Andrei Andrade
Estagiário de Jornalismo
De volta à mulher perfeita, não só pela recorrente falta de inspiração que me acomete o verão. Tem um pouco de direito à tréplica, de direito de resposta. Respostas que me dão o prazer de cometer mais algumas linhas em homenagem à mulher perfeita.
Percebo que a mulher perfeita não se acusa como tal. Exponha a ela os tópicos de sua perfeição e estará estabelecido o agradável jogo do “sim, tu és, não, não sou”. E não pense que irá persuadi-la. Porque a mulher perfeita, é bom lembrar, é inteligente. Faz parte da sua condição conduzir muito bem um jogo retórico.
Gerou boas repercussões o singelo tratado da mulher perfeita. Teve o amigo que discordou de mim em uma mesa de bar. Argumentou: “Não existe mulher perfeita”. “Tens razão”, respondi. É que, paradoxalmente, ser imperfeita é uma nobre qualidade da mulher perfeita. A perfeita imperfeita é mais-que-perfeita.
A segunda que compartilho veio de uma admirável integrante da classe mais do que referida. Disse estar longe de ter as qualidades necessárias – os pré-requisitos, digamos – e, por isso, não havia se identificado com a crônica. Mas a perdoei. É que a mulher perfeita não precisa, necessariamente, entender sobre mulheres perfeitas. E esse, acreditem, é um caso comprovado de mulher perfeita. Por mais que ela negue.
A terceira negação veio de uma estonteante integrante da classe. Esta, enquanto me destilava sua beleza, inteligência e simpatia, falou repetidas vezes do meu engano ao classificá-la como a mulher perfeita. Seu argumento, “não sou tão legal assim”, seguido de justificativas e repetido como um mantra a cada um de meus elogios, foi daqueles lindos de se ouvir calado, contemplando a inefável combinação entre a mulher perfeita e a noite. Qualquer noite. E se eu não estivesse ali, tendo a prova empírica de que não me enganara, talvez até acreditasse.
Por mais detalhado que se faça o diagnóstico, a mulher perfeita irá negar sua perfeição. Leitores e amigos continuarão a afirmar que ela não existe, sem que entremos em comum acordo. Mas em meio a tanta discórdia, é preciso reiterar: não desistirá este entusiasta de seguir com as homenagens.
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4 de Novembro de 2009 às 2:50 pm
Esse é o Andrei! Sempre com belas e apropriadas palavras. A perfeição está nos pequenos e sutis defeitos de cada mulher, pq somos seres humanos, logo, somos imperfeitos. Excelente texto, junto com a narração e observação vindas da essência de um jornalista!
Andrei, suas crônicas sobre “mulher perfeita” aliam inteligência e sensibilidade. Revelam, sinalizam percepções. E o mais interessante: compõem um diagnóstico do “homem perfeito”.
Grande abraço!
Ok, nem os “portrates” ficou tão bom, coisas de “textinhos pequenos” = deixa assim.. hehe! Um grande abraço e sucesso!
Giovani