Quinta-feira, 09 de Fevereiro de 2012
  • Tempo agora em São Leopoldo: 27°C
  • Conversando com Moacyr Scliar

    Fernanda Fofonca e Natália Silveira
    Estudantes de Jornalismo

    “Vocês viram que eu ganhei muitos prêmios, mas o melhor prêmio é estar aqui com vocês esta manhã. Para um escritor a melhor coisa é estar junto de seus leitores”. Com estas palavras Moacyr Scliar deu início a uma conversa com seus leitores, nessa sexta-feira, 31, na Casa do Pensamento, localizada no Armazém do Cais do Porto, na 54ª Feira do Livro De Porto Alegre.

    Ele começou falando de sua família e da influência que exerceram para sua formação como escritor. Seus pais eram imigrantes russos, que vieram para o Brasil trabalhar com a agricultura, mas por outras circunstâncias acabaram indo morar em Porto Alegre, onde se estabeleceram no bairro do Bom Fim.

    Por serem uma família de origem humilde, não tinham muitas opções de lazer, como ir ao teatro ou ao cinema, o que naquela época eram atividades de uma classe elitista. Com isso se reuniam os vizinhos para contar histórias. Segundo as próprias palavras de Moacyr Scliar, seu pai era um verdadeiro contador de histórias, e que isso acabou o influenciado. Ao invés de ir brincar com as outras crianças, ele ficava junto aos adultos, ouvindo as histórias de seu pai sobre o Brasil na versão de um imigrante, e como estes imaginavam como seria o país antes de chegarem aqui.

    O escritor conta que outra forte influência de seu gosto pelos livros, vêem de sua mãe, que era professora e sempre o incentivara a leitura. Ela tinha o costume de levá-lo a livraria, e Moacyr por saber das condições precárias de sua casa, questionava a mãe de quanto poderia gastar em livros. Sua resposta era sempre de que poderia faltar móveis, roupas, e até comida, mas livros não.

    Depois de sua curta explanação, o microfone foi aberto para o jovem público que estava presente na Casa do Pensamento, para que fizessem perguntas ao autor. Questionado sobre de onde obtivera inspiração para escrever o livro Festa no castelo, ele respondeu que foi inspirado em um sapateiro que ele conhecera no bairro onde morava. Este homem era comunista e uma daquelas pessoas que possuíam o desejo de mudar o mundo. Como influência para a obra, também houve o episódio de uma fábrica de sapatos em Teutônia, que estava prestes a falir. Devido a isso os funcionários compraram a empresa, para que isso não acontecesse.

    Sobre conciliar a carreira de médico e escritor, Moacyr afirmou que atualmente se dedica quase que integralmente a carreira de escritor, mas que antigamente era complicado cumprir as duas atividades, mas como eram duas áreas que ele tinha interesse acaba se esforçando para cumpri-las.

    Seu comentário de despedida fazia alusão à importância do evento: “A Feira do Livro é uma das coisas que mais estimula as pessoas a lerem, porque é um ambiente informal, que permite o encontro de jovens leitores com os livros e com os escritores”.

    Quem é Moacyr Scliar

    Moacyr Scliar é um médico por formação, mas que encontrou no seu caminho a literatura. Autor de cerca de 80 livros, entre crônicas, contos, ensaios, romances e literatura infanto-juvenil. Seu primeiro livro publicado é Histórias de Um Médico em Formação, porém depois de algumas releituras, o próprio autor admite que não gosta do que escreveu, tanto que não permitiu que este fosse reeditado. Mais tarde publicou várias outras obras, entre elas O ciclo das águas, A estranha nação de Rafael Mendes, O exército de um homem só e O Centauro no jardim. Em 2003, é eleito, com 35 dos 36 votos válidos para a Academia Brasileira de Letras. Além disse ganhou vários prêmios como o Jabuti (1988 e 1993), o Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) (1989) e o Casa de las Americas (1989).

    Related posts:

    1. Palestra com Moacyr Scliar em Porto Alegre

    TAGS
    , , ,

    1 de Novembro de 2008 às 11:51 am

    Deixe um Comentário

    © Copyright 2012, Agexcom