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  • Cultura: quanto vale?

    Larissa de Oliveira
    Estagiária de Jornalismo

    Cultura no Brasil definitivamente não é pra todo mundo. Não, não é. E quando digo isso me refiro ao preço abusivo dos ingressos de shows por aqui.

    No último sábado, 13, o músico argentino Fito Páez se apresentou em Porto Alegre no Pepsi on Stage. Os ingressos custavam entre R$ 45 e R$ 100. “Tudo bem, um show internacional”, pode-se pensar. Vá lá.

    Mas não é bem assim. Grandes nomes da música, sejam eles brasileiros ou não, estão cobrando o olho da cara por um show. Exemplifico. Esta semana, Seu Jorge virá ao Teatro do Bourbon Country pela módica quantia de R$ 60, no pior local do espaço, e a R$ 100 na pista e platéia alta.

    No mês que vem, Marcelo Camelo – já citado nesta coluna – se apresentará no mesmo teatro a preços que vão de R$ 40 a R$ 120. Vai do nível de “perrenguice” do fã escolher a faixa de preço do ingresso, e da localização para ver o show.

    Considerando o valor do salário mínimo brasileiro, R$ 415, se o sujeito reservasse 10% do que ganha para gastar em atividades culturais, ele teria R$ 41,50 por mês para isso. Retomando: R$ 45 era o valor mais baixo para assistir Fito Páez em Porto Alegre.

    Tudo bem que as atrações do Teatro do Bourbon Country não são pra quem ganha um salário mínimo, isto é óbvio. A este cidadão, que provavelmente sustenta mais uns quantos com o que ganha, assistir televisão e fazer churrasquinho com os amigos já é uma grande atividade cultural.

    A questão é: onde foi que os parâmetros se perderam na hora de fixar o valor destes shows? Em que esquina ficou a vergonha na cara das produtoras e, sabe se lá se dos artistas também, em cobrar esses valores do público?

    A única maneira de julgar o que é caro ou não, mais do que um comparativo com o que se ganha por mês, é comparar com o valor governamentalmente estabelecido como o “mínimo” para se sobreviver neste país. E se essa diferença dispara demais só tem um nome para isto. Roubo.

    Prováveis desculpas: Os caras não vendem mais CD. Ok. Mas daí a cobrar R$ 100 por um ingresso? Estão achando que são a Madonna? (Ingressos no Brasil de R$ 180 a R$ 600!). Nem ela tem desculpa para um preço tão elevado assim. Que me desculpe, mas vai cobrar isso na Europa ou nos EUA. Mesmo o brasileiro classe média tem que se ferrar para conseguir ver um artista de porte médio, quiçá Madonna.

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    15 de Setembro de 2008 às 9:16 pm

    1 Comentário para “Cultura: quanto vale?”

    1. Lucas diz:

      Desculpa a pergunta, mas quantos CDs originais você tem em casa?
      Antigamente, os artistas ganhavam dinheiro com venda de disco, hoje não. E isso justifica sim o valor elevadíssimo dos shows…
      Um grande artista merece ser rico de alguma forma, e a única forma de reparar o roubo(pirataria sim eu chamo de roubo, é melhor roubar dinheiro do que baixar na Internet a obra completa de um artista sem pagar nada por isso!) é aumentando o preço dos shows. Infelizmente.

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