Lucas Reis Velho e Nicolau Junior
Estudantes de Jornalismo
O publicitário, criador e garoto propaganda do Clube do Nadismo, Marcelo Bohrer, juntamente com a professora de Psicologia da Unisinos e doutora em Ócio e Potencial Humano, Ieda Rhoden, e Jorge Mello, terapeuta especializado em terapia corporal, debateram na tarde dessa segunda-feira, 3, na sala leste do Santander Cultural a nova filosofia de vida: o nadismo. Além do bate-papo, Bohrer aproveitou para fazer a divulgação do seu livro Nadismo: uma revolução sem fazer nada (Editora Mega Livro).
Cada vez mais estamos condicionados a ter o que fazer sempre e o tempo todo. Por isso, falta-nos tempo para atividades lúdicas, brincar com os filhos, dar atenção para os próprios pensamentos ou até mesmo fazer nada. Fazer absolutamente nada é o que o Clube do Nadismo propõe, pelo menos durante alguns minutos do dia.
A idéia de Bohrer de propor às pessoas que começassem a fazer nada partiu de uma experiência própria durante uma viagem a Londres, quando constatou que cada vez mais os seres humanos estão vivendo em torno da velocidade. Quanto mais coisas para fazer em menos tempo, melhor. A partir disso, ele provocou algumas pessoas a tomarem tal iniciativa. No entanto, constatou que as pessoas tinham US$ 10 para pagar pela sua idéia, mas não tinham dez minutos para fazer esse tipo de reflexão. “Fazer nada é aproveitar melhor o seu tempo sem correr e sem se sentir culpado por não estar fazendo nada”, define. A iniciativa chegou ao Brasil em 2006 e, aos poucos, foi se espalhando pelas principais capitais brasileiras.
Bohrer, que esbanjou humor durante toda a palestra, levantou a seguinte questão para iniciar as discussões: Quem ainda usa internet discada? Apenas uma mulher levantou a mão e explicou que o motivo são os problemas financeiros. O publicitário acredita que o computador e a internet são alguns dos motivos pelos quais as pessoas se estressam tanto. “O Homo sapiens deveria se chamar Homo stressapiens”, brincou.
Ieda Rhoden explicou a enfermidade do tempo, fundamentada pelo psicólogo franco-alemão Servan-Schreiber, que ocorre quando o doente entra em pânico quando algo é desmarcado, se recusa a permitir qualquer intervalo entre suas atividades e se sente culpado por não trabalhar nos períodos em que não deveria estar trabalhando como férias, feriados e fins-de-semana. Ieda defende que o nadismo nada mais é do que um exemplo de ócio construtivo. Mas acrescenta “O ócio só é construtivo quando há desfrute. Se não há desfrute, é apenas ócio”.
Faça Nada!
Foi no mês de dezembro de 2005, na Estação Liverpool Street, que Bohrer convidou a multidão que em plena hora do rush seguia apressada: “Você está com pressa, muito ocupado, muito estressado? Faça nada! Aprenda como por 10 libras/10minutos”, dizia a placa que Marcelo carregava pela estação. Desde então, Marcelo Bohrer não parou mais e passou a promover eventos pelo mundo todo. No Brasil, o Clube do Nadismo já esteve em São Paulo, Rio De Janeiro, Curitiba, Florianópolis e Porto Alegre. O evento, que geralmente é organizado em parques, consiste em permanecer inerte, em torno de um cubículo branco vazio, fazendo absolutamente nada por cerca de 40 minutos. Para se associar basta acessar o site.
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5 de Novembro de 2008 às 2:41 pm