Marcelo Collar
Estagiário de Jornalismo
Bom, foi no ano passado, mas vai ao encontro com o que quero escrever hoje. Veja a seguinte declaração feita pelo líder do KISS:
“Não há mais nada em mim que me faça querer fazer novas músicas. Como você lança essas músicas? Como você poderá ser pago por elas, se as pessoas simplesmente as baixam de graça?”
Vindo de uma banda como o KISS, é complicado responder a essa questão. Explico: o KISS quer arrancar cada centavo que seus fãs estiverem dispostos a pagar. A marca KISS aparece em escovas de dente até caixões. É a banda que faz turnês de despedida desde 1998 (persistência que inclusive ocasionou a saída do guitarrista Ace Frehley, o último bastião de noção dentro do KISS). Então os centavos que eles ganham com a venda de cada disco ou DVD pode ser importante nas cifras bilionárias com as quais eles estão acostumados a lidar.
Mas vamos ver o que diz o xarope do Lobão sobre o assunto.
“(O artista ganha) Uma média de 50 centavos por cópia. O Roberto Carlos, que é quem mais ganha em cima da vendagem de seus discos no Brasil, não recebe mais de 80 centavos por disco vendido.”
Quem lucra com a venda de disco são as gravadoras, sempre foram. E o governo. Os impostos sobre CDs e DVDs chegam aos 40%. Veja bem, como bandas como Dance of Days – os emos de São Paulo – conseguem vender discos (com todo o rigor de produção e embalagem) por R$ 12, e ainda sair no lucro? Simples, são independentes.
Eu costumava comprar discos originais. Mas parei, quando meus favoritos atingiram a faixa dos R$ 50. Como disse Trent Reznor, frontman do Nine Inch Nails, ao ver os absurdos preços dos seus discos na Austrália: “Baixem! Roubem! Gravem!“. As gravadoras costumam dizer que os preços estão altos justamente por causa da pirataria, mas uma coisa é certa: ninguém vai parar de baixar discos pra ver se os preços caem.
Por isso, adaptação é a palavra de ordem pra quem quer viver de música. E isso é possível, hoje mais do que nunca. Com a internet, as gravadoras estão em declínio, se tornando obsoletas, desnecessárias. E isso sim é o que as aflige.
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30 de Setembro de 2008 às 8:51 pm
Grande Marcelo!
Concordo integralmente contigo. Há muito parei de comprar discos. Há muito parei de curtir capas de Cds nas lojas. Era uma baita frustração. “Quanto que é?”… “R$ 60,00, já com desconto”. Cruz credo! Tô fora.
Gravadoras e correlatas levam ao exagero a máxima: o bom custa caro. E eu levo ao pé da letra: não rasgo dinheiro.
Grande abraço, Marcelão!
Miro