Terça-feira, 07 de Fevereiro de 2012
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  • Na marginal

    Andrei Andrade
    Estagiário de Jornalismo

    O verão é o culpado. São esses dias de sol escaldante que dão ao meu texto um certo ar de autoajuda que só no inverno consigo rebater com alguma inspiração. Por isso, o que vem a seguir é uma reflexão pouco calcada na dura realidade que nos cerca. Uma alienação. É o que a casa oferece para os próximos meses.

    Pois foi hoje que percebi. Percebi que minhas maiores alegrias – e desconfio que as suas também – se deram graças a momentos em que fugi de escolher o óbvio. Com ou sem motivo, por mera curiosidade ou o extremo desespero, arrisquei o novo. Foi quando o desafio de romper com a normalidade transformou o tédio em alguma experiência marcante.

    O dia a dia nos dá a opção de escolher um mesmo e confortável caminho, uma rotina segura, onde podemos minimizar a possibilidade do obstáculo. E não sou nada avesso à rotina. Gosto da minha rotina e prezo por ela. Só acho que deve ser igualmente rotineiro sair deste previsível roteiro do cotidiano tão logo a chance apareça. Mesmo porque a rotina não irá fugir. Ela espera que voltemos correndo.

    O óbvio é uma arma da razão. O novo é da emoção. Pouco há de subjetivo e inspirador no óbvio, enquanto que o novo costuma desobedecer ao convencional, ao trivial. É a fuga do óbvio que causa a surpresa, sensação imprescindível à felicidade. O óbvio e o novo são, antes de tudo, inimigos. Onde um está o outro não está. São incompatíveis. Para não enlouquecer, precisamos dos dois. Mas se o óbvio carrega a comodidade da poltrona do avô, o novo não é nada macio. Por isso, o estranhamos. E poucas vezes o testamos.

    Sacando do meu hipocampo lembranças de momentos que me marcaram, percebo que foram todos lampejos do novo. Ocasiões de surpreendente fuga do roteiro e cujo desfecho geralmente foi – e é – conhecer alguém novo, conhecer melhor o que era tão somente um conhecido, um lugar diferente, ter uma história bacana pra contar.

    Finalmente, há uma grande obviedade que aprendi. É bom renovar a vida, andar pela periferia. É bom, de vez em quando, andar na marginal.

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    18 de Novembro de 2009 às 2:32 pm

    1 Comentário para “Na marginal”

    1. Luciano Gasparini diz:

      Meu amigo Andrei, muito bom!!! Excelente eu diria. Um texto linguístico-literário-psicológico. rss. Parabéns! Grande abraço!

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