Gabriela Schuch
Estagiária de Jornalismo
Uma nova mídia é possível foi o tema da aula inaugural dos cursos de Comunicação Social. O evento, promovido pelo grupo Cepos contou com a presença do professor da Universidade Fluminense Dênis de Moraes, co-autor do livro Mutações do visível: da comunicação de massa à comunicação em rede, da editora Pão e Rosas.
“É nosso dever e ofício desconfiar do que lemos, vemos e ouvimos”, com tal conselho aos comunicadores, Denis de Moraes iniciou a palestra que abre inaugura oficialmente as aulas dos cursos de comunicação.
A visita ao Rio Grande do Sul serviu para divulgar seu novo livro, Mutações do visível: da comunicação de massa à comunicação em rede, resultado de uma viagem de três anos pela América Latina. Foi tal período que confirmou o que Moraes já sabia: “O Brasil não é o centro do mundo”.
A passagem por Argentina, Uruguai, Venezuela, Equador, Nicarágua, Chile e Brasil resultou em uma análise do modelo progressista de governo que busca uma diversidade cultural. E foi a partir disso que o comunicador percebeu que uma nova mídia é possível. “Não falo apenas de jornalismo, falo de comunicação”, enfatizou Moraes.
O “eixo da esperança” – Equador, Bolívia e Venezuela – é descrito pelo professor com um carinho ímpar. Segundo ele, tais governos enxergam a possibilidade de descentralização e de uma nova mídia. A Bolívia, por impedir o monopólio das grandes redes de comunicação, o Equador por investir em uma tevê estatal, e a Venezuela por sua vez, por financiar com o dinheiro do Banco do País as ações dos países vizinhos.
E porque isso não acontece no Brasil? De acordo com Moraes, a nova mídia é possível, mas não chega ao nosso país por uma questão de prioridade. “Enquanto os outros países estão decidindo a programação das rádios por meio de assembléias, o BNDES está financiando o novo parque tecnológico da Fiat. E é tal primazia que mantém o poder midiático do Brasil centralizado”.
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30 de Março de 2010 às 6:10 pm