Quinta-feira, 23 de Maio de 2013
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    Como fazer o TCC e não enlouquecer

    Ana Paula Figueiredo
    Estagiária de Jornalismo

    Você faz o vestibular, é aprovado e ingressa na vida acadêmica. Depois de muitos trabalhos, provas e alguns anos de estudo é chegada a hora de dar início ao temido Trabalho de Conclusão de Curso, popularmente conhecido como TCC.

    Até mesmo o mais tranquilo dos estudantes fica ansioso diante de tal missão. Alguns dizem que é um trabalho como outro qualquer, com a diferença de que é apresentado para mais de um professor ao mesmo tempo. Para outros, o TCC é um verdadeiro tormento.

    Pensando na angústia pela qual passam muitos alunos, o Portal3 foi atrás e ouviu professores e ex-estudantes em busca de dicas e orientação, com o objetivo de auxiliar os desesperados na melhor maneira de construir o seu trabalho. E descobrimos que, quando bem organizado, o TCC nem sempre é um bicho-de-sete-cabeças.

    Dicas

    Para que o trabalho tenha um bom andamento e o aluno possa usufruir bem o período, é preciso ter em mente algumas ideias.

    Segundo o professor do Programa de Pós-Graduação (PPG) da Unisinos Fabrício Lopes da Silveira, é importante que o estudante saiba bem o que quer. Para aqueles que estão matriculados em TCC I, antes de tudo, o professor aconselha conversar bastante com os professores e colegas.

    Após o diálogo, é necessário manter a organização. “É preciso confirmar o interesse, verificar se o assunto é provocante, estimulante. Pode ser, por exemplo, sobre o que mais lhe chamou a atenção durante o curso”, explica Silveira. O professor salienta ainda que é importante também que o tema já tenha foco, um bom recorte e uma boa delimitação.

    Para dar início ao trabalho, Silveira diz ser fundamental a procura por estudos e bibliografias relacionados ao tema. “É preciso ter uma noção de referenciais. Não precisa ser muito extenso, três ou quatro livros já são suficientes para começar”, avalia.

    O professor lembra ainda que a persistência também é importante. Uma das primeiras preocupações de quem vai fazer o TCC I é manter o projeto até o final e tentar aprimorá-lo. “O aluno deve aproveitar ao máximo o projeto construído”, explica.

    No entanto, não são apenas os estudantes de TCC I que têm dúvidas. Muitos alunos chegam ao final do curso sem ideia para o tema do trabalho, às vezes até já matriculados em TCC II. Por vários motivos, não são raros aqueles que trocam de assunto várias vezes, ficando, assim, sem um trabalho definido. “Esses casos são mais graves”, destaca Silveira. Segundo o professor, é importante para o aluno que chega em TCC II com dúvidas que consiga descrever os materiais concretos que se quer trabalhar, como filme ou programa de TV.

    Experiências

    Para aqueles que já ultrapassaram os processos de desenvolvimento de TCC e apresentação na banca é mais fácil definir as questões que são importantes durante a construção do trabalho. Entre elas está a jornalista Bárbara Keller, formada recentemente pela Unisinos. Ela contou ao Portal3 um pouco de suas experiências com o “terror” de quase todos os estudantes: o TCC.

    Uma das primeiras coisas que o aluno deve pensar é na escolha do orientador. Para Bárbara, isso, muitas vezes, pode ser considerado um fator determinante para a boa construção do trabalho. Ela acredita que a definição do orientador antes de começar a construção do TCC pode influenciar positivamente ou não. “É sempre bom pedir sugestões de professores e colegas para achar um orientador que entenda do objeto de estudo proposto pelo aluno”, sugere.

    Segundo Bárbara, uma das principais questões que deve estar na mente dos alunos que estão próximos de realizar o trabalho é elaborar um projeto que dê prazer em fazer pesquisas, buscar leituras. “Pensei que seria mais fácil fazer um TCC sobre um assunto que fosse do meu interesse, do qual gostasse, por isso pensei em cinema e literatura e, a partir daí, elaborei o projeto”, conta.

    Bárbara explica que, mesmo tendo o tema perfeito para o trabalho, algumas vezes é necessário modificar determinados detalhes para dar mais foco ao objeto de estudo. “Fiz pequenas alterações, alguns ajustes e foquei mais. Mas não abandonei o projeto, assim, pude começar o trabalho já com algum material e referencial teórico pronto, não precisei começar do zero”.

    Desenvolvimento

    Sobre a forma de organização, a dica da jornalista é que cada um deva buscar a que lhe for mais agradável. “A maneira que encontrei foi focar primeiro na estrutura do trabalho, quantos capítulos queria ter e quais seriam eles. A partir daí, iniciei as leituras sugeridas pela orientadora e por meio da pesquisa bibliográfica que já tinha feito na disciplina de projeto”, explica. A cada livro que Bárbara lia, mesmo que fosse só parte dele, ou alguns capítulos, fazia uma ficha de leitura. As fichas de leitura foram o jeito mais fácil que ela encontrou para se organizar. “Ao mesmo tempo que parecia que não tinha nada escrito, tinha um material extenso, sobre todas as leituras, e só precisava ‘jogar’ aquilo dentro do trabalho e organizar as ideias com as minhas palavras, com o meu entendimento sobre o assunto”, conta.

    Mesmo com as diversas atividades do dia a dia e das aulas, é possível produzir um bom trabalho. Bárbara diz que, além de escolher um tema que seja do agrado do aluno, é fundamental fazer e entender as leituras.

    “Outro passo é escrever de forma clara e objetiva, expressar as ideias sem enrolação e sem necessariamente fazer uso de palavras difíceis. Não é isso que torna um trabalho bom ou não”, salienta Bárbara. Para a jornalista, o TCC precisa estar bem escrito, o leitor precisa entender qual é o objetivo. Também é importante ouvir e aceitar as críticas do orientador, mas mostrar o seu ponto de vista, sempre que for necessário.

    Ao dar início ao trabalho, Bárbara construiu um capítulo por vez, e, ao fazer as fichas de leitura, já as fez devidamente formatadas nas normas da ABNT, para poupar tempo. Outra dica da ex-aluna é aproveitar os finais de semana, feriados e férias para pôr em ordem as ideias, e redigir o conteúdo do TCC. De acordo com Bárbara, ao final do trabalho, é preciso revisá-lo muitas vezes, ter cuidado para não repetir palavras, verificar se as ideias estão claras, se as citações estão devidamente colocadas.

    Bárbara não precisou virar as madrugadas fazendo o trabalho e até conseguiu entregar o TCC antes do prazo. “Tudo isso porque me organizei para não precisar me estressar no final”, lembra. Bárbara deixou para fazer apenas nas duas últimas semanas o resumo, sumário, introdução e conclusão, além da própria revisão. Mas, segundo ela, foi tempo suficiente para terminar tudo antes da data marcada para a entrega.

    Distinção

    Na apresentação de seu trabalho, Bárbara obteve o conceito de “distinção”, ou seja, a nota máxima, o sonho de vários estudantes. Para aqueles que pensam em obter tal feito, é preciso pensar em alguns detalhes. “Enquanto fazia o trabalho, não visava ganhar distinção, queria apenas terminar e ser aprovada”, conta. No entanto, Bárbara afirma que, com o passar do tempo e com a evolução do projeto, o desejo é de ver seu trabalho e empenho reconhecidos.

    Pensando no objetivo de tentar uma distinção, o aluno deve fazer um trabalho bem escrito, que mostre claramente o objetivo da abordagem. Durante a apresentação para a banca, o aluno deve mostrar que tem domínio do seu trabalho. “Na minha apresentação, usei tópicos para lembrar o que iria falar, mas não fiquei lendo, é preciso saber de cor”, diz Bárbara, que explica que isso também se torna evidente no momento das perguntas feitas pela banca. “Você precisa estar confiante, defender o seu trabalho e tudo o que está escrito nele”, acredita a jornalista.

    Serviço

    Muitos não sabem, mas a Biblioteca da Unisinos disponibiliza aos alunos da graduação e pós-graduação o serviço gratuito de orientação às normas da ABNT. Professores também podem solicitar o serviço, que é realizado por dois bibliotecários e um auxiliar.

    Segundo Eliete Mari Dancato Brasil, bibliotecária e responsável pelo setor de Serviço de Orientação às normas da ABNT, o estudante tem direito a 45 minutos de orientação por vez. A ajuda pode ser requerida várias vezes durante o ano, nos seguintes horários: na parte da manhã, às 9h, 10h ou 11h; na parte da tarde, às 14h, 15h e 16h. Nos meses de maio, junho, outubro e novembro, que são períodos próximos à data de entrega dos TCCs, o atendimento também ocorre à noite, nas segundas, terças e quintas, às 19h15min, às 20h15min e 21h15min.

    Eliete diz que a orientação pode ser realizada em todo o trabalho ou somente alguns aspectos. “Damos orientação de estrutura, de como fazer o sumário e citações”, explica. Para aqueles que têm dúvidas mais pontuais, como referências e citações, pode enviar um e-mail para o endereço biblionormas@unisinos.br.

    O serviço já está com a agenda lotada até 13 de maio. “O agendamento precisa ser feito com antecedência, pois há muita procura”, afirma a bibliotecária. A orientação deve ser marcada pelos telefones (51) 3590-8826 ou 3590-8829.

    Auxílio

    Além do auxílio sobre as normas ABNT, há também o serviço de apoio psicológico gratuito para os alunos que estão em situação mais desesperadora. O responsável por isso é o Grupo de Apoio aos Formandos em Situação de Stress, oferecido pela Unidade de Serviços Acadêmicos (USA), coordenada pela Gerência de Atenção ao Aluno (GAA).

    Localizado no Atendimento Unisinos (antiga Central de Relacionamento), o serviço oferece aos estudantes ajuda durante o período de construção do TCC. Alunos de TCC I e TCC II de qualquer curso podem participar. Segundo o psicólogo César Karnal, que trabalha no Serviço de Atenção Acadêmico, a procura é grande. “Auxiliamos com orientações sobre formatação e, em muitos casos, de alunos em situação de ansiedade e estresse”, explica.

    Os atendimentos, realizados em grupos, são feitos em três encontros. No primeiro, são discutidas as expectativas do grupo, e, a partir das ideias coletadas, é feito um planejamento para os encontros seguintes. No entanto, o aluno pode solicitar serviço individual.

    Karnal menciona que a procura se dá pelos mais variados motivos. “Recebemos alunos com questões de formatação, dúvidas com o orientador e até mesmo com problemas de administração de tempo”, diz.

    Para participar, é necessário agendar um horário. Os encontros ocorrem às quartas-feiras, das 18h30min às 19h15min. Os próximos já têm datas definidas: 30 de março, 6 e 13 de abril, e serão realizados na sala de Capacitação D (ao lado do Ambulatório). Os interessados podem marcar presença por meio dos e-mails vcesa@unisinos.br ou  jback@unisinos.br. Mais informações podem ser obtidas pelo telefone 3590-8833.

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    1 de Abril de 2011 às 6:00 pm

    Vem gente! Todos aprende, todos usa (sic)

    Ana Paula Figueiredo
    Estagiária de Jornalismo

    Os meios eletrônicos estão reinventando a gramática. Todos os dias novas abreviações e expressões pipocam no MSN, nas redes sociais e nas trocas de e-mail. O resultado é uma linguagem adaptada para a internet, o tiopês, utilizado pela primeira vez em meados de 2004, no Orkut.

    Segundo uma definição encontrada na web, o tiopês é “uma nova forma de linguagem utilizada por diversas pessoas para se comunicar na internet de modo irônico. Com um jeito engraçado e ‘incorreto’, o tiopês é muito usado no Orkut, MSN, blogs e cada dia mais pessoas adotam essa linguagem”.

    Também há os memes, que, de acordo com a Wikipédia, são “ideias ou partes de ideias, línguas, sons, desenhos, capacidades, valores estéticos e morais, ou qualquer outra coisa que possa ser aprendida facilmente e transmitida enquanto unidade autônoma”. Os memes também podem ser definidos como fenômenos da internet, e que se propagam rapidamente. Agora, o tiopês e os memes chegaram até o Twitter.

    Febre no Twitter

    Quem é usuário das redes sociais descobre diariamente novas piadinhas e maneiras de se expressar. Por meio das hashtags, frases ou expressões, os tuiteiros publicam suas opiniões, que muitas vezes tornam-se hits no Twitter.

    Mesmo os que têm um bom domínio da língua portuguesa, quando desconhecem tais brincadeiras, correm o risco de se tornar analfabetos virtuais. Portanto, é preciso estar inteirado ou familiarizado com os assuntos.

    Vários são os exemplos utilizados: quando um grupo de fãs da banda Restart não conseguiu assistir ao show, uma das meninas soltou a pérola: “Isso é uma puta falta de sacanagem”. Não demorou muito para a expressão virar febre na rede social. Para qualquer coisa que não respondia ao esperado, os usuários tuitavam uma frase acompanhada com a hashtag #putafaltadesacanagem. A mesma situação também popularizou a frase “vou xingar muito no Twitter”.

    hashtags que representam ironia ou sarcasmo, como “Adoro os recados coloridos e piscantes no Orkut. #NOT”.

    Para os preguiçosos, a frase ainda pode ser acompanhada da variação –n.

    Quando os usuários do Twitter acham alguma coisa engraçada, tuitam o link, frase, expressão e, em seguida, acrescentam uma das opções de hashtags: #euri, #rialto, #rilitros. Essas, entre outras, já viraram clássicos na rede.

    Quando se quer chamar a atenção de alguém para determinada coisa, usuários escrevem o tweet, acompanhado de #vemgente, ou simplesmente: vem, gente, como: “Muito bom o mais recente episódio de House. #vemgente”.

    Novidade

    Nos últimos dias, muitos usuários têm utilizado frases em que não há concordância entre o sujeito e o verbo. A nova mania começou com “todos chora”. Desde então, diversas pessoas estão usando e fazendo adaptações na frase, como: “todos bebe”, “todos come”, “todos tuíta”. As frases são escritas propositalmente de forma errada.

    O site Youpix aponta que “todos chora” é uma típica expressão do tiopês.

    Há quem diga que são necessários dois requisitos para ser adepto do tiopês: conhecer bem a língua portuguesa e ter um mínimo de talento. No entanto, muitos usam de forma indiscriminada e incorreta.

    Segundo o site Topsy, que faz buscas em tweets, vídeos, e outros, um dos primeiros registros da frase “todos chora” ocorreu em 28 de novembro de 2010, no perfil @miyadzu. O tweet dizia: “Atenção: apreendido lançasperfume. Todos chora”. Porém, não se pode falar com precisão quando e onde a frase surgiu. Embora muitos desconheçam a origem, a frase tem feito sucesso na rede social.

    A expressão se disseminou tão rapidamente que, ao fazer uma breve pesquisa num site de buscas de palavras-chaves em tweets, pode-se perceber que, em menos de um minuto, o número de resultados aumenta consideravelmente. No entanto, a frase já ultrapassou a barreira do Twitter e pode ser lida em perfis do Facebook, Orkut e blogs.

    De acordo com o estudante de Jornalismo da Unisinos Thiago Souza de Souza, ex-estagiário da Agexcom, muita gente que usa, feito ele, nem sabe o significado e a origem da expressão.

    “Virou ‘febre’. Começou com o ‘todos chora’, e desde então não parou mais. Todo mundo está usando e adaptando. No meu caso, uso quando quero comunicar alguma coisa que estou fazendo ou que outros estão fazendo”, explica.

    Thiago procura se manter em dia com as gírias e expressões que surgem diariamente na internet. “Acho importante estar inteirado dos assuntos, principalmente no caso de estudantes e profissionais de comunicação”, avalia. “Essas expressões fazem parte de uma nova maneira de se comunicar, uma nova linguagem.”

    O professor do curso de Comunicação Digital da Unisinos Tiago Lopes afirma que é importante assimilar pelo menos algumas dessas manias. “É uma cultura pop”, sublinha. “Independente do meu gosto, não posso fechar os olhos e ignorar que isso esteja acontecendo”.

    Como professor de Comunicação Digital e tendo alunos cada vez mais jovens, Lopes diz que é preciso tentar compreender. Ele é adepto das gírias da internet, mas de maneira um pouco mais conservadora. “Uso de forma a indexar o conteúdo para facilitar a busca de outros. Mas não consigo ter tanta desenvoltura”, brinca.

    Segundo ele, o que chama a atenção são esses erros. “Não sei se é um internetês mais bruto ou uma tosquice planejada”. Para Lopes, a propagação dos memes se dá de forma muito rápida: “É impossível mapear tudo”.

    A professora do curso de Letras da Unisinos Cláudia Presser Sepé acredita que é importante conhecer essas invenções da internet. No entanto, diz ser necessário haver um contexto. “O meio determina essas transformações. A linguagem deve ser adequada ao meio”, explica. “Mas não deve ser transposta para outros meios.” Como professora da disciplina de português, Cláudia diz que sua postura faz parte do seu “crivo de papel institucional”.

    Controvérsias

    Para além dos modismos, há questionamentos: esse tipo de informação na web está ao alcance de todos, ou apenas pessoas relacionadas à comunicação conhecem tais expressões? O estudante Thiago diz que a pergunta é pertinente.

    “Concordo que o pessoal da comunicação esteja sempre bem informado sobre as manias da internet. Mas não só eles. Quem passa muito tempo na web, principalmente quem é usuário de redes sociais, acaba se inteirando e fazendo parte das novas manias”, comenta.

    Para o professor Lopes, essas linguagens não ficam restritas ao pessoal da comunicação. “Essas expressões e brincadeiras são coisas de usuários da internet que transcende a comunicação. Quem usa são mais jovens do que os graduandos, normalmente do ensino fundamental e médio”, explica.

    Breve dicionário do Tiopês

    Com o uso do Twitter, Orkut, MSN, entre outros, muitas são as frases e expressões que se disseminaram pela rede. Para aqueles que ainda não conhecem, ou mesmo não ouviram falar, abaixo, uma breve explicação das mais famosas e utilizadas expressões, frases ou memes.

    #ALOKA – Expressão usada pela comunidade GLBT e popularizada pela personagem Katylene, em seu blog. É uma maneira diferente de escrever “a louca”. Utiliza-se quando se faz ou fala alguma coisa que algumas vezes não condiz com a realidade, como: “Gente, vou comprar 3 Ferraris e já volto. #ALOKA”.

    TENSO – É quando se está numa situação de tensão. Exemplo: “Suzana Vieira lançou um cd. TENSO”.

    Aham Cláudia senta lá – A frase foi descoberta no vídeo de um antigo programa da Xuxa e tornou-se popular na web. É escrita de forma a representar ironia, como: “Meu irmão quer que eu passe suas roupas. Aham Cláudia senta lá”. É como dizer: “vai sonhando”.

    #prontofalei – É utilizada para representar indignação, como: “Não aguento mais BBB. #prontofalei”.

    #vergonhaalheia – Sabe aqueles momentos em você sente vergonha por outras pessoas ou situações? Pois é, a expressão aplica-se nesses casos. Exemplo: “Vanuza esquece mais uma letra de música. #vergonhaalheia”.

    #partiu – É usada quando alguém quer dizer que vai ficar off-line no Twitter, como: “Vou estudar. #partiu”.

    #fail – Utilizada quando se faz alguma coisa que não deu muito certo. Exemplo: “Fiz chapinha para sair e chove. #fail”.

    Morri – Usa-se quando se quer expressar uma opinião, tanto boa, quanto má. Depende do contexto. Exemplo: “Sandy é a nova musa da cerveja Devassa. Morri”.

    amg – Abreviação de amiga ou amigo. Pode ser usada sempre que se quer chamar alguém de amiga (o).

    Brinks – Abreviação de “tô brincando”. Pode ser utilizada como no exemplo: “Estourei o limite do seu cartão de crédito, tá, pai? Brinks!”.

    Comofas – Expressão típica do tiopês. É a junção de “como fazer”, e é utilizada em situações em que se está precisando de ajuda ou orientação. Exemplo: “Preciso converter um arquivo do Word em PDF. Comofas?”.

    -q – Abreviação de “o quêêê?!”. Representa uma frase com espanto. Exemplo: “Luciana Gimenez vai apresentar programa jornalístico. –q”.

    Tem que ver isso aí – Teve origem em um vídeo postado num fórum de tecnologia. Usa-se a frase para indicar que algo precisa ser analisado de forma mais clara. Exemplo: “O Twitter fica baleiando toda hora. Tem que ver isso aí”.

    Corrão – Surgiu por acaso no blog Te dou um dado. A escrita de forma incorreta não foi proposital. Logo o blog optou por adotar a palavra, que desde então se espalhou pela web. Deve ser usada como no exemplo: “Começaram as vendas de ingresso para o show do U2. CORRÃO!”.

    Significa – A palavra foi usada por Ronnie Von, em resposta a uma carta enviada ao seu programa. Um rapaz perguntava se gostar de homens significava ser gay. A resposta do apresentador foi a afirmação “significa”. É usada para indicar que alguém dá sinais de que ainda não definiu sua sexualidade. Exemplo: “Meu vizinho faz coreografia da Madonna. Significa”.

    Galere – O mesmo que galera.

    Fikdik – Abreviação de “Fica a dica”. Como usar: “O novo filme de Javier Bardem é muito bom. Fikdik”.

    Vdd – Abreviação de “verdade”. Exemplo: “vdd RT @anamaria Semana longa!”.

    #epicwin – Quando se faz uma coisa muito boa. Exemplo: “Não estudei nada e tirei 10 na prova. #epicwin”.

    LOL – A palavra também é comum na internet. Iniciou no Usenet, mas logo se disseminou em outros meios mediados por computador, como os programas de mensagens instantâneas Yahoo!, MSN, entre outros. A sigla significa “laugh out loud”, que em português quer dizer algo como “rindo muito alto”, ou ainda “lots of laughs” – um monte de risos. Pode ser escrita nas mais diversas variações: Lol, loL, LoL, LOL, LOl, lol, e ainda /o/, \o\, /O/ e \O\.

    Enquanto essa matéria estava sendo produzida, mais uma expressão surgiu entre os internautas. No perfil fake da Nair Bello no Twitter, lançaram a frase: “Ronaldo, fica, vai ter bolo!”, uma campanha para o jogador não se aposentar. E, como sempre, já sofreu diversas adaptações. Usa-se quando se quer tentar convencer alguém de alguma coisa.

    * A imagem da capa faz referência a mais um tipo de meme da internet, o Troll Face.

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    4 de Março de 2011 às 6:15 pm

    Portal3 entrevista Ricardo Noblat

    Thiago Souza de Souza
    Estagiário de Jornalismo

    Pensando na volta às aulas, o Portal3 preparou uma entrevista exclusiva com Ricardo Noblat, jornalista e blogueiro. Noblat é autor de A arte de fazer um jornal diário, livro que é tido como um manual para estudantes de jornalismo.

    O jornalista, formado pela Universidade Católica de Pernambuco, foi editor-chefe do Correio Braziliense, em Brasília. Na sua gestão, o jornal passou por uma grande reforma, que é narrada em A arte de fazer um jornal diário.

    Atualmente, aos 61 anos, Noblat cuida de um blog que leva seu nome, hospedado no site do O Globo, e tem uma coluna semanal no jornal impresso.

    Portal3 – No livro A arte de fazer um jornal diário, você fazia uma análise pouco animadora sobre o jornalismo contemporâneo brasileiro: jornais tentando seguir o modelo fragmentado da web, pouco aprofundamento, falta de reportagens mais investigativas, repetição de notícias e modelos. Passados quase 10 anos, você acredita que o quadro geral se alterou? Se mudou, foi para melhor ou para pior?
    Ricardo Noblat – O quadro geral permanece o mesmo. Talvez tenha piorado. As reportagens mais investigativas escassearam, por exemplo. Como a internet avançou, os jornais trazem cada vez menos novidades. Proliferaram as colunas – a Folha tem mais de 100. E boa parte delas é ruim. Só serve para ocupar espaço.

    Portal3 – O que, no seu entender, provoca a mesmice que se repete diariamente nos grandes jornais brasileiros? Isso, em parte, pode ser atribuído a uma preguiça de repórteres e editores?
    Noblat – Falta de investimento em profissionais mais qualificados – e que por isso custam mais caro. Falta de imaginação dos editores. Falta de ousadia – medo de correr riscos.

    Portal3 – Você acredita que a revista Piauí, em alguma medida, contempla aquele tipo de jornalismo que você propunha em A arte de fazer um jornal diário: mais aprofundado, com textos mais trabalhados, com pautas menos óbvias? Você é leitor da revista?
    Noblat – Um jornal diário não sobreviveria se fosse feito com base em textos longos. Textos menores podem ser tão bons quanto. O que importa num texto é sua qualidade – não o número de linhas. Sou leitor da revista, sim. Mas sua pauta já foi mais criativa.

    Portal3 – Em certa medida, 2010 pode ser considerado um ano paradigmático na cobertura jornalística das eleições. Houve uma série de novidades, como a polarização explícita, o Estadão assumindo seu apoio a uma das candidaturas, a influência do Twitter e das redes sociais, inclusive na definição das pautas de campanha. Como você avalia a cobertura jornalística da eleição 2010?
    Noblat – No geral foi pobre. Faltaram reportagens. A pauta da mídia foi ditada pelo marketing dos candidatos. Em eleições passadas foi assim também. De resto, a mídia se deixou patrulhar por partidários de um lado e do outro. Ficou receosa. E isso também influiu no seu desempenho.

    Portal3 – Gostaria muito de saber como é o processo cotidiano de construção do seu blog. Você trabalha com uma equipe? Tudo passa pelo seu crivo? É você mesmo que atualiza o blog e o Twitter? Os tuítes que entram às cinco da madrugada são previamente programados ou feitos na hora? Como funciona o trabalho com os colaboradores eventuais?
    Noblat – No blog somos eu e um repórter. No twitter somente eu. Nada agendo no twitter. No blog agendo os artigos de colaboradores. Estou sempre à caça de novos colaboradores. Vou dormir diariamente em torno das 4 ou 5. Acordo por volta das 11h. Emendo até a madrugada seguinte. Estou cada vez mais cansado. E não sei por mais quanto tempo aguentarei esse ritmo. Em quase sete anos de blog, tirei férias somente duas vezes. A primeira de 15 dias. A segunda de 10.

    Portal3 – Como é a sua relação com os leitores do blog? Quanto tempo você dedica diariamente para isso? Que importância você atribui a essa forma de diálogo? Quando o diálogo vira debate?
    Noblat – Já interagi mais com os leitores do blog. Agora interajo via twitter. Penso que leitores de blogs estão migrando para o twitter – e dali, a depender dos assuntos, voltam ao blog. O blog alimenta o twitter que alimenta o blog.

    Portal3 – Como você se informa? Como é a sua rotina de leitura e escuta?
    Noblat – Falei um pouco dela em resposta anterior. Acrescento que pelo menos três vezes por semana almoço ou janto com fontes de informações. E que passo boa parte do dia pendurado no telefone em busca de notícias. Trabalho com a TV ligada. Em ocasiões especiais, vou cobrir determinados assuntos onde eles acontecem. Foi assim com a posse de Dilma, por exemplo. Foi assim com todos os debates entre os presidenciáveis no ano passado.

    Portal3 – Como você filtra as informações e as pautas que recebe?
    Noblat – Com base na intuição e experiência.

    Portal3 – Como é ser repórter nos dias atuais em comparação com o repórter de dez anos atrás?
    Noblat – Os repórteres de hoje são mais sobrecarregados. E ganham menos. O contrário acontecia no passado. Os repórteres de hoje leem menos e dependem mais do telefone e da internet. No passado, os repórteres íam mais para as ruas.

    Portal3 – Você é contra ou a favor da obrigatoriedade do diploma para exercer a profissão? O que falta discutir nesse campo?
    Noblat – Sempre fui favorável ao diploma como um meio de qualificar mais o profissional. Mas sempre fui contra sua obrigatoriedade. Ainda penso assim.

    Portal3 – Para estudantes de jornalismo, em processo de formação, o que você recomenda?
    Noblat – Leiam muito, muito mesmo. Leiam tudo. E reescrevam suas matérias muitas vezes. Nunca fiquem satisfeitos com elas.

    Portal3 – Você mencionou a proliferação de colunas. Aqui no estado, também a Zero Hora ampliou muito o seu número de colunistas. O que, em sua opinião, uma coluna deveria ter de diferente para fazer diferença?
    Noblat – De diferente? Leituras originais sobre o tema tratado. Sei que não é fácil. Mas se não for assim não vale a pena. Inventam-se colunas porque elas custam mais barato. Porque elas preenchem espaços que à falta delas teriam de ser preenchidos por matérias – o que exige mais repórteres.

    Portal3 – Queria insistir nessa pergunta: eventualmente a conversa com os leitores vira debate? O debate é sempre bem-vindo?
    Noblat – Claro que sim. Os jornalistas perderam o monopólio da informação e da opinião. Boa parte do jornalismo, hoje, está mais para conversa – troca de ideias entre jornalistas e leitores, leitores e leitores. Quem ignorar isso se dará mal.

    Portal3 – Que leituras você recomendaria? Você pode citar alguns títulos?
    Noblat – Todos os livros de Gabriel Garcia Márquez, por exemplo. Toda a coleção sobre jornalismo da editora Companhia de Letras. Machado de Assis. Graciliano Ramos. E por aí vai.

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    3 de Março de 2011 às 6:36 pm

    A arte de desenhar páginas

    Marcelo Grisa
    Estagiário de Jornalismo

    O jornalismo contemporâneo oferece uma vasta gama de atuação. Muitos se interessam por TV, rádio, impresso, online… Mas há outra escolha, que muitas vezes nem é considerada pelos futuros profissionais: a diagramação. Sem perceber, jornalistas recém-formados estão abrindo mão de um nicho que poderiam explorar.

    Quem vê um mercado promissor na área é o professor de Jornalismo Carlos Jahn. Para ele, mesmo que alguns ditem um possível desaparecimento dos meios impressos, há alternativas cada vez mais numerosas. “Os dispositivos móveis e a digitalização estão ampliando as demandas”, explica Jahn. Além disso, o docente, que ministra disciplinas de Planejamento Gráfico no curso de Jornalismo da Unisinos, cita três outros ambientes que requerem hoje a atuação do diagramador: a televisão, objetos para Educação a Distância (EaD) e a própria internet.

    Diagramar: por onde eu começo?

    Para a jornalista Ana Cristina Machado, que hoje integra a equipe de diagramação do jornal O Globo, no Rio de Janeiro, essa é uma área em expansão: “Sempre vai ter espaço para quem é talentoso, dedicado e tem metas na vida”.

    A diagramadora ressalta que esse mercado não foi sua primeira escolha na carreira: “Fiz Jornalismo achando que um dia seria repórter esportiva”. Porém, a jornalista encontrou na diagramação uma área de interesse e afinidade. A carreira começou dentro do próprio ambiente universitário. Em 2001, a profissional foi contratada pelo jornal O Sul. Quatro anos mais tarde, integrava a equipe de Zero Hora. Um ano atrás Ana Cristina foi chamada para ser diagramadora do jornal carioca.

    Para aqueles que querem ingressar nesse mercado, a formação e domínio das técnicas e ferramentas é importante. O professor Carlos Jahn explica que alguns conhecimentos são vitais. “O jornalista necessitará conhecer campos como o do design gráfico e de arte, entender como o design de diferentes plataformas dialoga.” De acordo com Jahn, saber quais são as grandes tendências culturais do mundo também auxilia na criação.

    É de conhecimento geral – ao menos para quem já passou por alguma disciplina ou curso sobre o assunto – que a principal ferramenta a ser dominada pelo diagramador na atualidade é o InDesign. Ana Cristina concorda, mas fala que em alguns lugares isso pode ser diferente, dependendo da proposta. O Globo usa um programa italiano, o GoodNews. A base dele tem menos variantes que o aplicativo da Adobe; mas, de acordo com a diagramadora, ele é mais rápido que o concorrente, sendo direcionado para jornais de fechamento diário.

    Além do próprio InDesign, ferramentas de edição de imagem (como o popular Photoshop), criação de imagens (como o Ilustrator e o CorelDRAW) e até mesmo modelagem em 3D (Maya, 3D Studio) são válidas para tornar o trabalho mais rico.

    Mesmo que as ferramentas possam mudar, o professor Jahn aponta que algumas coisas não mudam. “Iniciei na atividade no final dos anos 70”, conta. Ainda não havia computador, e, desde então, ele já conta cinco mudanças de plataforma. O docente diz que, assim como o InDesign substituiu outros programas, como o Page Maker e o Quark Xpress, ele também será substituído cedo ou tarde. “O que segue ainda”, sublinha, “é o giz ou lápis para fazer o esboço inicial”.

    Internet, uma ferramenta poderosa

    Como citado anteriormente, a web é um elemento importante no campo da diagramação. Ana Cristina lembra que, para os profissionais, serve principalmente como ferramenta de pesquisa, comparação e atualização. Muitos sites são direcionados para a área, como o Design on the Rocks, com inovações gráficas em diferentes ramos. Outro, citado pela diagramadora, é o Faz Caber, que oferece um acompanhamento da escolha de cada capa da revista Época.

    “As publicações impressas precisam incorporar, em seus projetos gráficos, elementos do design das páginas da internet”, fala o professor Jahn, sobre a necessidade de adaptação aos ambientes virtuais. De acordo com o docente, essa alternativa está se tornando cada vez mais comum no meio editorial.

    Para Carlos Jahn, essa semelhança com endereços da rede é parte da tendência atual na diagramação. Ele também destaca a valorização das imagens, dos espaços em branco e o uso cada vez maior de infográficos. Mesmo a tipografia lembra a Web. “Os jornais se tornaram muito parecidos com revistas nos últimos anos”, esclarece. E Ana Cristina reforça essa idéia, lembrando da relação cada vez mais estreita entre o diagramador e a editoria de arte dos impressos.

    Desde a queda da obrigatoriedade do diploma de Jornalismo, em ação do STF em 2009, a diagramação no espaço jornalístico abriu também espaço para outros profissionais, como técnicos em Desenho Industrial ou Design Gráfico. Ana Cristina afirma que este aspecto varia muito entre as regiões do país. “Em Zero Hora, dos 20 diagramadores que existiam lá, dois não são jornalistas”, explica. Ela relata que a situação no Rio de Janeiro é diferente. “Aqui no O Globo, dos 20 que temos, apenas dois são jornalistas.” Ela diz que, em terras cariocas, a redação e a diagramação não possuem uma relação tão íntima. O trabalho é conjunto, mas as funções de cada área são bem mais definidas.

    No final das contas, a jornalista afirma que, tendo diploma ou não, a qualificação é determinante: “Para pessoas qualificadas o mercado estará sempre de braços abertos”.

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    2 de Março de 2011 às 6:00 pm

    ABNT: não é um bicho de sete cabeças

    Marcelo Grisa
    Estagiário de Jornalismo

    Janeiro e fevereiro. O tempo é de férias, mas muitos alunos, principalmente os próximos da colação de grau, devem estar pensando em seus Trabalhos de Conclusão. Mesmo para aqueles que têm suas ideias e pesquisas adiantadas, ainda há um elemento extra que causa temor em muitos universitários: a normatização dos trabalhos, onde entram as regras da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), obrigatórias para os TCCs. Elas dizem como deve ser um trabalho acadêmico, da capa às referências, passando pela própria organização das páginas: margem, notas de rodapé, numeração dos capítulos, entre outros pontos pertinentes.

    Engana-se quem pensa que a associação apenas rege os textos acadêmicos. As regras para Trabalhos de Conclusão, artigos científicos e outras publicações são decididas pelo CB-14 – Comitê Brasileiro de Informação e Documentação. Há inúmeros outros, incluindo um que estabelece as normas de fabricação de cadeiras de praia (nº 98). A ABNT existe desde 1940, é uma entidade privada sem fins lucrativos que se responsabiliza pela normalização técnica nos mais diferentes setores em todo o país.

    O comitê 14 envolve bibliotecários, professores e pesquisadores. As reuniões ocorrem a cada três meses, durante dois dias, em São Paulo. Nelas, são expostas dúvidas e recomendações que podem ser trazidas tanto pelos representantes do conselho quanto enviadas ao site da associação. A partir das conclusões do grupo, são realizadas ementas ou mudanças no conjunto de normas; enquanto as ementas são apenas erratas, não necessitando uma nova versão do documento completo, as mudanças exigem novas versões, para haver a adequação entre as regras já existentes.

    “Qualquer pessoa que tenha interesse e conhecimento da área pode participar (das reuniões)”, afirma a superintendente do CB-14, Rosa Maria Correa. Segundo ela, isso por vezes dificulta o trabalho do comitê devido à falta de comprometimento. Após três ausências, a pessoa poderá apenas participar dos encontros como ouvinte. Ela ressalta que todo o trabalho das comissões é voluntário, não somente da ABNT mas também em todas as agências normalizadoras do mundo, incluindo a ISO.

    Ao ser questionada sobre as constantes mudanças nas normas da ABNT, a bibliotecária do setor de referência da Unisinos Eliete Brasil conta um pouco da história do conjunto de regras para trabalhos acadêmicos. “Algumas normas de documentação foram criadas em 1989, mas as atualizações só começaram a partir de 2002”, explica. Ela alerta para mudanças que devem entrar em vigor já no início deste ano, principalmente no que diz respeito à impressão dos trabalhos: “Agora eles vão poder usar a frente e o verso das folhas, e também poderão ser impressos em papel reciclável”. Eliete ainda lembra que a ABNT é baseada na ISO (a associação é um dos membros fundadores do órgão internacional de normatização, que hoje está presente em 170 países).

    Rosa Maria Correa explica que o critério base de mudanças nas normas da ABNT e da ISO é de 5 anos. Nem sempre esse prazo pode ser cumprido, principalmente quando há muitos questionamentos. Ela cita a norma NBR 14724 – Informação e documentação – Trabalhos acadêmicos – Apresentação. A superintendente lembra que foi acrescida a ela uma emenda em 2005, e a revisão só ocorreu em 2010, respeitando o tempo normal para as mudanças. “Mas como o tempo passa rápido é comum que docentes achem que elas são revistas com frequência muito maior”, aponta. As mudanças sempre entram em consulta no site da ABNT, e o usuário pode participar da votação apenas fazendo um cadastro no endereço, o que é gratuito.

    A biblioteca do campus oferece durante todo o ano orientação nas normas da ABNT. Pode ser agendado um horário de aproximadamente 45 minutos, durante os turnos da manhã ou da tarde, no qual a pessoa – o serviço é disponível a qualquer um que tenha vínculo com a Unisinos (alunos, professores e funcionários) – leva o documento que precisa ser analisado em uma pendrive. Ele recebe informações de como proceder com vários pontos do trabalho que podem estar em desacordo com a norma. Atualmente, Eliete avalia que um dos problemas dos alunos é a referência digital: “Os alunos precisam verificar quem é o autor, entre outras informações necessárias, não apenas o site visitado”, frisa. Dúvidas mais específicas podem ser tiradas através dos telefones 3590-8826 e 3590-8829 e do email biblionormas@unisinos.br. Uma adaptação das regras para uma boa compreensão também pode ser encontrada no site da Biblioteca Unisinos.

    Para que os alunos não entrem nos trabalhos finais sem pensar numa zona nebulosa de normatização, a Unisinos oferece mais opções. A própria biblioteca, em parceria com o Ensino Propulsor da universidade, oferece duas oficinas sobre a ABNT; uma de teoria e outra sobre a prática, ambas com duração de três horas cada. Algumas das graduações, principalmente aquelas com cadeiras de Metodologia, como Direito e Letras, por exemplo, convidam a profissional a apresentar a ABNT em suas aulas. Eliete aprecia o chamado, pelo benefício que traz ao aluno. “Melhora a bagagem, os alunos vêm mais seguros, e temos menos dúvidas e mais pontuais quando eles precisam vir aqui no final do curso”, esclaresce.

    A atividade da bibliotecária tem seus pontos de maior intensidade, e é necessária uma ajuda extra: “Temos também mais uma bibliotecária que vem nos ajudar durante os meses de entrega de trabalhos de conclusão”. Isso ocorre nos meses de abril, maio e junho, no primeiro semestre, ou setembro, outubro e novembro, no segundo. Segundo a bibliotecária, somente em 2010/2, 3446 alunos foram atendidos.

    Por isso, Eliete aconselha que os alunos não deixem tudo para o período de entrega dos trabalhos. O objetivo atual é conscientizar os estudantes da importância da ABNT. Ela alerta que cada aluno só pode agendar dois horários durante todo o período que antecede a entrega de Trabalhos de Conclusão. Antes disso, havendo horários disponíveis, há espaço para tirar todas as dúvidas e deixar seu trabalho normatizado de acordo com as normas da ABNT.

    Para a formanda em Jornalismo Natália Cagnani, não houve dificuldades, já que o trabalho foi pensado na ABNT desde o início. Ela fez uso do material da biblioteca da Unisinos, não precisando assim se preocupar na reta final. “Como é um trabalho que você está se esforçando para fazer o melhor, acho importante que o próprio autor cuide da formatação”, explica.

    Atualizado às 16:14 – 13/01/2011

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    12 de Janeiro de 2011 às 4:35 pm

    Pautas da Unisc

    Lílian Stein
    Estagiária de Jornalismo

    Acompanhe aqui as matérias enviadas em 2010 pela equipe da Agência Experimental A4, da Universidade de Santa Cruz do Sul. A iniciativa faz parte do projeto Infocâmbio Universitário, que tem o objetivo de promover um intercâmbio de informações entre a Unisinos e a Unisc.

    O Portal3 publica semanalmente textos produzidos pela Agência A4. O processo inverso também ocorre: matérias produzidas originalmente para o Portal3 são publicadas no site da Unisc.

    Confira as produções enviadas pela Unisc:

    Mauricio Couto Beskow
    Equipe da Agência Experimental A4
    Universidade de Santa Cruz do Sul

    O acadêmico de Jornalismo da Unisc Alan Camargo entregou ao presidente Lula a solicitação da Associação Pró Moradia Estudantil de Santa Cruz do Sul, pedindo a construção da casa do Estudante, destinada a abrigar estudantes do ensino superior das instituições de ensino sediadas no município.

    O estudante de Jornalismo da Unisc Alan Camargo pediu ajuda ao presidente Lula para a construção da Associação Pró Moradia Estudantil

    O presidente recebeu a representação dos estudantes em seu gabinete e garantiu empenho do Governo Federal para construir alternativas que viabilizem a construção da Casa.

    Uma solicitação de recursos na ordem de R$ 1,5 milhão e a abertura da construção do projeto da casa junto ao Ministério da Educação constavam nos documentos que foram entregues ao presidente.

    “Queremos a ampliação do acesso ao ensino superior, mas também buscamos condições de permanência no curso” afirma Alan Camargo.

    Lula se comprometeu em realizar a interlocução com o Ministério da Educação e encaminhou a solicitação dos estudantes ao ministro Fernando Haddad. Em entrevista a emissoras de rádio comunitárias, o presidente reafirmou o comprometimento: “Podem ficar certos de que a Dilma não veio de onde eu vim, mas ela vai para onde eu fui” referindo-se à presidente eleita Dilma Rousseff, que terá a responsabilidade de aprimorar as políticas de assistência estudantil e encaminhar o pedido dos estudantes.

    Leia as matérias anteriores enviadas pela Unisc
    Matéria enviada em 15.12.2010: Precisa de ajuda? Vá até o CVV
    Matéria enviada em 08.12.2010: Loja vende produtos sustentáveis, como camises de garrafas pet
    Matéria enviada em 01.12.2010: Editoras brasileiras ainda estão tímidas no lançamento de livros digitais
    Matéria enviada em 25.11.2010: Presidiário para sempre preisidiário?
    Matéria enviada em: 18.11.2010: Rádio: simples comunicação que exige atenção
    Matéria enivada em 10.11.2010: Da diversão para a reabilitação
    Matéria enviada em 04.11.2010: A cura está no pilates
    Matéria enviada em 28.10.2010: Santa-cruzense de 82 anos é exemplo de cidadania
    Matéria enviada em 21.10.2010: Será o fim do giz e do apagador?
    Matéria enviada em 13.10.2010: Atividades do Exército envolvem os visitantes da Oktoberfest
    Matéria enviada em 06.10.2010: Quiropraxia auxilia no tratamento da coluna vertebral
    Matéria enviada em 28.09.2010: Unisc lança telejornal co-produzido com crianças
    Matéria enviada em 21.09.2010: Barbara Nickel: “É mais importante divulgar informações do que ganhar seguidores”

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    6 de Outubro de 2010 às 7:06 pm

    Inovação nas obras literárias

    Ana Paula Figueiredo
    Estagiária de Jornalismo

    Chegou ao Brasil o livro que combina o suporte tradicional de papel com navegação pela internet. Mistério, suspense, ação, uma história cativante e vídeos que complementam o enredo. Essas características fazem parte do livro Grau 26 – A origem (Editora Record, R$ 39.90, 420 páginas), escrito por Anthony E. Zuilker em parceria com Duane Swierczynski.

    Capa do livro.

    Lançado no Brasil em 2009, Grau 26 é considerado o primeiro livro digital interativo da história da literatura. Ganhou o nome de digilivro. Conta a história de um assassino que não se enquadra em nenhum dos 25 graus de perversidade definidos pela lei. Ele vai além: para classificá-lo é necessário um novo item, o grau 26.

    Um dos autores, Zuilker, é roteirista de uma das séries de TV mais famosas da atualidade, CSI. No livro, ele desafia o leitor a se aprofundar no cotidiano do perito Steve Dark e sua equipe na perseguição ao mais amedrontador psicopata de todos os tempos, Sqweegel. Leia. Veja. Acesse. Tenha medo. Esse é o lema de Grau 26.

    Para o publicitário Marcílio Guimarães, 24, de São Paulo, o tema horripilante foi a razão que lhe fez comprar Grau 26. “Comparado a outros grandes autores que costumo ler, como Stephen King, Dan Brown e Thomas Harris, o livro não é espetacular a ponto de levar o leitor a outra atmosfera, mas é fácil de ler, cheio de ação e com poucos detalhes chatos, além de ser uma história bem sinistra, com um assassino cheio de precauções. Os cuidados que o assassino toma me lembram os livros O Colecionador de ossos (adaptado para o cinema) e Dexter (adaptado para a TV)”, avalia.

    Interatividade

    No decorrer da leitura, ao final de alguns capítulos, códigos são oferecidos ao leitor. Por meio dessas senhas, ele é direcionado ao site oficial do livro, onde terá acesso a 20 ciberpontes. Cada uma delas contém vídeos e tem por objetivo complementar a história. A leitura pode ser realizada independentemente do conhecimento desse conteúdo digital. No entanto, a história se torna bem mais interessante quando as produções visuais são conferidas.

    A universitária do Rio de Janeiro Suelen Mattos, 23, conta que a interatividade da obra foi o que despertou seu interesse em conhecer o digilivro. “É inovador”, entusiasma-se. “Tenho uma imagem real na mente quando leio o livro e fico super ansiosa para chegar na próxima cyberponte. Simplesmente não consigo largar. Leio em tudo que é lugar: em casa, na faculdade e até nos ensaios do coral.”

    Os vídeos possuem produção com qualidade de cinema e são dirigidos por Zuilker. No elenco, aparecem, entre outros, Bill Duke (de Dragão Vermelho e O troco) e Michael Ironside (de O exterminador do futuro: a salvação). Para ter acesso aos vídeos, é necessário realizar um cadastro no site. Assim, o leitor pode conhecer os conteúdos e debater com outros admiradores da obra. As produções trazem legenda em português e duração de dois a quatro minutos.

    O professor do curso de Comunicação Digital da Unisinos Tiago Lopes leu todo o livro e diz que a trama deixa a desejar. “Em matéria de enredo, a história é fraca”, lamenta. “Mas a idéia dos vídeos é interessante por causa da convergência de mídias que responde ao novo contexto digital. É uma nova possibilidade de narrativa.”

    Tiago salienta que o mais importante da interatividade é a comunicação que a obra pode proporcionar: “O que destaco como relevante é que o leitor, ao se cadastrar no site, tem a possibilidade de trocar informações com outros leitores e pode ficar a par do que o autor escreve no blog e do que é divulgado nas outras redes sociais”.

    Controvérsia

    Ainda há divergência de opiniões quanto à forma diversificada de construir o processo narrativo de Grau 26. Na Internet, alguns leitores afirmam não ter gostado do livro pelo fato de os vídeos limitarem a imaginação referente aos personagens.

    O professor do curso de Letras da Unisinos Cláudio Zanini discorda. Para ele, o método narrativo de Grau 26 parece rico em conteúdo: “É um caminho natural, além da facilidade de acesso à internet que há atualmente. Espero que haja mais livros desse tipo, assim o livro impresso será popularizado”. No entanto, Zanini afirma que os vídeos podem prejudicar leitores mais velhos que possam se interessar pelo livro, mas que não têm acesso à internet.

    O que ninguém põe em dúvida é o quanto há de inovador na combinação de volume em papel e vídeos na web.  “Acredito que é uma grande estratégia de marketing, pois a história fica bem gravada na mente, e instiga o leitor/espectador a querer saber mais, a ler mais, além de ilustrar aquilo que acabamos de ler e facilitar na compreensão dos textos”, afirma o publicitário Guimarães.

    A bibliotecária do Rio de Janeiro Adriana Ornellas, 25, que comprou o livro mas ainda não leu, conta que a temática foi o que lhe chamou atenção na obra. “Sempre me interessei por livros com serial killers e/ou psicopatas. Leio livros e vejo muitos filmes do tema”, declara. Para ela, a união de texto e vídeos numa mesma obra é um ponto positivo. “Pode-se ler e assistir os vídeos em momentos diferentes. É um enriquecimento para a história”, comenta.

    Próximos capítulos

    O livro, que será uma trilogia, terá sua segunda parte lançada ainda este ano no Brasil. A terceira e última parte deve chegar em 2011.

    O professor Tiago Lopes prevê que os próximos títulos não vão cativar tanto o público quanto o primeiro. “Não acredito que as sequências farão tanto sucesso”, arrisca. “Se os vídeos fossem disponibilizados em outras mídias como o iPad, em que texto e vídeos ficassem concentrados num mesmo espaço, facilitaria mais a leitura”.

    Lopes afirma que, para esse tipo de interação entre mídias, a história deve ser interessante. “Não sei se a ideia daria certo ou faria sucesso com outros temas, mas creio que tudo depende da história do livro”, complementa.

    Cauteloso e metódico, o antagonista Sqweegel é um assassino que nunca deixa pistas. Não possui um modus operandi como outros assassinos. Veste uma roupa branca, colada ao corpo, com um zíper na boca e aberturas nos olhos. Tem imensa flexibilidade e elasticidade com o corpo.

    Suas vítimas podem ser qualquer pessoa, com exceção de bebês – ao menos por enquanto. Qualquer um pode ser o método utilizado.

    Jogo

    Além do livro Grau 26, há outra novidade para os fãs do personagem Sqweegel: um jogo em que o internauta é convidado a desvendar os enigmas deixados pelo assassino. A exemplo do que ocorre na série CSI, escrita por Zuilker, é necessário observar com atenção a cena e encontrar a palavra chave que permitirá o acesso ao próximo enigma. Isso ocorre sucessivamente até que a “vítima” seja salva.

    A universitária Suelen conferiu o jogo, mas não ficou satisfeita. “Joguei, mas não gostei muito. Começou super bem, chamou a atenção, mas o final deixou muito a desejar. A coisa ficou meio que no ar, e foi muito rápido. Sinceramente, esperava mais”, analisa. Para o publicitário Marcílio Guimarães o jogo não despertou interesse: “Eu vi, mas não joguei”.

    Mesmo com todas as novidades que surgem a cada momento, as redes sociais, as tecnologias, o professor Cláudio Zanini não acredita que o livro impresso chegará ao seu fim. “Essa ideia é uma besteira”, afirma. “Por mais que o computador ofereça alternativas diferentes para leitura, nunca será igual ao livro tradicional.”

    Assista um dos vídeos que complementa a história:

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    27 de Setembro de 2010 às 6:53 pm



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