Quarta-feira, 08 de Fevereiro de 2012
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  • Havia dinheiro na mala

    Lílian Stein
    Estagiária de Jornalismo

    “Indo. Canoas espera por boas novas. Bom dia.â€

    “É, já vi esse filme antes. Roteiro do velho jeito. Convoquei a direção e o conselho do Banrisul para reunião na Casa Branca da Expointer.â€

    As frases acima foram postadas no Twitter pela governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius, na manhã de hoje, com um intervalo de quase três horas entre uma mensagem e outra. Na primeira, a candidata à reeleição se referia à construção da Rodovia do Progresso, projeto criado para desafogar a BR 116.

    Mais de R$ 2 milhões foram apreendidos em poder do superintendente de marketing do Banrisul, de um representante da SLM e do diretor da DCS

    As boas notícias, contudo, deram lugar a um escândalo de corrupção, tema do segundo tweet: desta vez, envolvendo o Banrisul – banco do qual o maior acionista é o Estado – e as agências de publicidade SLM e DCS. Um suposto desvio de mais de R$ 10 milhões nos últimos 18 meses levou o Banrisul a ser alvo de uma força-tarefa da Polícia Federal, do Ministério Público Estadual do RS e do Ministério Público de Contas.

    Na manhã desta quinta-feira, 2, foram presos o superintendente de marketing do Banrisul, Walney Fehlberg, um representante da agência SLM, Gilson Storke, e um diretor da DCS, Armando D’Elia Neto. Durante as buscas em residências e nas empresas, a PF apreendeu dinheiro sem origem identificada. Até o momento, foi recolhido um total de cerca de R$ 2 milhões em poder dos três.

    O escândalo atingiu a publicidade

    De acordo com a PF, as campanhas eram terceirizadas a empresas que, por sua vez, subcontratavam os reais executores dos serviços. Estes, supostamente, cobravam preços muito menores do que aqueles pagos pelo banco.

    Segundo uma testemunha – que denunciou o esquema por se sentir lesada depois de não receber o combinado –, um dos projetos teve faturamento extraordinário: um trabalho que custaria em torno de R$ 350 mil saiu por R$ 546 mil.

    Para o professor do curso de Publicidade e Propaganda da Unisinos Sérgio Trein, ainda é cedo para falar sobre o assunto: “É provável que a maioria dos nomes envolvidos não seja divulgada agora para não atrapalhar as investigações. O Banrisul tem a tradição de trabalhar com duas agências (no caso, a DCS e a SLM), mas não se sabe quem é a empresa terceirizada – nem se, de fato, é uma agência de publicidade ou até mesmo uma produtora de vídeos, por exemploâ€.

    Sérgio lembra que o escândalo acaba prejudicando a imagem da publicidade. “Ainda não é possível falar sobre o processo. Não dá para saber se o dinheiro desviado estava relacionado à produção, à mídia… Mas o caso preocupa, pois envolve a imagem da publicidade. É preciso esperar mais informaçõesâ€, comenta.

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    2 de Setembro de 2010 às 7:06 pm

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