Quinta-feira, 09 de Fevereiro de 2012
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  • Eles Não Passam de Uns Professores…

    Lucas Barroso
    Estudante de Jornalismo

    Você é jovem. É um potencial. Tem talento. Afinal, todo ser humano recebe um Dom. Estuda numa Universidade, presidida por padres anchietanos ou de qualquer outra vertente religiosa. Sonha. Corre atrás. Pede ajuda. Tudo para “ser” alguém na vida. Talvez, ou provavelmente, esse “ser alguém” nunca seja concretizado. Faz parte do jogo. Enfim, alguém precisa pagar a hipoteca… O que é uma outra história. Agora, nessa época de sua vida, é necessário tomar decisões. Que área seguir no âmbito profissional, por exemplo. E a questão é uma só. O seu professor universitário, onde anda que não percebeu que você existe? Estaria preocupado com suas pesquisas? Quem sabe seu Pós-Doutorado lhe tome muito tempo? Quem sabe… Mas e todo aquele discurso acadêmico, comovente e longo, sobre desenvolver potencialidades? Deve estar escondido nas últimas gavetas da memória de nossos simpáticos e desinteressados mestres. E falando em mestres… Uma das idéias veiculadas a um mestre é de que ele direciona e guia seu aprendiz ou aprendizes. Que professor faz isso em sua Universidade? Decerto que poucos. Raríssimos. Nenhum. Mas se o mestre é alguém que direciona o futuro profissional a “ser alguém”, o que é que o professor universitário faz? Nada demais. Apenas, divulga idéias. Alheias ou não. Chega na aula senta, ou fica de pé mesmo, e despeja autores. Talvez, no seu íntimo, torça para que um pensador mude a vida de seus pupilos e o estimule a algo. Muitos conteúdos didáticos depois, dão seu “boa noite” ou “até o semestre que vem” e seguem vivendo suas vidinhas. Pronto. É isso, não é? Mas é um gesto nobre, claro. Porém tímido e insuficiente. Os alunos pedem mais. Imploram por uma proximidade. Por algo próximo ao interesse. Mesmo em silêncio. Mesmo dispersos nas salas de aula. Mesmo lendo os batidos autores dos séculos passados e retrasados no trem e no ônibus. É triste, mas esta pessoa diante do quadro verde não sabe nada sobre você. E nem quer saber… Ele quer ser, “apenas”, professor universitário.

    Um Lapso de Alegria no T6 Lotado

    Você já andou de T6 lotado? Nossa! Esse ônibus cruza a Zona Norte e Sul de Porto Alegre. Por isso tanta gente, meu Deus. Cotovelos. Coxas. Bundas. Todo o tipo de pessoa e porte físico. Tem horários em que enche mais que outros, óbvio. Oito horas da manhã, por exemplo, tem neguinho dependurado. Tensão. Estresse. Começo de rotina, sabe. De tão cheio, muitos acabam se acomodando na porta do ônibus. E por incrível que pareça, esses têm um pouco de sorte. Isso por que o motorista, um sarará típico, tem um radinho de pilha ligado. Ontem, enquanto ele guiava, tocou Burguesinha de Seu Jorge. A melodia rolava e o condutor batucava a direção. Nós cantarolávamos acotovelados uns sobre os outros. Que alegria! Mas a canção acabou. Logo após de Seu Jorge, veio a Pitty e todos se estressaram de novo. Afinal, a rotina estava para começar. E aquele aperto tava de lascar.

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    14 de Março de 2008 às 6:22 pm

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