Lucas Barroso
Estudante de Jornalismo
Um canalha. Desses de rabo de cavalo e cavanhaque, sabe? Geralmente, homem de rabo de cavalo e cavanhaque não presta. Mas Geovana estava caída por ele. E, ainda por cima, queria compromisso.
O trem seguia até o Centro de Porto Alegre. Os dois lado a lado.
- Você não é mais menino, sabia?
- Sim, eu sei.
- Está na hora de pôr a cabeça no lugar. Por que não moramos juntos, hein?
- Meu anjo…
- Por que não podemos morar juntos, meu amor?
- Eu não quero compromisso, entende.
- Não. Isso, pra mim, é coisa de galinha.
- Não deu certo com a Sol, com a Ju e com a Priscila…
- E qual o problema, você quer morrer sozinho, é isso?
- Agora, quero ficar sozinho, meu anjo…
- Meu amor! Me chama de meu amor!
Nesse momento, ele segurou o pequeno queixo de Geovana, mirou seus olhos de bola de gude e lhe deu um beijo displicente. Depois do breve silêncio completou.
- Meu anjo.
Como um Homem Tem de Ser
Coisa de pai para filho. Receita infalível essa, dizia o pai sabido. Era batata. Quando a pequena era do tipo difícil, ele segurava firme seus bracinhos de moça de família, mirava seus olhos perdidos e, sem sorrir, dizia, com voz de fábio jr. “Não estou brincando, querida”. E, logo após, aproximava seus lábios de homem.
Na maioria das vezes, dava certo. Porém, algumas pretendentes se debatiam feito peixe vivo. O que era um mal sinal. Oh, péssimo sinal! A pequena, de fato, não esta para ele. Queria apenas jogar, como dizem. Logo, não era para seu bico, pois homem que é homem não gosta deste tipo de mulher.
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5 de Setembro de 2008 às 4:55 pm