Quinta-feira, 09 de Fevereiro de 2012
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  • Esse tal que me invade

    Lorena Risse
    Estagiária de Jornalismo

    Descobrir na minha 18ª primavera o que meu corpo vai implorar pra fazer durante todo o resto do nosso período aqui neste plano. E isso, acredite, é pra poucos. Descobrir a sua verdadeira paixão e respirar fundo a essência dela todos os segundos que se seguem ao longo de um dia, semana, mês, ano… A vida é uma dádiva.

    Eu, essa paraense que vos fala, fui tocada pela certeza. Pelo menos uma vez na vida tive clareza daquilo que meu órgão vital estava me dizendo, com as batidas mais aceleradas, com a respiração ofegante, com um suor prazeroso descendo pela minha têmpora e por um suspiro invejável… Por tudo isso e mais um pouco eu tinha certeza.

    Tive tanta certeza que resolvi escrever este texto em primeira pessoa, deixando personagens para os contos e os achismos de uma história que eu apenas gostaria que fosse verdade. Coloco-me como sujeito neste texto porque agora não se trata de sonho, e, sim, de um sopro de realidade.

    Vi minha imaginação pairando por lugares novos e a lua brilhando branca no véu imaculado daquela quinta-feira. Vi o vento soprar contra o meu rosto e, pela primeira vez neste mês gélido, não cortar minha pele. Senti meu ego inflar tanto que seria capaz de me servir de air-bag em qualquer possível acidente de percurso.

    A paz que eu procurava sedenta pelas esquinas, pelas avenidas, eu encontrei quando pude me deitar nos braços dele, quando pude me abrir por completo e me satisfazer intensamente, quando senti que tudo era recíproco e quando eu pude ver que a alma dele já tinha me contemplado com a sua verdade e pureza.

    Tocar teclas mágicas, gesticular palavras que jamais serão ouvidas, apenas decifradas, fazer escorrer de dentro da minha aura uma luz que iluminará a mente de outros. Estranhos. Ter o poder nas mãos e fazer uso dele de todas as formas possíveis, provocando amor alheio, fúria, revolta, dor, passividade e o melhor, provocar a identificação imediata com os meus códigos de linguagem.

    Ele é tão forte e sem escrúpulos, tão tenro e ao mesmo tempo tão frágil.

    Descobri em um dia de semana frio, pálido, cansativo e solitário que a habilidade de mexer com as palavras era a chave para um sorriso eterno, para um gozo múltiplo, para uma entrega completa, para uma mina de ouro, para um orgulho que me levaria aos céus, bem perto das flores de laranjeiras, perto daquelas andorinha e daquelas coisas brancas feitas de algodão que encobrem aquele caminho colorido para um mega pote de ouro.

    Descobri uma paixão que não envolve sexo, que não envolve sentimentos cinza, que envolve apenas dedos, percepções e pensamentos.

    Descobri esse tal de jornalismo…

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    21 de Julho de 2009 às 4:45 pm

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