Andrei Andrade
Estagiário de Jornalismo
José Mitchell, 61 anos, tem mais tempo de trabalho dentro da Polícia Federal do que muito homem de farda. Afirma que em 30 anos de trabalho, conhece a instituição melhor do que muito delegado. Mas nunca foi policial.
Por três décadas, foi repórter do Jornal do Brasil. Boa parte da sua experiência foi vivida durante os anos da ditadura militar no país, o que lhe rendeu boa parte das melhores reportagens investigativas que produziu e diversos prêmios de jornalismo. Em 2006, publicou o livro Segredos à direita e à esquerda na ditadura militar, pela RBS Publicações.
Hoje, Mitchell é editor-chefe da RBS TV. Prefere ser chamado de “pauteiro”, pois é ele quem pensa as reportagens dos telejornais da emissora. Nesta terça-feira, 2, irá falar aos alunos da Unisinos na palestra Jornalismo Investigativo, que integra a programação da Semana da Comunicação. O local do evento é o Mini-auditório da Comunicação. Na tarde da última sexta-feira, Mitchell conversou com o Portal3. Quando perguntado sobre o principal prêmio que recebeu ao longo da carreira, advertiu: “essa é uma boa história, que prefiro contar na palestra.” Confira os principais trechos da entrevista:
Portal3: O que o sr. irá abordar na palestra?
José Mitchel: Vou relatar um pouco da minha vivência profissional para apontar alguns caminhos que devem ser percorridos pelo jornalista investigativo, desde a busca por documentos até gravações ocultas, recurso que não havia quando comecei. A importância de ter contatos dentro da Polícia Federal (PF) e do Ministério Público (MP) também é um assunto importante. Fui um dos primeiros repórteres a fazer matérias sobre a PF no Brasil, o que é um motivo de orgulho pra mim.
P3: Investigação se ensina na universidade?
JM: Não. Aprende-se no dia-a-dia, na prática. A faculdade contribui com o fundamento teórico e cultural. Hoje há Google, e-mail e telefone celular, o que aumenta a possibilidade de informação, mas afasta o repórter da fonte. É no contato direto com o entrevistado que se expande a pauta e se dá a investigação. Geralmente, eu saía da redação com uma pauta e voltava com outras tantas que surgiam da conversa com a fonte.
P3: Um bom repórter investigativo tem quanto de inspiração e quanto de transpiração?
JM: 99% transpiração. Tem que ter muito esforço, dedicação e, principalmente, persistência. O repórter tem que saber que vai errar muitas vezes, quebrar a cara. Mas uma hora vai acertar. Insistir é importante. No Jornal do Brasil, cansei de voltar pra redação sem matéria. Mas assim ia melhorando meu contato com as fontes, até que passei a conhecer melhor a PF que os próprios delegados. Isso é persistência.
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1 de junho de 2009 às 4:31 pm
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