Sexta-feira, 30 de Julho de 2010
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Imprensa: produto e consumo

Maria Maurente
Estagiária de Jornalismo

O julgamento do austríaco Josef Fritz foi marcado por sátiras contra a cobertura da imprensa. O dramaturgo Hubsi Kramar apareceu em frente ao tribunal, encenando uma peça teatral em que pretendia denunciar a exploração que a mídia faz da imagem das vítimas.

Outra peça, a “Pensão Fritz”, foi encenada em frente ao tribunal em que o homem, acusado de manter a filha encarcerada por 24 anos e ter sete filhos com ela, era julgado. Dos personagens, um vestia um macacão branco com bonecos nus presos ao corpo e o outro carregava uma cruz com brinquedos que representavam crianças.

No local, dezenas de emissoras de TV, rádio, jornais, todos acompanhando o julgamento. A crítica realizada pelos atores (que, vamos convir, também queriam aparecer um pouquinho), vem de encontro ao que exaustivamente é discutido no campo da comunicação, seja em salas de aula, redações ou mesas de boteco: a imprensa gosta é de tragédia.

Mas será a imprensa? A imprensa, a imprensa, a imprensa. Sempre falamos dela como se fosse um ente superior, maléfico, inacessível, desconhecido. Quase como os políticos, o governo, os corruptos, todos jogados em um balaio comum e sacudidos até virarem todo o mal que conhecemos.

Mas a mídia, em todas as suas formas, assim como a política, não é feita apenas para nós. Ela é feita por nós. Sim, nós. Um baita balaio. Todo mundo junto e misturado. Cada um com sua parcelinha corrupta e seu pouquinho (ou muitinho) de “curiosidade mórbida”.

A imprensa estava acampada em frente ao tribunal (assim como ficou em frente ao apartamento de Eloá Pimentel, ou de Isabela Nardoni, ou de outros circos semelhantes aos quais já nos habituamos), por um simples motivo: estávamos todos louquinhos para saber o que aconteceria com o “Monstro Austríaco”.

Sim, estávamos. Vamos admitir. O chefe aqui da redação, Juan Domingues, publicou dia desses em seu blog um texto que falava exatamente sobre isso: ninguém aguentava mais o carnaval na TV. Traduzindo: a imprensa só transmite tragédia, e ninguém gosta. E quando ela foge disso, mesmo que por caminhos meio tortos, ninguém gosta também.

O produto resultante do trabalho da imprensa é isso: um produto. Disponível para quem quiser comprar. A imprensa só repensará o que quer vender se repensarmos sobre o que queremos consumir.

E aí? Quer saber como anda o julgamento do Fritz? Acesse aqui.

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17 de março de 2009 às 5:37 pm

4 Comentários para “Imprensa: produto e consumo”

  1. Mateus Ferraz disse:

    hoje, o jornalismo reduziu-se àquele pequeno bloco onde um cara fala entre um intervalo comercial e outro. assim, para prender a atenção de um público cada vez mais bisbilhoteiro, os veículos seguem um modelo que está dando certo: a espetacularização.

    é válido querermos mudar o mundo tentando dar uma sacudida nos consumidores da mídia. porém, é difícil lutar contra uma sociedade e um ensino que se tornam, a cada dia, menos eficazes em desenvolver o pensamento crítico da população. será mero acaso?

    ótimo texto.

  2. iara maurente disse:

    Há tempos “me debato” com o chamado critério da notícia. Em tese, tudo o que não sei pode vir a ser uma notícia. Claro, se seguirmos a escola clássica, teremos que perguntar sobre o ineditismo do fato ou o número de pessoas atingidas por ele, entre outros critérios.
    Ocorre, Maria, que acertas quando identificas a imprensa como um simples e banal produto em meio a um mundo comercializável – inclusive nos seus valores morais. As pessoas A-DO-RAM!!! fofocas, coisas bizarras e esquisitas….bem, tem quem acredite que satisfazer estes gostos é tarefa do jornalista. Será?

  3. A Maria trás torcida de casa, daí não tem graça…

  4. iara maurente disse:

    Poxa, André…assim fico constrangida..
    E, por dois lados: da mãe (coruja, claro!) e, a jornalista (atenta, espero).
    Se não posto nada, sou desalmada….se posto, a Maria paga o pato.
    Então, está decidido: não sei o que está certo – aliás, uma dúvida permanente da maternidade.
    E, afinal, André, concordas ou dicordas de mim?

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