Lucas Barroso
Jornalista
… foi quando minha vida, inexplicavelmente, se tornou uma canção doce e meiga do Kid Abelha. Com uma letra que poderia ser alegre ou triste, tanto fazia, porque a melodia seria pra cima. E chegaria o momento do refrão. E seria demais cantá-lo a plenos pulmões. E seria divertido escrever a história enquanto se vive. Seria e foi raro, na verdade.
É preciso volta um pouco. Só sei que te encontrei no momento que brigava com alguém (que não me lembro quem) pelo telefone celular. Eu desliguei e guardei o aparelho no bolso. Depois disso, tomamos o mesmo ônibus porque o trem tinha estragado. Sentamos lado a lado. Falamos as mesmas coisas. Pensamos as mesmas coisas. Olhamos o mesmo pôr-do-sol e as mesmas paisagens correndo pela janela.
Não conseguimos nos conter. Teve beijo de novela. Teve cafuné. Teve choro. Mas só você chorou, porque eu não conseguiria mudar tanto assim. Não em um dia! Segurei suas mãos de tesoura. Estavam tremendo. Vi seus olhos de bola de gude. Olhando…
Naquele dia, que até hoje não sei qual era, deixei toda a gente para trás. Eles ficaram desapercebidos em alguma gaveta da memória. Porque as coisas pareciam ter algum sentido. Porque naquele dia foi banal ser feliz. Foi tão banal sorrir de qualquer bobagem. Foi tão banal quanto uma canção do Kid Abelha. No final das contas, a gente fez aquele dia valer a pena.
Agora, dói um pouco saber que aquele dia foi único. Dói ouvir a Paula Toller sussurrar que “depois de você, os outros são os outros… e só”.
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Lucas Barroso
21 de Outubro de 2009 às 1:27 pm
