Maria Maurente
Estagiária de Jornalismo
A tecnologia é um caminho sem volta. Não há como deixar de utilizar os benefÃcios que ela nos oferece. Não há como voltar ao passado e conceber redações de jornais em que o aparato tecnológico resumia-se a um telefone, e só. A internet agilizou o jornalismo. E o fez na mesma medida em que o empobreceu.
Essa questão foi abordada pela jornalista da Revista Época Eliane Brum em palestra sobre o seu livro A vida que ninguém vê, realizada na noite desta quinta-feira, 4, na Unisinos. Tanto em sua exposição para os alunos quanto em seu livro, a jornalista destaca a importância da proximidade com a fonte.
O trabalho realizado por ela, focado principalmente em histórias de pessoas comuns contadas com encantadora sensibilidade, jamais poderia ser realizado por telefone ou por e-mail. Eliane é autora de uma obra singular, carregada de sua identidade e seu modo de fazer jornalismo, desenvolvido ao longo de mais de 20 anos de profissão.
A especialidade da jornalista que lida com o comum é justamente fugir dele, já que, como ela mesma explicou, a grande imprensa define uma pequena parcela de “visÃveis” e uma grande massa de “invisÃveis”. E é nesses invisÃveis que Eliane encontra a matéria-prima de sua escrita. O que a jornalista realiza é um jornalismo diferente. Também por isso o tempo despendido em suas matérias é muito maior do que o disponÃvel quando se está lidando com as chamadas hard news.
As notÃcias que precisam ser apuradas, escritas e publicadas em poucas horas não são mais ou menos fáceis de fazer. De um repórter que lida com o cotidiano em sua mais pura essência é exigida agilidade. E aà entra a tecnologia como grande benefÃcio. Liga, manda e-mail, bate um papo no MSN e aà está a matéria, recheadinha de aspas.
Ganha-se em tempo. Logo, ganha-se em dinheiro. A lógica é essa. Mas perde-se em qualidade. Como bem definiu Eliane, os repórteres tornam-se “reprodutores de aspas em série”. Deixamos de ir a fundo na pauta, talvez até de descobrir uma pauta melhor por trás da inicial. Deixamos de perceber e de interpretar as expressões, os silêncios, os gestos, o jeito de nosso entrevistado.
Muito disso é fruto da exigência dos chefes, da pressão do fechamento, do acúmulo de funções. E muito disso é também fruto da mais pura preguiça. Do jornalismo que pesquisa no Google e busca referências na Wikipédia. O leitor pode jogar no Google também, não precisa de um jornalista que faça isso por ele. A função de um repórter é estar onde o leitor não estava e contar o que o leitor não viu. Acontece que é fácil quando se tem tudo pronto. E a facilidade economiza tempo, e o tempo economiza dinheiro. Será um caminho sem volta?
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5 de Junho de 2009 às 6:09 pm
Muito bom o texto, Maria!!! Sabia que eras boa, mas te achei muito mais que isso, és boa pra “baralho”!!! Tu vai sobrevoar BrasÃlia e atravessar oceanos… beijos e adorei te ler pela primeira vez…