Lucas Barroso
Estuante de Jornalismo
Existem pessoas que tem fobia de velho. Algo entre o medo e o nojo. Chamam de Etarismo. É doença. Mas isso é para a medicina, psiquiatria e tudo mais. O importante é o que aconteceu. E foi mais ou menos assim. Uma velha caquética e enrugada pára diante da extinta Livraria do Globo, no Centro de Porto Alegre, e solta essa para um rapaz.
-Não acredito que acabaram com a Livraria do Globo!
-Hã? – pergunta o rapaz.
-Disse que aqui, onde tem essa loja de sapatos, tinha uma grande livraria.
-Como?
-É uma barbaridade, uma falta de respeito.
-Quê?
-O que fizeram, ora!
-Onde?
-Aqui, poxa! Deviam respeitar os prédios históricos, nossa cultura!
-Hum…
-Você é novo, rapaz. Devia se interessar mais por história, sabia?
Neste momento, o rapaz cutuca uma terceira pessoa que passava.
-Ei, você poderia avisar a esta maldita velha que sou surdo e não consigo ler os lábios desta infeliz!
Bossa Nova e Jornalismo: Coisa de Branco Classe Média
A Bossa Nova, como ritmo e movimento musical, faz 50 anos. O marco é o disco de estréia de João Gilberto, Chega de Saudade. Saudamos, então, este movimento que não tem nada a ver com o Brasil. E, sim, uma minoria do Brasil. Saudamos esse movimento que só perdurou (e perdura), porque tem a cara da imprensa brasileira: classe média, branca, intelectualizada e chata. Se fosse diferente, esse movimento não seria tão lembrado e reverenciado pelos jornalistas, que gastam toneladas de páginas a respeito. Ops, mais umas linhas…
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30 de Junho de 2008 às 9:15 pm