetória de vida. Ter firmeza em suas afirmações sem perder a fragilidade feminina tem se tornado um diferencial em tempos de candidatas ferozes. Mas doçura não casa com poder.
Gênero não define idoneidade ou ideologia. Traçar comparações e principalmente apontar diferenças baseadas no sexo pode explicar muito tiro no pé que o eleitor brasileiro dá a cada eleição. Antes de debater o “ser homem†e o “ser mulherâ€, é preciso rever a polÃtica brasileira.
24 de setembro de 2009 às 5:53 pm
Raquel Piegas
Estagiária de Jornalismo
Responda rápido: interviu ou interveio? Não perca tempo jogando no Google ou procurando em dicionários. O certo é interveio. Tudo bem, errar é humano. Afinal, nem o ministro Tarso Genro sabia a forma correta. Isso até a intervenção do presidente Luis Inácio Lula da Silva. “Tarso, é interveio. Muita gente fala ‘interviu’, mas o certo é interveioâ€. Foi o lendário 8 de setembro de 2009, na reunião da coordenação polÃtica do governo.
Que Lula não tem ensino superior e não é o que podemos de chamar de um homem culto, especialmente se o compararmos com seu antecessor Fernando Henrique Cardoso, por exemplo, nós sabemos. A surpresa fica por conta do ministro Genro. O povo até perdoa a Sasha escrevendo “sena†em vez de cena, o Luciano Huck escrevendo Brasilian, a Vanusa tentando cantar o hino nacional. Mas o Ministro da Justiça conjugando mal e porcamente um verbo, não.

Lula: de "menas" a "en passant".
Eu imagino a cara de quem irá ficar constrangido até 2057 de Tarso Genro ao ser corrigido por um homem que até pouco tempo falava “menasâ€. Antes disso, Lula já havia mostrado sua evolução linguÃstica, como ele mesmo denominou. Em um paÃs com sede de estrangeirismos como o Brasil, o presidente popularizou a expressão de origem francesa en passant em discurso proferido na Marcha dos Prefeitos, ocorrida em abril de 2008. Agora, o presidente é chique. Além de usar palavras estrangeiras, parece que entende de xadrez ( o jogo, é claro).
Lula e Tarso Genro engordam o time de polÃticos que cometem deslizes com a lÃngua portuguesa. Reza a lenda que no governo Floriano Peixoto um ajudante de ordens bateu com certa força na porta do gabinete do presidente. Peixoto ordenou que ele entrasse e o repreendeu: “Bata com menas forçaâ€. O ajudante retrucou educadamente. “Vossa Excelência, desculpe, mas menos é verbo, não vareiaâ€. Bem, o que vale é a intenção.
O ex-metalúrgico, em seu segundo mandato como presidente da República, deu uma trégua na eleição de candidatos pelo elitismo. Não se pode negar que Lula se dá muito bem como comunicador. Com jeito simples e muitas vezes errado de falar, seus discursos comovem pelo conteúdo em sua maioria, porque “humanizam†quem, teoricamente, é o homem mais poderoso do paÃs.
O repertório do presidente pode ser minguado, mas ultimamente eu prefiro ouvir Lula vangloriando-se de ter aprendido a conjugar um verbo corretamente ou uma expressão nova do que os xingamentos ao melhor estilo rococó proferidos em sessões no Senado. Agora, com licença. Vou comprar o meu Dicionário Lula.
18 de setembro de 2009 às 5:15 pm
Raquel Piegas
Estagiária de Jornalismo
“You’re always being testedâ€. Na minha opinião, é a frase de maior impacto da brilhante série de filmes Jogos Mortais. O autor da frase, que em bom português quer dizer “você está sempre sendo testadoâ€, é Jonathan Kramer, ou simplesmente Jigsaw. Um serial killer com uma mente capaz de elaborar jogos com o que há de mais cruel. O objetivo: mostrar à s pessoas o real valor de se estar vivo, fazendo-as encarar a morte de frente. Jogos Mortais nos faz pensar.

Jigsaw: "Most people are so ungrateful to be alive..."
A estratégia de Jigsaw é extremista. Ele captura pessoas com alguma fraqueza, ou seja, qualquer uma. Em uma das passagens mais marcantes do segundo filme da série, a jovem Amanda é jogada dentro de um buraco cheio de agulhas que perfuram o seu corpo. É a punição para quem desperdiçou boa parte de sua vida consumindo drogas.
Diariamente, a vida nos coloca frente a frente com situações nas quais estamos sendo testados, mesmo que esse detalhe passe despercebido. De certa maneira, somos forçados a encarar a morte a cada passo que se dá, já que não sabemos ao certo o que acontecerá na próxima hora ou até mesmo nos próximos segundos. Sintetizando em uma frase que já é lugar comum, a vida é um jogo, com o mesmo final para todos os jogadores. A diferença é a estratégia que se usa nessa partida.
Muitas vezes é necessário passar por uma situação de risco para enxergar as coisas por um ângulo diferente. Quebrar o pé pode te mostrar a importância de caminhar, por exemplo. Ter uma tosse que não cessa constata que fumar não é tão prazeroso quanto parece. O ser humano custa a aprender. Conselhos não adiantam, nós somos movidos a experiências. “Não faça isso, você pode se machucarâ€, não basta. Testamos nossos limites e nós mesmos até nos machucarmos de fato.
A sorte é que na vida real, dificilmente serÃamos observados por um serial killer com câncer terminal, disposto a nos mostrar do pior jeito como é bom estar vivo. Porém, talvez funcionasse se ao final de cada dia alguém nos falasse ao encostarmos a cabeça no travesseiro: “Congratulations, you’re still aliveâ€.
10 de setembro de 2009 às 6:07 pm
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