Juliana de Brito
Estagiária de Jornalismo

"A grande imprensa ouve a maioria de visíveis e esquece a massa de invisíveis"
A voz serena e delicada de Eliane Brum hipnotizou os 160 estudantes e professores que ouviram a palestra A vida que ninguém vê, atividade da Semana da Comunicação. Não é exagero afirmar que a jornalista entorpeceu os estudantes, pois, por mais de uma hora, todos estiveram em sintonia com ela. Eliane silenciou a plateia, provocou risos e lágrimas inevitáveis.
Descontraída e bem-humorada, a repórter da Revista Época iniciou a palestra dessa quinta-feira, 4, contando um pouco da sua trajetória e de seus conceitos de jornalismo. Eliane leu trechos de seus livros A vida que ninguém vê e O olho da rua como forma de ilustrar suas ideias. Para ela, a consciência da fragilidade auxilia o repórter a contar suas histórias. “O nosso primeiro personagem somos nós mesmos”, afirmou instigando os estudantes a se conhecerem na apuração de cada matéria.
“Eu vejo dois tipos de jornalistas: os que pensam que o jornal vai embrulhar peixe no dia seguinte e os que têm a consciência de que aquilo que fazemos é documento. Eu estou neste segundo time”, definiu. Ela enfatizou a necessidade de o repórter perceber o peso da responsabilidade como contador da história contemporânea da nossa época.
Para cumprir essa missão, Eliane sugere o exercício diário de enxergar o cotidiano de outra forma e sempre duvidando das certezas que se têm sobre as pautas. “Olhar para ver é um exercício diário de não submissão. Vejo que o mundo continua o mesmo, mas atualmente os jornalistas contam suas histórias de dentro para fora”, critica. Por isso, é preciso resgatar a escuta. “Quando o entrevistado para de falar, ele nos dá uma informação. Essa é a escuta profunda da realidade. Porém, ir para o mundo dos outros exige desprendimento. É preciso se despir das crenças”, ensinou.

Alunos e professores ouviram com atenção a jornalista da Revista Época
Eliane afirmou com polidez e firmeza que depois de um tempo descobriu que a grande imprensa não deixa de escutar as histórias com atenção por prepotência ou chatice: “Eles não escutam por medo de que aquilo lhes espante ou surpreenda”. Demonstrando seu orgulho sobre o que faz, ela falou da importância em honrar com sensibilidade as histórias que são concedidas pelos personagens.
Sobre seu estilo de texto, ela lembrou que foi preciso conquistar seu espaço. “É necessário apurar tudo com muita precisão, acreditar no que faz”. Ao fim, os ensinamentos e as histórias de Eliane Brum causaram muitas perguntas por parte dos alunos e professores. Questionada sobre os procedimentos de apuração, a jornalista se diz intuitiva, mas também observa muito.
A jornalista admitiu erros também. “Eu constrangi alguns entrevistados da matéria que fiz sobre a Casa São Luiz para Velhice, no Rio de Janeiro. Isso me deixou mal por muito tempo. Eu fui covarde, porque só consegui me desculpar quando publiquei o livro O olho da rua. Assim, eu pude falar dos bastidores das reportagens e dos meus equívocos”, revelou. Por isso, ela é definitiva: “Nenhuma matéria é mais importante que uma vida”.
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5 de Junho de 2009 às 6:04 pm
Belo texto e belas fotos… acho legal quando as matérias do Portal3 vêm acompanhadas por fotografias… acho que se poderia usar mais isso!?
Juuuuuuuuuuuuuuuuuuu!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Aplausos de pé!!
Conseguiu descrever com elegância e sutileza tudo o que aconteceu ontem! Está ótimo! A presença de Eliane nos contagiou mesmo e inspira pessoas sensíveis como vc a escrever belas palavras!
Parabéns
amiga assitie palestra sobre vc fiquei feliz que tem pessoa como vc neste mundo pessoa que viver o poblema dos idoso sao muito mal tratado abraco oswaldo vr