Andrei Andrade
Estagiário de Jornalismo
Dia desses uma colega perguntou: “Tu acreditas que em 60 dias uma pessoa se torne tua melhor amiga?”. Respondi que sim. Mas confesso que na hora não dediquei à questão o tempo necessário para encontrar um bom argumento. Pois o tema é realmente controverso, intrincado e complexo. Tanto é que hoje respondo não. Mas justifico. E com alguma convicção.
Talvez porque tenha lembrado que a boa amizade requer um pouco de nostalgia compartilhada de um tempo vivido junto. Dos bons tempos, principalmente. E se a amizade foi boa, certamente o tempo transcorrido foi bom também. Em um futuro distante, os velhos amigos serão a melhor memória que teremos de nós mesmos. É neles que iremos consultar nosso passado. São os nossos biógrafos, mesmo que não saibam.
A principal diferença do melhor amigo para os só amigos é não haver em si necessidade da prova de amizade. Posso ficar meses sem encontrar meu grande amigo, mas, quando finalmente o vejo, parece que o tempo não passou. Parece que nos vimos ontem. As amizades recentes, por mais intensas que possam ser, requerem presença, têm que ser renovada a cada dia, sob o medo iminente de perdê-la. Como saber, em 60 dias, se o sentimento irá permanecer na inevitável ausência do contato diário com o amigo?
Finalmente, discordo daquela máxima, daquele clichê que considera bom amigo o das horas ruins. Já digo aos novos que sou um péssimo amigo pras horas ruins. Não nego um ombro, mas tampouco acredito na eficácia desse ombro no combate às maiores dores que nos afligem. A dor é tão pessoal quanto o combate a ela. Por isso, poupe o amigo da sua dor. Principalmente, o velho amigo. Principalmente, porque ele irá senti-la também.
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8 de outubro de 2009 às 3:59 pm
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um lindo relato sobre o que é a amizade. aquela, a verdadeira. ótimo como sempre, andrei.
“Posso ficar meses sem encontrar meu grande amigo, mas, quando finalmente o vejo, parece que o tempo não passou.” É, acho que tenho um amigo! Parabéns pelo texto, adorei (de novo). Abração!
O silêncio no momento do encostar o ombro é tão
confortante quanto os milhares de conselhos que podem ser dados. Não é preciso dizer nada; basta a presença, o silêncio e o ombro.
Um abraço, meu velho amigo!
Parabéns pelo texto Andrei!
Achei lindo e emocionante a sua visão da amizade. A frase “Em um futuro distante, os velhos amigos serão a melhor memória que teremos de nós mesmos”, é perfeita, como todo o texto.
Abraço!
Concordo plenamente com o que foi escrito.
Grande Andrei:“Posso ficar meses sem encontrar meu grande amigo, mas, quando finalmente o vejo, parece que o tempo não passou.”
Bjs!
pois, se consigo contar uma coisa boa a dez, vinte, trinta pessoas, eis que eu vou nao pensar nem dez, nem vinte ou cinquenta vezes a expor uma ferida a Um amigo, Ao amigo. às vezes é aquela mesma dor, aquela mesma ferida, que teu amigo, de longa data, sabe até mais do que tu o quanto isso Te machuca. e te digo, que ele saber disso e eu saber que ele sabe, anula qualquer explicação de amizade. por sorte, eu lembro de um monte de gente quando penso em dividir um sorriso, mas por sorte, ou por azar, fico num beco sem saída, é apenas um nome, é apenas aquele colo, aquele abraço que dilacera e alimenta a minha dor – porque ela não deve ser “morta”, nem esquecida, nem nada. deve ser vivida. e que seja, para a tua sorte, nos braços dum amigo…