Lorena Risse
Estagiária de Jornalismo
Meus lábios estavam secos e meus pêlos ouriçados, ele protegia meus braços do frio, mas meu coração já havia congelado.
As mãos dele eram macias, mas não encontravam o caminho da minha tranqüilidade. As palavras que saÃam da sua boca eram doces, mas meus ouvidos eram amargos demais para escutar. O céu estava cravejado de brilhantes, as flores estavam florescendo, o vento estava cuidadoso com meus cabelos e as pessoas estavam radiantes, mas eu? Onde eu estava?
Eu estava em uma galáxia distante que sazonalmente eu ia visitar.
Lá tinha tudo com que eu me importo: um sol radiante e quente, flores de todas as espécies deitadas como um tapete, uma grama verde que era melhor do que qualquer colchão, árvores protetoras e pessoas…Pessoas de todas as cores e tamanhos, diferentes fisicamente, mas com o mesmo desejo de ser feliz.
Pessoas que olham para o lado com um sorriso no rosto e não se incomodam se você chorar no ombro delas, pessoas que escrevem poesias de noite e sempre acham que elas são as melhores de todas e sempre as guardam na gaveta ao lado do computador, pessoas que deixam rolar uma lágrima de felicidade ao ver uma criança sorrir, pessoas que deitam no asfalto e olham os brilhantes no véu negro e acreditam que o dia seguinte será melhor… Essas pessoas existem lá, é uma pena que só lá…
Essa galáxia é conhecida por algumas pessoas, sim! Ela não é uma projeção só minha…
Ah como eu queria que ele tivesse o passaporte para lá… Queria, mas infelizmente neste caso, querer não é poder.
Retornei á Via Láctea com a voz carinhosa dele, dei um sorriso amarelo e pensei comigo mesma: “Como eu queria…”, queria que ele fosse outro alguém, queria que ele fosse o cara que guia o trem que parte sazonalmente para aquela galáxia, mas ele não era… Ele era apenas o cara que fecha os portões da estação daquele mesmo trem.
Talvez eu estivesse querendo demais, mas o que fazer?
Eu sou assim! E talvez você seja…
Alguém sedenta por pessoas que viajam no balanço de alguma música, de pessoas que se entregam aos carinhos dos ventos das manhãs, pessoas que passam sorvete no rosto de quem lhes faz bem, pessoas que simplesmente dão um beijo na testa de boa noite e desejam bons sonhos.
Às vezes acho que tenho que mudar, mas não para outro estado (isso eu já fiz), mudar para aquela galáxia que fica á esquerda de Saturno, no buraco negro nº 8 que espera pela minha volta…
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28 de julho de 2009 às 4:59 pm
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Os textos são até bonitinhos, mas confesso, não entendo bulhufas do que essa moça escreve.
Adorooooo! Eu também quero o passaporte para este lugar Lorena! E entendo tudinho o que vc escreve e acho lindo e tocante!
beijão
Bem bom. Talvez o Juliano seja o cara que fecha os portões. Já pensei: será que não somos chatos e as coisas que não temos são sempre as que queremos? E o que nos faz ter medo de deixar os caras que fecham os portões, e procurar os que abrem? É o medo de ficarmos sozinhos? Mas a mila disse e concordo: somos sempre sozinhos.