Sexta-feira, 03 de Setembro de 2010
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De olhos bem fechados

Raquel Piegas
Estagiária de Jornalismo

O diferente nos assusta. Quando nos deparamos com situações inusitadas ou até mesmo sensações que não fazem parte de nossa individualidade, quase sempre agimos como cavalos, que possuem viseiras laterais para que seus olhares foquem somente no horizonte e sua atenção não seja desviada pelo que está acontecendo à sua volta.

Nós, humanos, não nos diferenciamos muito disso no dia-a-dia. O gordo, o feio, o magro, o belo, o estrangeiro causam estranhamento. É difícil conviver com diferenças que de certa maneira nos agridem. Por isso, muitas vezes nos fechamos ao diálogo, aos diferentes pontos de vista e às razões que levam as pessoas a serem como elas são.

É sempre mais fácil não ver. Manter os olhos bem fechados, ou simplesmente enxergar somente aquilo que gostaríamos de ver, e tratar isso como uma verdade absoluta. Mas a vida, meu caro, é muito mais do que aquilo que nossas viseiras sociais permitam que a gente veja. É mais fácil trancar o portão quando alguém bate à nossa porta para pedir alimento. É mais fácil fechar o coração por medo de viver uma paixão.

No entanto, quando fechamos os olhos para apontar o dedo para as diferenças, impedimos que os outros nos enxerguem. Tornamo-nos conhecidos pelo comportamento agressivo, pela anti-sociabilidade, pela falsa timidez. Nosso mundo se resume ao interior. Enquanto isso, a vida passa, passa, passa… E os olhos continuam voltados para dentro. Ou tristemente fechados.

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2 de dezembro de 2009 às 5:39 pm

4 Comentários para “De olhos bem fechados”

  1. Marcos disse:

    Essa é a natureza humana. Simples assim. Acho que o ser humano sempre foi assim, desde de a pré-história. Destruindo o que não entendia e o que temia.

    Claro que hoje em dia a discriminação e pré-conceitos são exagerados. Basta prestar atenção, por exemplo, nos discursos religiosos, carregados de intolerância e ódio.

    Mulheres bonitas as magrinhas, sem estrias, com o cabelo e a roupinha da moda.

    Música boa é a que toda no rádio e as que passam na MTV, senão não estariam lá (essa acho que exagerei, mas tenho certeza que querem que pensemos assim).

    Eu sou bem anti-social, quase não tenho amigos, tenho dificuldades pra lidar com outras pessoas, não consigo me enquadrar a “grupinhos”.

    Sim, é um problema grave que tenho e tenho sérias dificuldades em superar isso. Sou intolerante com muitas coisas.

    E eu tenho ciência disso, não sou muito diferente das outras pessoas, não me acho especial, e por mais triste que seja, não consigo superar isso completamente.

    Posso entender de certa forma o que está errado, mas não consigo superar.

    Talvez seja contra a minha natureza humana.

    De qualquer forma, bom texto, nos faz pensar (ou não).

    Beijos

  2. Marcos disse:

    Alías, acho que me sinto especial sim, no fundo (ou nem tão no fundo), me sinto a azeitona da empada.

    Sei que não sou, mas quero ser e acredito que seja.

    Confuso não?

  3. Guilherme disse:

    Bacana Raquel.
    “tristemente fechados”. Bela conclusão, concordo.

  4. Fabio disse:

    Depois de algum tempo sem visitar aqui, voltei. Continua bom, como sempre.

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