Natacha Kötz
Estagiária de Jornalismo
O jornal Diário de São Paulo estreou neste fim de semana sua repaginação gráfica e de conteúdo. Com a promessa de fazer “jornalismo impresso de um novo jeito”, a mudança mais notável foi no formato, que lembra um tablóide alongado.
A novidade a que se refere o jornal trata-se de um jornalismo “pós-noticioso”, voltado para a análise dos fatos, depois de eles acontecerem e de terem sido noticiados. O papel das mídias digitais no imediatismo da notícia teria levado a publicação a se posicionar como um manual explicativo dos acontecimentos.
O jornal afirma que, com a renovação, deixa de seguir “a cartilha que regeu os jornais no século passado”. Anuncia que a “simplicidade” pautou sua modificação.
Para o consultor da Innovation Media Consulting no Brasil, agência responsável pela mudança do jornal, Eduardo Tessler, a mudança era necessária, pois o jornal estava regredindo: “O Diário é um jornal tradicional de São Paulo, que existe há mais de 100 anos e vinha num movimento decrescente”. Tessler conta que o pior período do impresso aconteceu nos últimos dez anos. “Primeiro, houve uma mudança no proprietário, o nome era Diário Popular, depois houve um posicionamento errado. Entraram num mercado muito forte, e o jornal não conseguiu manter a qualidade de antes”, conta.
Tessler diz que, quando chegou ao Diário de São Paulo, ele estava rumo ao fechamento. “Assim que nos chamaram, avaliamos o que sobrou do jornal e percebemos que a solução seria implantar aqui, o que já é sucesso na Europa: o pós-noticioso”. O consultor aposta no aumento de vendas do Diário: “Entramos numa área que ainda não foi explorada no país. Além disso, é o primeiro tablóide em São Paulo. Até agora só recebemos elogios. Acredito que a vendagem só aumente a partir de agora”.
O novo planejamento gráfico do Diário de São Paulo conta com letras maiores, mais espaço para imagens, muitos gráficos, cores e textos relativamente curtos. Apesar da ambição de aprofundamento da notícia, o jornal propõe uma leitura rápida, tendo como pressuposto o fato de o leitor já ter conhecimento sobre o assunto por conta de outros meios de comunicação, principalmente internet.
Os cadernos não possuem capas. As editorias são designadas por nomes e cores para situar os leitores ao longo das 80 páginas do jornal.
A versão online do Diário destaca os temas apresentados na versão impressa e acrescenta informações conforme a necessidade. No site, o espaço aos leitores é maior. Após cadastro, o internauta pode enviar vídeos, textos e fotos para colaborar com a publicação.
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26 de Julho de 2010 às 6:20 pm