Sexta-feira, 30 de Julho de 2010
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1976

Raquel Piegas
Estagiária de Jornalismo

Prefiro falar de 1976, quando o Beira-Rio foi palco de uma partida de futebol, e não de uma rinha de galos. Prefiro falar da vitória do Colorado em cima do Corinthians no Campeonato Brasileiro de 33 anos atrás do que mencionar o fiasco e a vergonha que foi para a nação colorada receber o adversário com provocações e cartões vermelhos.

Sou a única colorada da minha família. E faço parte da nação de fanáticos por futebol. Amo o meu time, e como em toda relação apaixonada, há um misto de amor e ódio. Ontem eu senti vergonha. Quando sentei em frente à televisão para assistir Inter x Corinthians, pela Copa do Brasil, imaginei que o impossível poderia acontecer: uma vitória do Colorado por três gols a zero. O que vi foi contra o que sempre pensei sobre futebol.

Meu time entrou desesperançado em campo. O capitão argentino Guiñazú não tinha a mesma garra do chileno Figueroa, de 1976. Parecia haver mais jogadores corinthianos em campo do que colorados. E havia. Após o primeiro gol, a torcida se calou. O preto do uniforme corinthiano atingia nossos olhos como o preto do luto. As cobranças de escanteio com a câmera focando em um ângulo que mostrava a frase CAMPEÃO DO MUNDO faziam do título uma lembrança distante.

Quanta selvageria para uma Copa do Brasil. Dois jogadores expulsos, mais de 30 faltas cometidas e – pasmem – com os técnicos punidos também. Mais de seis minutos de bola parada devido ao comportamento dos jogadores do Inter. Se alguém ali presente honrou o futebol, foi o juiz. D’Alessandro fez jus ao apelido de macaco não por fazer parte da nação colorada, mas por ter se comportado como um primata sem noção alguma de civilidade, provocando de todas as maneiras o capitão corinthiano William.

Nem mesmo os dois gols marcados por Alecsandro amenizaram a dor da torcida colorada por perder um jogo que valeria um título e uma vaga na Libertadores. A dor foi por além de termos sido derrotados, nossos jogadores abdicaram do bom senso e não honraram a condição de seres humanos civilizados.

Episódios tristes como o do último jogo me fazem pensar que o discurso de paz nos estádios não está saturado. Ele se faz necessário em tempos nos quais a violência entre as torcidas e entre os jogadores está fazendo do futebol um espetáculo de ignorância, no qual a rivalidade ultrapassa a competitividade saudável do esporte.

Prefiro falar de 1976, quando fomos campeões, e jogamos por amor à camisa e não por ódio ao rival.

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2 de julho de 2009 às 5:53 pm

1 Comentário para “1976”

  1. Fabio disse:

    Tem inumeras coisinhas que não concordo no teu texto, mas tive a grata surpresa de descobrir que tem mais uma qualidade: ser colorada.

    “Prefiro falar de 1976, quando fomos campeões, e jogamos por amor à camisa e não por ódio ao rival.” teu final, mto bom…

    e qto a vaga na libertadores, ganharemos com o titulo do brasileirão.

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