Belisa Lazzarotto
Estagiária de Jornalismo
“É um marco na televisão e no audiovisual brasileiros”, diz o cineasta Fernando Meirelles, em entrevista à Folha de São Paulo, sobre a nova Lei da TV Paga. Após cinco anos em discussão no Congresso Nacional, as normas pretendem aumentar a circulação de conteúdo nacional, fomentando o mercado audiovisual do país.
A partir de setembro deste ano, os canais a cabo devem exibir, em seu horário nobre (das 18h às 24h), um mínimo de uma hora e 10 minutos de produções brasileiras, sendo que 50% desse tempo devem ser preenchidos por trabalhos independentes. Em processo gradativo, até 2014, essa cota de programas nacionais deve aumentar para três horas e meia.
Meirelles, que é sócio da O2 Filmes, uma das principais produtoras independentes do país, conta que recebeu “solicitações de praticamente todos os canais a cabo” desde que a lei entrou em vigor. “É um belo momento para quem tem projeto e para quem acabou de se formar e precisa trabalhar”, incentiva o cineasta, realizador de filmes como Cidade de Deus e o inédito 360, com Jude Law e Anthony Hopkins.
Milton do Prado, coordenador do curso de Realização Audiovisual da Unisinos, conta que quando a TV a cabo chegou ao país não se pensou em produções independentes porque elas não existiam na rede aberta. “Não estamos acostumados a esse tipo de conteúdo no Brasil”, salienta.
O professor também destaca que amigos seus de produtoras independentes gaúchas já receberam telefonemas com encomendas. “Acho que vai ter espaço para todo mundo”, enfatiza.
Prado relata que em países como o Canadá e a França grande parte da programação é de conteúdo independente. Portanto, ele considera a nova lei “extremamente tímida” em comparação às daqueles países. “Não é grande coisa, não vai alterar o perfil do canal”, argumenta sobre possíveis reclamações que surjam por parte das emissoras.
Para Meirelles, era necessária a criação da lei para impulsionar o mercado nacional, uma vez que a maioria das emissoras de TV a cabo é filial de matrizes americanas. “É mais conveniente pegar um produto que é bom e está pronto, dublar ou legendar e exibir sem custo”, pontua. Prado concorda: “Nenhum setor sairá prejudicado”. Para ele, haverá geração de renda e a criação de uma economia local.
O professor esclarece que, antes do curso de Realização Audiovisual da Unisinos, era muito difícil encontrar diretores de fotografia, por exemplo. “O mercado influencia a academia, e a academia influencia o mercado”, ressalta. Ele conta que o número de escolas de cinema no país cresceu muito nos últimos 20 anos: “O mercado foi se expandindo”.
Outra mudança que deve ocorrer com a Lei da TV Paga é que pacotes por assinatura serão obrigados a veicular canais com conteúdo somente brasileiro – seguindo as mesmas normas de 50% do espaço reservado para produções independentes. No primeiro ano, um em cada nove canais deverá ser de conteúdo nacional. De forma progressiva, em 2013, a proporção será de um a cada três canais.
15 de Junho de 2012 às 5:00 pm