Raquel Piegas
Estagiária de Jornalismo
Igreja do Evangelho Quadrangular, Igreja Celular, Sara Nossa Terra, Universal do Reino de Deus, Rosa de Saron… Um texto opinativo com limites de caracteres não é suficiente para listar as inúmeras igrejas existentes com a mesma promessa: o encontro com aquele que supostamente rege o Universo e a salvação oriunda desse contato divino.
Basta caminhar pelas ruas de qualquer cidade para constatar que o ser humano busca em estabelecimentos ricamente decorados – ou nem tanto – a promessa de uma vida e uma morte plena, por meio da chamada “transformação do caráter pela operação de Cristo” (segundo o site da Sara Nossa Terra). Isso me leva a pensar num possÃvel lema para essas Igrejas: “Onde há um ser humano aflito, estaremos lá”.
Nunca frequentei um culto. Aliás, presenciei um evento dessa natureza uma única vez. Foi na minha cidade natal, há cerca de seis anos. Entrei por curiosidade – e, confesso, por farra, já que estava acompanhada de um grupo de amigas – na Igreja Universal do Reino de Deus, em Santana do Livramento.
Quem me conhece, sabe que minhas vestimentas são quase sempre em tons escuros, predominantemente preto. É uma questão de preferência, e não uma ligação com um possÃvel culto satânico ou algo parecido. Pois minhas roupas bastaram para me caracterizar como uma endemoniada. Ao entrar na Igreja, que ocupa o que fora um grande e luxuoso cinema, fui avistada pelos chamados missionários. Pessoas vestindo branco, com um semblante demasiadamente tranqüilo. Fui praticamente carregada em direção à multidão que entoava cânticos de salvação. Naquele momento me perguntei que diabos estava fazendo ali. A sorte toda é que o culto estava em seus minutos finais, os momentos seguintes seriam destinados a doações em dinheiro. Como eu não tinha um trocado no bolso, fui embora.
Não fui salva. Aquilo não fez sentido pra mim. Minha vida não melhorou ou piorou porque ouvi algumas palavras de um pastor com sotaque nordestino que falava portunhol. Até hoje não entendi o porquê de tantas pessoas encontrarem dentro das quatro paredes de um prédio aquilo que seria a promessa de uma vida eterna. E pagarem por isso.
Durante minha vida, presenciei várias “operações de Cristo” em amigos. E posso dizer, com conhecimento de causa, que as transformações são drásticas. Os caminhos escolhidos por essas pessoas não são produto de uma reflexão pessoal, uma opção individual. A influência dos pastores e demais lÃderes é clara pelo discurso explicitamente persuasivo, no qual diz que o único caminho correto a ser tomado é aquele que leva ao encontro do Messias.
Não sou contra as crenças. Sou contra a fraqueza que muitas pessoas disfarçam com fé e obediência (a quem?). É um absurdo dizer que beber uma cerveja com os amigos ou fazer sexo antes do casamento são atitudes condenáveis. Cada um tem sua ideia de felicidade. A minha eu construà com base em conceitos individuais, naquilo que creio ser necessário para viver bem.
Para construir um caráter, formar uma personalidade ou fazer minhas escolhas? Em nome do Pai, passo longe de influências de terceiros.
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25 de junho de 2009 às 5:38 pm
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