Camila Vargas
Estagiária de Jornalismo
A nata, a granfinagem, a elite, os ricaços, os vips da cidade todos reunidos em uma mesma festa. Óculos Ray Ban, Dior e Dolce Gabana escondiam os olhos claros dos convidados. Camisas Lacost, calças da Carmim, bolsas Gucci e Louis Vuitton desfilavam pela casa de campo do Dr. Luciano, o cirurgião plástico mais badalado da região.
As duas piscinas embelezam ainda mais a parte externa com coqueiros que as rodeiam. A vista da mansão era para um campo muito verde com alguns bois e vacas pastando. Dando uma volta de 90 graus, já se conseguia enxergar bem lá no alto uma imagem de Nossa Senhora Aparecida. Ao chegar, não acreditava que alguém poderia ter aquela “humilde” casa de campo. Ainda mais com a varanda dos meus sonhos.
Sei que tenho dificuldade de me camuflar entre os ricos, comecei a tirar fotos do local. Claro, tenho boa educação, sou polÃtica, cumprimento todos com educação. Mas chega um momento que nem todo o chope gelado oferecido na festa consegue apagar minha percepção sobre o ambiente. A falsidade de algumas pessoas, a imensa vaidade se estabelece e o cinismo impera nas conversas.
Um mundo bem diferente do qual costumo vivenciar. Com peruas de saltos altos conversando sobre o lançamento da grife de sapatos, a maquiagem da moda ou a última viagem ao Exterior. Os homens conversam sobre quanto tem de dinheiro na conta ou a quantia investida na bolsa de valores. O próximo carro que irão comprar e a lista de veÃculos que eles ostentam.
É possÃvel ser rica sem mudar de personalidade? Creio que sim, pois quando fizer parte deste grupo vou continuar contando piadas e rindo de qualquer bobagem. Enquanto este dia não chega, volto para a minha realidade, pegando ônibus com pessoas com óculos da Ray Ban, Camisas Lacost, calças da Carmim, todas vindas do mercado ilegal. Prefiro roupas de marcas falsas e pessoas originais.
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16 de Março de 2009 às 7:22 pm
Parabéns pelo texto!!! Dividimos a mesma opinião. O que vale é o que SOMOS e não o que TEMOS. Até!
Muito bom, Camila.
Eu tenho pena dessas pessoas plastificadas, que precisam de estimulantes para sentir, sofrer, ser feliz… enfim, viver. Se é difÃcil camuflar nossas origens, creio que seja impossÃvel que eles consigam camuflar o cinismo e o egocentrismo.
Genial!
Conseguiste expressar em linhas o que vivo diariamente no meu trabalho.
Sentiu o drama?