Quinta-feira, 09 de Fevereiro de 2012
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  • Mais bocas para alimentar

    Maria Maurente
    Estagiária de Jornalismo

    Será que precisamos de caças, submarinos e navios? Essas são perguntas que não podem ser respondidas por leigos, pois para respostas justas são necessários conhecimentos avançados sobre economia, política, tecnologia e estratégia diplomática. E vereadores,  será que precisamos de mais um punhado deles?

    Essa não sabemos responder porque ninguém explicou ainda para que precisamos de mais 7.709 vagas no legislativo brasileiro. Ninguém explicou por que essas vagas estão fazendo falta no atual quadro político. Ninguém nos disse ainda quanto dinheiro continuará saindo do bolso do contribuinte para que a decisão do Congresso seja colocada em prática.

    Mamar nas tetas do governo deve mesmo ser uma delícia. Ou vai me dizer que aqueles suplentes que lotavam as galerias da Câmara de Deputados durante a votação estavam ansiosos para modificar a política, fazer o bem pelo povo, colocar em pauta projetos de lei que podem mudar os destinos do país? Duvido. E duvido por estar condicionada a isso. Como quase todo o brasileiro, estou desacreditada. Infelizmente.

    Em tempos em que a política precisa ser revista, renovada, discutida – precisa, em suma, de uma limpeza profunda e geral –, o que se faz não é diminuir as vagas e restringir o acesso. É aumentá-las, abrir espaços não apenas para mais vereadores, mas para mais assessores, aspones e sanguessugas.

    A festa dos suplentes. Ou seria farra?

    A festa dos suplentes. Ou seria farra?

    Foi vergonhoso ver a comemoração, digna de final de campeonato, quando anunciada a aprovação do projeto. Que, por sinal, já tramita desde o ano passado, e nesta quarta-feira, 9, foi aprovado pela segunda vez. De lá pra cá, sofreu apenas algumas alterações. Ainda falta saber se a decisão é retroativa às eleições de 2008 ou se só valerá para 2012.

    Pode ser maldade minha dizer que todos que lá estavam, aguardando pela sua fatia do bolo, não tinham sequer uma boa intenção. O fato é que está cada vez mais fácil ser político no Brasil. Ao passo que está cada dia mais difícil engolir esse jeito de fazer política.

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    11 de Setembro de 2009 às 4:59 pm

    3 Comentários para “Mais bocas para alimentar”

    1. Natacha Kötz diz:

      Querida colega e amiga, Maria Maurente.
      Não é maldade nenhuma dizer que todos (e ainda acrescento SEM EXCEÇÕES) que estavam lá não tinham boas intenções.
      Atualmente, ser político no Brasil está tão fácil quanto ser Jornalista, depois da não obrigatoriedade do diploma.
      Ótimo texto, como sempre.
      Beijinho

    2. Fumy Santana diz:

      Maria!

      Que belo texto e que oportuna tua pauta, de coração. Um bando de sanguessugas – como tu bem redigiste – que enxergam na política uma carreira profissional e não um espaço para contribuir temporariamente com a sociedade, não é verdade?

      Vamos fazer referência ao teu texto no Twitter.
      Parabéns!

    3. iara diz:

      Maria,

      tu podes estar descrente…quem está desacreditada e a classe política, concordas?
      No mais, fecho contigo e me delicio imaginando um bando de suplentes tirando e botando os ternos e gravatas no armário…
      Quanto à necessidade de representação política, não podemos esquecer que muito sangue rolou nas ruas deste país para que pudéssemos ter vereadores, deputados (estaduais e federais) e senadores, além de podermos escolher diretamente nossos representantes nos executivos. Por isso, ao criticarmos os políticos, penso que devamos manter as instâncias de representação preservadas. Mudando os políticos que aí estão quem sabe tenhamos câmaras de vereadores mais atuantes e representativas. Afinal, a democracia é, essencialmente, um regime representativo, não é mesmo?
      Parabéns pelo artigo
      Iara

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